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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Historiografia e Teoria da História


CONCEITOS DE HISTÓRIA: os conceitos de História variam de período para período e entre as várias correntes historiográficas, sendo estas as mais importantes:
· Positivismo: essa corrente visava explicar a História através do estudo dos fatos, datas e personagens históricos considerados importantes durante o período em estudo.
· Marxismo: o marxismo (também chamado de Materialismo Histórico) tenta explicar as mudanças históricas através das condições materiais, modos de produção ou disputa entre classes sociais existentes em determinado período histórico.
· História Nova (Escola dos Annales): para essa corrente historiográfica o estudo da História é o estudo do cotidiano de um povo, do modo como viviam, se organizavam, produziam ou se relacionavam política e socialmente.
CONCEITOS DE TEMPO: Varia também de escola para escola e do uso e das características que se considera no estudo da História:
· Tempo Histórico: conjunto de características de uma sociedade em determinado período de sua História.
· Tempo Cronológico: é o tempo determinado, medido pelo relógio, contado em anos, séculos, milênios, etc.
Contagem dos séculos:
· Anos terminados em 00: se o ano termina em dois zeros retiram-se os dois últimos zeros e o valor que ficar corresponde ao século (Ex: 1500 -> 15 -> século XV);
· Anos terminados em algarismos diferentes de 00: retiram-se os dois últimos algarismos e adiciona-se 1 (um) ao valor que sobrar. O resultado corresponde ao século. (Ex: 1520 -> 15 + 1 -> 16 -> século XVI).
Contagem dos séculos:
· Se os anos estão na mesma era (a.C. ou d.C.): diminui-se o menor valor do ano do maior valor do ano. (Ex: entre 200 d.C. e 1.800 d.C. = 1.800 - 200 = 1.600 anos transcorridos);
· Se os anos estão em era distintas (a.C. ou d.C.): somam-se os valores dos anos (Ex: entre os anos 1.200 a.C. e 1.800 d.C. = 1.200 + 1.800 = 3.000 anos transcorridos);
DIVISÃO TRADICIONAL DA HISTÓRIA
É uma forma de se estudar a História dividindo-a em períodos de séculos ou milênios que tenham características mais ou menos semelhantes. É uma divisão que leva em conta, principalmente, a História da Europa.
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FONTES HISTÓRICAS
É tudo aquilo que pode fornecer informações sobre determinado período histórico, determinado povo ou civilização. Qualquer coisa que possa ser estudada e gerar conhecimento histórico. Exemplos: Fotos, mapas, músicas, poesias, fósseis, pinturas, etc.
As Grandes Correntes Historiográficas - Da Antiguidade ao Século XX
por Pedro Silva
De Heródoto, o "pai da História", ao século XX, diversas foram as formas encontradas de pensar e escrever a História. O curto texto que se segue, pretende dar a conhecer os passos fundamentais desse percurso.


De uma forma geral costuma dividir-se a evolução do "Processus" histórico em 3 fases distintas: a fase Pré-científica que engloba as historiografias Grega, Romana, Cristã-medieval e Renascentista, a fase de transição, em que se destacam a historiografia Racionalista ou Iluminista e a historiografia Liberal e Romântica e, finalmente, a fase científica em que temos o Positivismo, o Historicismo, o Materialismo Histórico, no século XIX, e a escola dos "ANNALES" e a História Nova, em pleno século XX.

Como já vimos considera-se que o "Processus" histórico se inicia com os Gregos e de facto é com Heródoto de Halicarnasso que em pleno século V A.C. , se faz pela primeira vez uma tentativa de investigação do passado, eliminando tanto quanto possível, o aspecto mitológico. A história começa a abandonar o estudo das "coisas divinas" e começa a preocupar-se com as "coisas humanas". Heródoto procurou além disso estabelecer uma causalidade entre os factos históricos e os motivos que os determinam, factor de extrema importância se considerarmos que esta forma de actuação, esta perspectiva, não é inata ao pensamento grego. Como afirma Barraclough, esta é uma invenção de Heródoto. Além de Heródoto, a historiografia grega contou com outros personagens importantes de que se destacam Tucídides e Políbio. Se Tucídides é importante pelo rigor que coloca na selecção dos testemunhos e pela imparcialidade que pretende introduzir na narrativa, com Políbio faz-se a transição da tradição historiográfica para os Romanos, destacando-se especialmente de entre estes, Tito Lívio e Tácito. No entanto faltou brilho à historiografia romana e em termos concretos pouco se evoluiu relativamente aos helénicos. Se com Tito Lívio e a sua história de Roma ainda se vislumbra a introdução de algum método na investigação dos factos, com Tácito e a sua perspectiva pedagógica, encontramos um relato eivado de parcialidade e preconceitos. Numa análise geral, podemos afirmar que a historiografia Greco-Romana se caracteriza por um sentido pragmático, didáctico e principalmente com os Romanos, pelo surgimento de um espírito de exaltação nacional. A História que com Heródoto e Tucídides apresentava um cariz regionalista, passa com os seus seguidores a assumir uma perspectiva universal.

Com o advento da Idade Média a historiografia sofre um retrocesso e passa a apresentar relações teológicas que lhe imprimem um carácter providencialista, apocalíptico e pessimista. Deus passa a estar no centro das preocupações humanas. É o Teocentrismo. A preocupação do historiador passa a ser a justificação da vinda do filho de Deus ao Mundo, e depois desse evento, analisar as suas repercussões.

A chegada do Renascimento introduz grandes alterações na historiografia, tornando-se de novo o Homem o objecto de estudo, Assiste-se a um ressurgimento da herança cultural da Antiguidade Clássica, acompanhado de um desenvolvimento muito sensível das ciências auxiliares da História, como, por exemplo, a Epigrafia, a Arqueologia, a Numismática, etc. É o tempo do Antropocentrismo.

O período que antecede e acompanha a Revolução Francesa vai ser caracterizado por grandes filósofos, tais como Voltaire, Montesquieu e Jean Jacques Rosseau, que irão lançar as bases filosóficas de um novo Mundo. Como é óbvio, isto irá reflectir-se no estudo da História e dá-se uma nova orientação do sentido de estudo, atribuindo-se mais importância ao estudo das sociedades do que propriamente das grandes personalidades.

A historiografia Liberal e Romântica que surgiria na sequência do movimento liberal que "invadiu" a Europa em pleno século XIX, irá debruçar-se sobre o Homem, as sociedades e os municípios. É uma História eminentemente regionalista, com grande simpatia pela Idade Média (advento das nacionalidades) e que introduz subjectividade na narrativa. É um período de grande divulgação cultural, há um alargamento de público e os historiadores são, nalguns casos, jornalistas como Thierry e Guizot.

Com Auguste Comte são lançadas as bases do Positivismo que, como diz Colingwood, é a aplicação da filosofia às ciências da Natureza. Institui-se um método que ainda hoje é, na sua essência, utilizado e a fim de contrariar a subjectividade romântica, o papel do historiador passa a traduzir-se na pesquisa dos factos (pesquisa particularmente cuidada) e na sua subsequente organização, fazendo a sua exposição através de uma narrativa tão impessoal quanto possível.

Porque o rigor do Positivismo não seria, segundo alguns historiadores, integralmente aplicável às ciências humanas, assiste-se ao surgimento de um movimento denominado Historicista que passa a dedicar grande atenção à subjectividade e interpretação, embora aproveitando muito do método positivo. A História, que segundo os positivistas não deveria ser interpretada mas redescoberta, passa a constituir um processo pleno de subjectividade. É Ranke, que de alguma forma indica a evolução que se vai seguir, ao dar grande importância ao aspecto económico na evolução das sociedades. No entanto, tal tendência só vira a concretizar-se com o aparecimento do Materialismo Histórico de Marx e Engels. Estes dois autores defendem que a História constitui, no seu essencial, uma "descrição" da luta de classes que sempre tem oposto explorados e exploradores. A economia passa a constituir um aspecto de capital importância na evolução das sociedades, nomeadamente no que toca à posse dos meios de produção. Marx divide a História em cinco grandes capítulos e introduz a noção de descontinuidade do processo histórico. O Homem passa a ter um papel mais modesto, passando o estudo das massas a ser mais atento. Há um aproveitamento da filosofia Hegeliana (Tese-Antítese-Síntese), defendendo Marx que a realidade não é a concretização do espírito do Homem, como afirmava Hegel, mas sim o "motor" que condiciona o espírito humano. Segundo Barraclough, o contributo do marxismo é fundamental pela nova orientação que é conferida ao processo histórico, orientação que irá culminar com a escola dos "Annales" e a História Nova.

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