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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Homem de Neandertal



Homem de Neandertal




Por: Bruno Ferreira


A cerca de 350 mil anos atrás o Homo Neanderthalensis, apareceu na áfrica e logo espalhou pela Ásia e Europa pouco conhece-se a respeito dessa espécie primitiva da família dos hominídeos.
Pesquisas feita demonstra que eles tinham compleição baixa e robusta, rosto protuberante e testa pesada e grande, mas o corpo era próximo a do seu parente o homem moderno.
O Homem de Neandertal vivia de modo rústico e primitivo e sobrevivia através de caça por onde obtinha sua alimentação, sua fala era limitada mostra que o homem de Neandertal foi um ancestral direto do homem moderno vivendo no mesmo período a sua extinção pode ter ocorrido pela falta de adaptação as necessidades do meio seu desaparecimento ocorreu a aproximadamente 25 mil anos atrás.

Fontes Bibliograficas
Guia Ilustrado Zahar - História Mundial, autor: Philip Parker.


domingo, 27 de novembro de 2011

Surgimento das Primeiras Sociedades Coleta para Agricultura






Por: Bruno Ferreira

A cerca de 2000 a.c o homem passou a organizarem-se em pequenos grupos esses grupos que antes viviam em constante migração de uma região para outra por causa da procura de alimentos passou a organizar em coletores e posterior com a descoberta do cultivo de alimentos passou a estabelecer em um lugar fixo que detinha recursos naturais bons como solo e água a geografia do local proporcionava a melhor sobrevivência do homem por isso as primeiras sociedades que tem noticias se estabelece próximos a margens de rios.
O aumento da temperatura no globo e o fim da era do gelo por volta de 11 mil anos atrás resultou na troca como vemos de um estilo de vida de caçadores – coletores para agricultores e criadores de animais.
As primeiras civilizações surgem na chamada crescente fértil a 8, 550 anos atrás e em certas regiões do globo que detinha terras férteis como em regiões da china, com o avanço do homem no globo regiões da Europa e Américas começam a cultivar com a grande revolução agrícola que se espalhava pelo globo podemos perceber que o automaticamente o aumento populacional saltou de poucos seres humanos para muitos em um breve espaço de tempo.
Percebe que o aumento populacional só acontece com o excesso de alimentos e isso é uma marca humana o grande avanço da humanidade no aspecto democrático acontece por meio do aumento populacional por causa do aumento de produtividade e o estoque de alimentos.
As primeiras civilizações a surgirem foram nas regiões da crescente fértil da áfrica até Ásia menor e regiões da índia e china o homem também já havia espalhado pela terra.
Portanto a evolução de técnicas proporcionou o avanço humano na terra dominando ela por inteiro hoje vemos que a tecnologia agrícola que está cada vez mais rápida e produz mais com pouco espaço de terra esse e o lado positivo do ponto de vista negativo e que ainda existe no mundo de hoje milhões passando fome ou melhor morrendo de fome estão concentrados em países em desenvolvimento e em países pobres da áfrica e Ásia.


quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Funcionamento de Um Feudo


O Funcionamento de Um Feudo

Por: Bruno Ferreira

Com  a queda da sociedade antiga que acontece com o fim do império romano surge na Europa um novo modo de organização política  administrativa e econômica construído pelos reis bárbaros esse modelo econômico marcou a idade media chamado de feudalismo.
O feudalismo seria uma nova organização com o fim do império romano do ocidente as pessoas em sua maioria migraram para o campo novamente abandonando a forma de vida na cidade em sua maioria os donos das terras eram apadrinhados ou amigos do rei, nisso o senhor dono das terras precisava de pessoas para trabalhar nela surge a servidão uma forma de trabalho diferente da escravidão.
A servidão seria uma prestação de serviços do servo ao senhor feudal essa prestação de serviços tinha em troca o direito de uso a terra, assim o servo estaria preso aos deveres e direitos da terra que pertencia ao senhor feudal.
Esses lanços feudais duraram ate a chegada do capitalismo na Europa quando aos poucos a nova forma de economia foi acontecendo deixando a vida do campo e indo para a cidade.
O funcionamento de um feudo era de grande importância para  o sistema feudal medieval pois a terra era o bem mais importante para o feudalismo.
As terras de um feudo era organizada da seguinte forma.
·         Manso senhorial – Representava cerca de um terço da área total e nela os servos e vilões trabalhavam alguns dias por semana. Toda produção obtida nessa parte da propriedade pertencia ao senhor feudal.
·         Manso servil – Área destinada ao usufruto dos servos. Parte do que era produzido ali era entregue como pagamento ao senhor feudal.
·         Terras comunais – Era a parte do feudo usada em comum pelos servos e pelos senhores. Destinava-se à pastagem do gado, à extração de madeira e à caça, direito exclusivo dos senhores.
      Abaixo o feudo e sua organização.





Os servos, principal mão-de-obra dos feudos, deviam várias obrigações ao senhor feudal, destacando-se[1]:
·         A corvéia – prestação de trabalho gratuito durante vários dias da semana no manso senhorial;
·         A talha – entrega ao senhor de parte da produção obtida no manso servil;
·         A banalidade – pagamento de taxa pelo uso do forno, do lagar (onde se fazia o vinho) e do moinho, dentre outros equipamentos do feudo;
·         O censo – pagamento efetuado com parte da produção em dinheiro, ao qual estavam obrigados somente os vilões ou homens livres;
·         A capitação – imposto per capita (por cabeça), pago apenas pelos servos;
·         A mão-morta – taxa paga pelos familiares do servo para continuar explorando a terra após sua morte.



Os camponeses que trabalalhavam nas terras do senhor feudo viviam com pouco e por isso não tinha o mesmo padrão de vida que o senhor feudal que vivam em castelos ou em grandes moradias.
A idade media sem duvida foi fascinante pois nela se imprime o modo diferente de vida e organização em diferentes partes do mundo ela acontecia cada uma a sua forma mas o modo que tratamos aqui e exclusivo da Europa onde a igreja e os reis juntamente com uma economia pressa a terra era de fundamental importância para a sobrevivência da elite feudal ou nobreza, até com o advento das cruzadas aparece rotas de comercio e o feudalismo entra em decadência com o surgimento dos primeiros modos de capital.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Maçonaria


Maçonaria
Por: Bruno Ferreira



O que é maçonaria?

 A propria Maçonaria se considera uma sociedade discreta, na qual homens livres e de bons costumes, denominando-se mutuamente de irmãos, cultuam a Liberdade, a Fraternidade e a Igualdade entre os homens. Seus princípios são a Tolerância, a Filantropia e a Justiça. Seu caráter secreto deveu-se a perseguições, à intolerância e à falta de liberdade demonstrada pelos regimes reinantes da época. Hoje, com os ventos democráticos, os Maçons preferem manter-se dentro de uma "discreta" situação, espalhando-se por todos os países do mundo.
O grupo foi fundado oficialmente em 1717, mas os documentos relativos à sua existência datam de 1300. Ele foi originalmente criado para ser uma irmandade, cujos membros compartilham certas idéias filosóficas fundamentais, entre eles a crença em um ser supremo, esse ser supremo e desconhecido conhecido entres como "arquiteto do universo" muitos teóricos da conspiração afirmam que seja o próprio Lúcifer, e que a maçonaria seria um braço de suas ações.
Sua origem vem da idade media de grupo de pedreiros que construíam as igrejas e corporações da época, a maçonaria tem duas divisões a primeira eram trabalhadores remunerados na segunda parte seus adeptos são homens de pensamento tendo no XVI até o XIX o surgimento do pensamento iluminista de igualdade, fraternidade e liberdade.
Os seus membros organizavam de forma secreta para praticar seus rituais que ao longo da história foi sendo aprimorando esses rituais as idéias da Maçonaria influenciaram a primeira república das Américas os Estados Unidos e transformaram-na na maior potencia do mundo.
Muitos maçons assumiram o comando dos Estados Unidos e tiveram papeis importantes no governo e na organização política de todas as Américas inclusive no Brasil alguns dos presidentes do Brasil foram maçons também outros tiveram apoio dela para implementação  de suas idéias iluministas.
Hoje alguns historiadores atribuem a maçonaria grande ritualismo satânicos outros falam de Os teóricos da conspiração, há muito tempo, acham que eles estão envolvidos em práticas ocultistas abomináveis. Igrejas de todas as denominações também criticaram a organização, seus ensinamentos morais e crenças espirituais esotéricas.
Com a sua enorme adesão espalhada pelo globo, a Maçonaria moderna já não tem os mesmos princípios universais como o fez nos velhos tempos. Uma prática que tem se mantido constante é o método de introdução. Iniciado deve ser recomendado ao grupo por alguém que já é uns maçons, e uma vez lá, o membro deve passar por três diferentes graus, antes de chegar ao nível de “Mestre Maçom.” Os membros também têm certos modos prescritos de cumprimentar uns aos outros, incluindo apertos de mão, gestos e senhas, e não-maçons são sempre proibidos de comparecer às reuniões.
Por fim a certeza e que a Maçonaria tem forte influencia no mundo moderno e comtemporaneo, e que sim os rituais são mantidos a sete - chaves, a muito coisa de baixo desse tapete, mas como um grupo dentro dessa sociedade cabe ela estar sempre dentro das leis e se estiver tramando algo inlicito que seja punido os seus menbros ou ela propria, mas durante os anos ela vem se mostrado como defensora dos bons costumes.

video abaixo sobre:


 Bibliografia Digital

sites: http://www.guiadomacom.com.br/index.cfm?page=oqueemaconaria

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A proclamação da República


A proclamação da República



Por: Bruno Ferreira

A proclamação da republica ocontece no dia 15 de novembro de 1889 esse evento ocorre por vias pacificas e ocorreu no Rio de Janeiro num quartel o imperio já vinha decaindo e com ele a família real já estava com pressões internas e externas da sociedade.
A proclamação ocorreu na Praça da Aclamação (atual Praça da República), na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, quando um grupo de militares do exército brasileiro, liderados pelo marechal Deodoro da Fonseca, destituiu o imperador e assumiu o poder no país.
A situação política do Brasil não estava boa por motivos diversos  a instituição império já não condizia no cenário mundial, outra motivo foi  o ministro empossado pelo imperador Dom Pedro II, visconde de ouro preto não agradou o exercito, muitos dos soldados quando proclamaram a republica pensaram que era um ato para a retirada do ministro.
Quando o antigo regime caiu Visconde de ouro preto foi preso e família real exilada, o ato da proclamação da republica pela população não foi espantosa, mas não sabia o que estava ocorrendo de fato, “Bem o povo assistiu a tudo Bestializado, atônito surpreso sem conhecer o que significava”.
Muitos foram os fatores que levaram o Império a perder o apoio de suas bases econômicas, militares e sociais. Da parte dos grupos conservadores pelos sérios atritos com a Igreja Católica (na "Questão Religiosa"); pela perda do apoio político dos grandes fazendeiros em virtude da abolição da escravatura, ocorrida em 1888, sem a indenização dos proprietários de escravos.
A crise econômica agravou-se em função das elevadas despesas financeiras geradas pela Guerra da Tríplice Aliança, cobertas por capitais externos.
A questão abolicionista impunha-se desde a abolição do tráfico negreiro em 1850, encontrando viva resistência entre as elites agrárias tradicionais do país. Diante das medidas adotadas pelo Império para a gradual extinção do regime escravista, devido a repercussão da experiência mal sucedida nos Estados Unidos de libertação geral dos escravos ter levado aquele país à guerra civil, essas elites reivindicavam do Estado indenizações proporcionais ao preço total que haviam pagado pelos escravos a serem libertados por lei. Estas indenizações seriam pagas com empréstimo externo.
Com a decretação da Lei Áurea (1888), e ao deixar de indenizar esses grandes proprietários rurais, o império perdeu o seu último pilar de sustentação. Chamados de "republicanos de última hora", os ex-proprietários de escravos aderiram à causa republicana.
A questão religiosa Desde o período colonial, a Igreja Católica, enquanto instituição, encontrava-se submetida ao estado. Isso se manteve após a independência e significava, entre outras coisas, que nenhuma ordem do Papa poderia vigorar no Brasil sem que fosse previamente aprovada pelo imperador (Beneplácito Régio). Ocorre que, em 1872, Vital Maria Gonçalves de Oliveira e Antônio de Macedo Costa, bispos de Olinda e Belém do Pará respectivamente, resolveram seguir, por conta própria, as ordens do Papa Pio IX, não ratificadas pelo imperador e pelos presidentes do Conselho de Ministros, punindo religiosos ligados à maçonaria.
Podemos concluir que vários motivos e outros fizeram a maçonaria, e liberais do governo a se organizar e proclamar a republica, o descontentamento de setores da sociedade foi também um dos motivos sabendo que esses setores tinham forte poder e influencia no império, a chegada de Deodoro a presidência inicia um período da republica conhecido como “Republica da Espada” muitos pensavam que com o fim do império o Brasil iria se desfragmentar, mas isso não ocorreu para alguns historiadores o que ocorreu não foi uma proclamação mas sim um golpe da elite sobre o imperador.

Video abaixo sobre a proclamação da Republica do Brasil

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A Influência Ocidental da Moda no Mundo


A Influência Ocidental da Moda no Mundo


Por: Bruno Ferreira

A vestimenta e de fundamental importância nas sociedades humanas pelo mundo e através dela que se define a região ou localidade que o sujeito mora ou nasceu, e sem duvida e uma manifestação humana que veio perdendo sua influencia no mundo a partir do século XX com avanço da tecnologia.
A influencia do ocidente no padrão de vestimenta ao longo do século XX aconteceu de forma que todo o planeta seguisse o padrão imposto pelo ocidente, no começo do século XX ouve avanços nas áreas da tecnologia  industrial que proporcionou aumento de transportes e meios de troca de informações como telegrafo.
Esse avanço aconteceu a partir do ocidente vindo da Inglaterra, França principalmente e se espalhando pelo mundo, com esse avanço a propaganda e meios de informação como visuais ajudaram a propagação da cultura européia pelo mundo uma das formas de dominar a cultura mais rápida e impor uma nova cultura essa nova cultura foi imposta aos poucos como um padrão de pensamento racista pelos países do ocidente a Roupa e vestimenta fazem parte dessa questão.
Ao passo que a roupa européia representava também a praticidade da modernidade e da imposição dessa nova moda, o futuro imperado do Japão ao visitar a Inglaterra encomendou  sua vestimenta exatamente no mesmo alfaiate do futuro rei da Inglaterra, ele não queria ser considerado de segunda classe pela nobreza inglesa, mas sem duvida era tradado.
Com difusão da propaganda e do modo de vida ocidental e avanço tecnológico o mundo foi inserido em um padrão de consumo que faz pessoa através da propaganda  comprar algo depois da segunda guerra esse padrão de consumo de moda foi imposto pela maior potencia os Estados unidos que fizeram forte propaganda pelo mundo impondo seu modo de vida e seu modo de se vestir a invenção do cinema fez com que através de filmes fosse passado uma mensagem subliminar de comprar o que o ator do filme vestia.
O cinema propagou de forma formidável do padrão de vestimenta no mundo com a maior invenção da indústria da moda pós guerra a famosa calça Jeans essa que fez a revolução da indústria da moda rapidamente a calça jeans representou um padrão liberdade, essa calça jeans que era empregada pelos empregos nas fazendas e fabricas dos estados unidos e que através de James Dean no filme de faro oeste fez se propagar a idéia de liberdade tão bem ousada e vestida por um belo ator de Hollywood.
No ano de 1968 a França sofre varias rebeliões de estudante que propagou pela classe trabalhadora ouve uma grande greve e revoltas o governo já temia o pior, mas isso não ocorreu e Charles Goulle propõe novas eleições e acaba fortalecendo o governo.
Certamente os jovens estão na busca da liberdade da revolução francesa e queria uma sociedade mais justa o mundo temia um socialismo na França, equivocado os estudantes pregavam idéias socialistas, mas usavam calça Jeans.
Outros afirmam que não foi a Perestroika que fez a união soviética cair, mas que foi a calça Jeans e rock roll, a influência da propaganda ocidental no modo de vida e se vestir do ocidente e no socialismo certamente a pressão da propaganda que chegava à juventude soviética ajudou na queda do muro de Berlim e da União soviética.
Em partes do mundo o modo de vida ocidental entre ele o modo de se vestir não chegou  como na china o pais vivia exatamente com um uniforme de fabrica em que todos usavam a mesma roupa, mas com a queda de Maoísmo e a china resolveu se abrir para o mundo a china industrializou e formou  a maior fabrica do mundo contemporâneo fabricando todos os tipos de roupa porem usando a marcas do mundo ocidental.
Porem olhando o mundo vê hoje que certas culturas não aceitaram o padrão de vestimenta européia, um exemplo a Turquia, mas utilizou o modo moderno de pensar a moda para os padrões islâmicos exemplo utilizando véus coloridos, em outros lugares a tradições ainda perduram entra a principal tradição a vestimenta faz parte da cultura.

sábado, 5 de novembro de 2011

A Música popular brasileira enquanto construção histórica do século XVIII – XIX ao surgimento do samba


A Música popular brasileira enquanto construção histórica do século XVIII – XIX ao surgimento do samba
      
      

Heriberto da Mota de Arruda Barros[1]


        “Arrisco dizer que o Brasil, sem dúvida, uma das grandes usinas do planeta, é um lugar privilegiado não apenas para ouvir música, mas também para pensar a música

(Marcos Napolitano)


           
            A música, dita “popular” ocupa no Brasil um lugar de destaque na história sociocultural nacional, um lugar de mediações, combinações, encontros e desencontros, entre as mais diversas etnias, classes e regiões que formam a geografia do país. Além disso, como afirma Marcos Napolitano em seu livro História & Música, a música tem sido, ao menos em boa parte do século XX, a tradutora dos nossos dilemas nacionais e veículo de nossas utopias sociais. [2]
            Comentar sobre a ligação entre a elite brasileira e a música popular requer em primeira instância, a compreensão de que embora a elite deste país sempre tenha se repudiado de toda expressão artística do povo, foi ativamente participante das mesmas, bem como a cultura popular buscou elementos que se fixavam no mundo erudito das metrópoles, apresentando seu caráter miscigenado, como de fato é característica do povo brasileiro, e que ganharia no século XX uma discussão própria a partir de Gilberto Freyre.
            Neste sentido, Marcos Napolitano afirma que, a esfera da música popular urbana no Brasil tem uma história longa, constituindo uma das mais vigorosas tradições da cultura brasileira. E isso não é pouco num país acusado de não ter memória sobre si mesmo.
             Inegavelmente, e sem desmerecimento de nenhuma outra cidade brasileira, a cidade do Rio de Janeiro, uma de nossas fontes musicais, teve um papel central na construção desta tradição de cunho popular da música brasileira. Cidade de encontros e mediações culturais altamente complexas, o Rio forjou, ao longo do século XIX e XX, boa parte das nossas formas musicais urbanas. O nordeste, sobretudo, deste a Bahia, Pernambuco, Paraíba e Ceará, também desempenha importante valor neste emaranhado nacional, fornecendo ritmos musicais, formas poéticas e timbres específicos que se incorporaram ao meio musical.
            Numa perspectiva histórica, para entendermos a “consolidação” de uma música de cunho popular no Brasil, faremos um breve levantamento dos ritmos que cercavam o século XVIII e XIX, comandada por duas formas musicais básicas, sendo elas, a modinha e o lundu.
            A modinha brasileira do século XVIII era uma adaptação feita pelas classes populares das modas líricas portuguesas, com inclinações para o melancólico. Conforme Marcos Napolitano, seu inventor reconhecido foi Domingos Caldas Barbosa, um mestiço brasileiro, que substituiu o pianoforte pela viola de arame, temperou a moda com um pouco de lundu negro e anuançou o vocabulário solene da Corte pelo mestiço da Colônia.  Destacando-se pela ação inovadora, Caldas Barbosa fez muito sucesso em Portugal, na Corte de D. Maria. Logo, ao longo do I Império, a modinha se enraizou no Brasil, através da obra de Cândido Inácio da Silva e José Maurício Nunes Garcia, entre outros.

         Ao longo das regências e do II Império, a modinha se tornou quase obrigatória nos salões da Corte, e será, ao lado do lundu branqueado, um dos gêneros de maior aceitação, a partir do trabalho das casas de edição musical, introduzidas por volta dos anos 1830. Além do Rio de Janeiro, a Bahia foi um importante centro musical de “modinhas”. No final do Império a modinha se populariza e sai dos salões, tornando-se uma das matrizes da seresta brasileira.[3]

            Os nomes mais famosos deste requintado ritmo foram os de Xisto da Bahia e Catulo da Paixão Cearense.
            Trazida pelos escravos bantos, o lundu, no início uma dança “silenciosa e indecente” acabou sendo adequado pelas camadas médias da corte, transformando-se numa forma-canção e numa dança de salão. Normalmente, tinham a velocidade mais  rápida que a modinha e uma marca de ritmo mais acentuada e sensual, sendo assim uma das primeiras formas culturais afro-brasileiras reconhecidas como tal. O lundu-canção e o lundu-dança de salão tiveram muita aceitação na Corte e serviram de tempero melódico e rítmico quando a febre das polcas, valsas, schottish e habaneras tomaram conta do Brasil a partir de 1840.[4]
            Simultaneamente, a afirmação da modinha e do lundu como manifestações originalmente brasileiras, ocorre à introdução e afirmação do violão como instrumento de uso tanto das classes mais populares ao uso pelos membros da corte. É bem evidente, a adição de vários elementos rítmicos a esta música, como as influências regionais vindo principalmente do nordeste como já fora assinalado anteriormente, e também a cosmopolita da metrópole que se inspirava em modelos italianos e franceses.
            Conforme Napolitano, a vida musical na virada do século XVIII pra o XIX, no Brasil, não assistiu apenas à formatação destes dois gêneros de “música ligeira” como se dizia – a modinha e o lundu – mas também a uma febre e música religiosa, sobretudo em Minas Gerais, mas também em Olinda, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro. “Em sua maioria, os músicos que praticavam este tipo de música eram mestiços ou mulatos e se organizavam em irmandades religiosas produzindo uma música delicada e sofisticada, voltada para a liturgia da religião oficial.
            Em 1808, com a vinda da família real ao Brasil, não só a política e economia vigente sofreriam mudanças, - a cultura nacional em constante adaptação receberia no sentido musical, suas adaptações, com a entrada da música clássica germânica e da ópera napolitana, assim como, a “produção” brasileira será um flerte para o surgimento de novos estilos e composições musicais.
            Apesar de, estas produções serem consideradas separadas no sentido de verdadeiros antagonismos enquanto relações sociais, a produção erudita, característica do elitismo brasileiro, nunca deixou de interpretar e compor modinhas, valsas e canções. Neste sentido, a cultura popular estava em todos os lugares da corte e ao mesmo tempo, contraditoriamente, era condenada pelos mesmos.  Vale salientar que, com o surgimento do Conservatório Musical do Rio de Janeiro, em 1848, e da Imperial Academia de Música e Ópera Nacional (1857-1865), é estruturada a produção musical na esfera erudita no Brasil. Contudo, é necessário que já se tenha em mente que não há uma produção “pura” em se tratando de musica tanto erudita como popular, como já fora mencionado.

(...) o grosso modo musical, sobretudo no plano da interpretação instrumental, era realizado por negros e mestiços, muitos deles ainda escravos. Estes escravos músicos eram altamente qualificados e suas atividades diárias se concentravam no aperfeiçoamento da sua técnica. É notória, mas ainda pouco estudada, a importância da Real Fazenda de Santa Cruz, um verdadeiro conservatório só para escravos, cuja tarefa era a de divertir a corte imperial. Criou-se entre os negros e mestiços da corte e das principais vilas e cidades, escravos e libertos, um tradição musical complexa e plural, que trazia elementos diversos enraizados do século XVIII e início do XIX (música sacra, danças profanas, modinhas e lundus), reminiscência de danças e cantos dramáticos (jongo, por exemplo), estilos e modos européias “sérias” (neste campo, o barroco foi dominante) e ligeiras, como a polca e a valsa.[5]
   
            Logo, por volta de 1850, estas danças tornam-se o novo destaque musical no Rio de Janeiro e foi um contraponto alegre à melancolia lírica das modinhas se aproximando mais do lundu, no sentido estrito da “alegria”.
            Outro momento bastante intenso que perdurou ate o início do século XX, foi a febre dos pianos, que além de tomar conta da cidade acaba por alimentar as casas de edição de partituras, incrementando um inicial mercado musical, à base de partituras de polcas, modinhas e valsas, que subseqüentemente terá seu auge com o samba. Toda sala de estar das boas famílias do Império deveria possuir um piano para que as mocinhas da corte pudessem aprender a tocar o instrumento, o que não era uma questão de estética, mas de etiqueta social.[6]
            Para Marcos Napolitano, a disseminação dos gêneros musicais brasileiros quanto a consolidação das modas musicais estrangeiras, a partir das principais cidades brasileiras do século XIX, são inseparáveis da história das casas de impressão e editoras musicais, sendo o Rio de Janeiro, pioneiro no mercado, seguindo São Paulo, Pernambuco, Bahia e Pará, grandes centros produtores.
            Contudo, a vida musical das ruas, senzalas e bairros populares era intensa, embora não tenha deixado muitos registros impressos. Assim sua herança em grande escala nos é passada através da história oral e preservada no cerce das canções folclóricas, festas populares, assim como, pelas danças dramáticas. Entretanto, de todos estes encontros culturais e da mistura musical resultante, surgirão os gêneros modernos da música brasileira: a polca-lundu, o tango brasileiro, o choro e o maxixe, base da vida musical popular do século XX.
            E partir desta mistura e adaptações de sons, que por volta de 1870, surge, segundo Marcos Napolitano, uma das mais perfeitas sínteses musicais da cultura brasileira: o choro. Em seguida, o tango brasileiro (1871).
            Nesta direção, quanto primeiro se consagra através do quarteto ideal: dois violões, cavaquinho, e flauta, em suas primeiras andanças, o segundo consagra-se através das obras do piano.   
            Para este primeiro momento da música urbana propriamente brasileira, Chiquinha Gonzaga, moiçola nada comportada para os padrões da época, em seus trabalhos e contribuições compôs polcas, tangos, peças musicais, modinhas, marchas, aliás, como afirma Napolitano, foi ele quem inventou o gênero. Temperada pelo ambiente musical dos “chorões”, entre os quais era uma presença assídua, sua trajetória atravessou o século e marcou o cenário musical brasileiro até início do século XX. [7]
            Para Cláudia Matos o choro vem de matriz branca e das classes mais favorecidas: na origem, era um modo particular de o músico popular executar a música importada que segunda metade do século XIX animava nossos bailes e salões elegantes. [8]
            O choro acabou por “eletrizar” a música urbana brasileira, sintetizando elementos e gêneros musicais da segunda metade do século XIX. Neste sentido, junto com a consolidação do choro, das polcas para a pequena “burguesia” e o interesse renovado pela modinha, surgia também um espaço musical que marca a produção cultural brasileira ate os anos 20: o teatro de revista (e as operetas, sua versão mais “séria”) [9].

         Se o choro era uma forma de tocar polca, nada quadrada e cheia de malícias e desafios, o maxixe, surgido logo depois, era um tipo de música mais sincopado ainda, mais malicioso e sugerindo movimentos de corpos pendulares, filho direto da habana afro-cubana, importada via Espanha, apimentada pelo lundu (dança) afro-brasileiro. Assim na segunda metade do século XIX, a linha musical polca-choro-maxixe-batuque representava um mapa social e cultural da vida de uma carioca: o sarau doméstico - o teatro de revista - a rua – o pagode popular – a festa na senzala. Muitas vezes, o mesmo músico participava de todos estes espaços, tornando-se uma espécie de mediador cultural fundamental para o caráter da síntese que a música brasileira ia adquirindo. Já os públicos eram bastante segmentados, seja por sexo, raça, condição social (segmentos médios ou populares)ou condição jurídica (livre/escravo).[10]  


            É evidente que tal processo não se esgota com tais informações, contudo, será necessário analisarmos então a influência destes estilos na produção musical no início do século XX, centralizando o contexto do Rio de Janeiro.
            Nesta direção, já no início do século XX, o carnaval do rio de Janeiro não possuía um ritmo que se apresentasse como sendo tipicamente carnavalesco, já que este era brincado ao som de lundus, modinhas, polcas, maxixes e cocos, apresentando seu caráter “miscigenado”.
            Falemos um pouco sobre este carnaval. Tipicamente conhecido como o Entrudo, era a brincadeira com água, farinha e máscaras que desde o tempo colonial garantia a diversão dos foliões. Comumente, considerado, como primitivo, inconveniente pernicioso e selvagem, pela imprensa local, políticos e intelectuais, foi altamente repreendido, com punições, decretos administrativos, multas e prisões, sendo todo este aparato legal para convencer os festeiros a abandonarem tal forma de diversão. Além do mais, tal incômodo com o jogo da molhação, se explicava pelo risco de que os “moleques”, a “ralé”, o “Zé povinho”, termos que designavam os negros e pores, extrapolassem os limites da brincadeira e se julgasses em pé de igualdade com os senhores, damas e senhoritas brancas.[11]
            Assim, grupos de elites brancas sonhavam em substituir tais práticas “incivilizadas”, pelo Carnaval nos moldes europeus, Paris, Veneza ou Nice. A intensificação da repressão policial às práticas típicas do Entrudo e o surgimento das sociedades carnavalescas pareceram a inauguração desse tempo “civilizado”.[12] Fica então evidente que o discurso civilizador era a camuflagem da moda para o racismo que cerceava as relações sociais no Brasil.

         No Rio de Janeiro, fantasias, alegorias e batalhas de confetes compunham os desfiles das luxuosas sociedades carnavalescas do começo do século XX. Muita coisa vinha diretamente de Paris e era rapidamente consumida por quem tinha dinheiro suficiente para freqüentar as lojas sofisticadas da Rua do Ouvidor. Colombinas, arlequins e pierrôs pareciam ter expulsado da festa os antigos mascarados, diabinhos, dominós, caveiras e zé-pereiras (grupo de foliões tocando bumbos e outros instrumentos), que saíam às ruas nos dias de Entrudo.[13]


            Mesmo assim, bem sabemos que o carnaval brasileiro não se tornou uma cópia fidedigna de sua matiz européia, além do mais, tal expressão não conseguiria eliminar as manifestações das tradições negras que o carnaval trazia a público. Mesmo em meio a vigilância e repressão, principalmente no Rio de Janeiro, os ranchos que surgiram nos fins do século XIX, e os cordões, garantiam a farra do grande público.
           
         Os primeiros ranchos carnavalescos cariocas surgiram, no começo do século XX, na região do porto, lugar repleto de maltas de capoeira, candomblés e cortiços onde, habitava boa parte da população negra migrante do Nordeste. Era a chamada Pequena África. Na vizinhança do famoso candomblé de João Alabá e do cortiço Cabeça de Porco funcionavam as sedes de vários cordões carnavalescos, a exemplo do Rompe e Rasga, Estrela da Aurora, Nação Angola e Rei de Ouro. O Rei de Ouro, fundado em 1894 por Hilário Jovino, foi o primeiro rancho carnavalesco da cidade do Rio de Janeiro.[14]
           
                        Dentre as agremiações criadas, uma merece atenção especial, por ser lá um “palco” experimental do samba moderno. Essa era o rancho Rosa Branca. Como organizadora, a Tia Ciata, tornou-se uma liderança da comunidade negra na Pequena África, e o samba lhe deve muito. Hilária Batista de Almeida, chegou da Bahia em 1876, aos 22 anos de idade. Era doceira e trabalhava nas ruas vendendo “vestida” de baiana.

         Um dos maiores méritos de Tia Ciata foi saber cultivar boas relações com gente de prestígio e dinheiro. Graças a esse talento diplomático e sua habilidade no manejo de ervas medicinais, o marido dela conseguiu empregar-se no gabinete do chefe de polícia. Para tanto ela teve como intermediário o presidente Venceslau Brás, que assim a recompensou pela cura de uma ferida na perna que os médicos diziam não ter mais meios para tratar. A proteção e ajuda de pessoas influentes na sociedade faziam parte das estratégias dos adeptos do candomblé para se livrarem da polícia, garantirem o custeio das obrigações rituais e mesmo a ascensão de negros através de empregos e cargos públicos. Foi essa comunidade negra, formada por gente como Hilário Jovino e Tia Ciata, que promoveu a incorporação dos ranchos às festas carnavalescas no Rio de Janeiro.[15]
           
           
            Na verdade, queremos assinalar a presença e influência deste carnaval, ou melhor, to entreposto que o mesmo, foi para o surgimento das agremiações, donde surgiram grandes nomes, que marcaram o século XX, em se tratando de produção cultural, além do mais, a música que se tornaria emblema nacional, a partir de então, nascia, do ajuntamento das diversas tendências que já conferimos anteriormente. Neste sentido, a Tia Ciata, e tantas outras tias, os ranchos, as agremiações, dão possibilidades para uma construção simbólica da música de caráter miscigenado, ao mesmo tampo, regional e nacional. Portanto, os ranchos marcaram uma nova fase no Carnaval Carioca e demonstram como se deram as negociações culturais e políticas entre os negros e as autoridades, que ao mesmo tempo em que reprimiam as práticas “inferiores” faziam vigentes em suas produções, mesmo sem uma afirmação.
            Foi justamente, em meio este sentido subversivo, contraditório, original, miscigenado, “revolucionário”, que o samba, é claro, promovido pela comunidade negra recebe um apreço, especial no Brasil do século XX. Nas décadas de 10 e 20, em São Paulo, era no bairro da Barra Funda, que se reuniram os principais compositores e intérpretes do samba paulista. Conforme Wlamyra Albuquerque & Walter Filho, a Barra Funda estava longe de ser um território exclusivamente negro; ali conviviam imigrantes italianos, portugueses, espanhóis, brancos paulistanos e migrantes negros, muitos deles vindos de outros estados. Nos grandes armazéns da região os trabalhadores negros se ocupavam com o transporte e a estocagem de café. Logo, estes mesmos trabalhadores também estavam entre os sambistas que fundaram em 1914, o grupo, o primeiro cordão carnavalesco do bairro, que depois viria a ser a Escola de Samba Camisa Verde e Branca. [16] No entanto, não queremos nos ater de maneira precisa a tais pontos, pois, os mesmos ilustram a construção de ritmo melódico, que perpassam o ambiente regional do Rio de Janeiro.
            Voltemos então à capital do país, lugar de mudanças bruscas, sejam elas políticas ou sócio-culturais. Vale mais uma vez ressaltar, que tanto o samba, (em construção), como o choro, eram cultivados principalmente por músicos negros e mestiços, mais diferiam no grau de aceitação que alcançava por parte da comunidade branca de classe média. Enfim, não se pode entender, choro X samba, pois, ao mesmo tempo em que de modo se complementavam, se diferiam na ocupação de lugares diversos no corpo social. Neste sentido conforme as palavras de Pixinguinha, “o choro tinha mais prestígio naquele tempo. O Samba, você sabe, era mais cantado nos terreiros, pelas pessoas muito humildes. Se havia festa, o choro era tocado na sala de visitas e o samba, só no quintal, para os empregados” [17].
            Nomes do samba “carioca” como Sinhô, Donga, João da Baiana, Heitor dos Prazeres, Pixinguinha, João de Pernambuco entre tantos outros, conquistaram com a sua produção ao mesmo tempo em que individual, coletiva, o lugar de principal símbolo nacional. Já que neste contexto histórico, surgia a necessidade da formação de uma identidade nacional, que mais tarde fora incentivada e mediada pelo Governo Vargas, atrelado a mídia que sentia um novo modo de falar do país, de sua cultura de sua política, através do rádio e da indústria de discos em eclosão.
             A condição de um mercado do disco e o gradual processo no avanço tecnológico na sistematização de gravações musicais, alavanca mudanças rápidas no cenário artístico-cultural do Rio de Janeiro. Em 1917, a vida musical popular brasileira se modificou radicalmente. Daí o samba passou a ser reconhecido tornando-se um autêntico gênero da música urbana carioca.
            O seu aparecimento se deu durante um lento processo de mistura de variados ritmos, embalados pelos escravos descentes de africanos e nordestinos que se situaram nas periferias da cidade carioca. Logo, como resultado da miscigenação de vários ritmos e danças o samba unia em uma só “folga” a expressão cultural tanto do Rio de Janeiro, como da Bahia, aprimorando a mescla, entre lundu, marcha, modinha, choro e polca, para assim criar um legítimo samba carioca.
            Segundo Marcos Napolitano, a princípio, a palavra samba designava as festas de dança dos negros escravos, sobretudo na Bahia do século XIX. Com a imigração para o Rio de Janeiro, as comunidades baianas se estruturaram de forma espacial e cultural e tiveram nas “tias”, o seu elo central, que de certa forma já assinalamos anteriormente.
            Nesta direção, retomemos a grande “mãe” do Samba, sem generalizações, a Tia Ciata, pois foi em seu quintal durante as grandes festas, que um grupo de compositores elaborou um arranjo musical com temas urbanos e sertanejos que, ao ser lançado para o carnaval de 1917, acabou se constituindo no grande achado musical do samba carioca. Deste modo, quando Donga registrou a música “Pelo Telefone”, colocando-lhe o rótulo de “samba” ele realizou:

“um gesto comercial e simbólico a um só tempo: comercial porque registrava uma música que reunia elementos de circulação pública, e simbólico na medida em que tanto o registro de autoria (na Biblioteca Nacional em 1917) permitiam uma ampliação do círculo de ouvintes daquela música para “além do grupo social original” (Donga, depoimento ao Museu da Imagem e do Som, em 1967)”. [18]

           
            Sua letra nos remete ao contexto da época em que era necessária a licença das autoridades policiais para desfilar em blocos e formar agremiações festivas, principalmente no período do carnaval. O que de fato podemos evidenciar é que “Pelo telefone” tornou-se a primeira canção designada como samba que obteve grande sucesso na época.







Disponível em: http://www.flickr.com/photos/20539427@N00/100896538/. Acesso em 28 de abril de 2009.
 




           
            Conforme Fabiana Lopes, Pelo telefone fez sucesso fez sucesso por falar do cotidiano em que vivia a população do Rio de Janeiro do início do século: a perseguição feita pela polícia, a ordem dada de forma autoritária através do telefone – veiculo de comunicação que na época era utilizado apenas em benefício de uma minoria – e tudo isto por meio de um novo gênero musical extremamente dançante.[19]
            Gravado inicialmente pela Banda Odeon e interpretado por Baiano e Donga, Pelo Telefone, lançado no carnaval de 1917, com muita repercussão não somente ligada à estrutura rítmica, à narrativa, mas também no que tangia a autoria do Samba.

         A contenda sobre a autoria deste samba, registrado em nome de Donga e Peru dos Pés Frios, começa pela composição ter sido obra de vários freqüentadores da casa da Tia Ciata, corroborando assim a tese de que este gênero teve origem coletiva e que tinha por finalidade alegrar, acompanhado de algumas palmas e ao som rítmico dos batuques, a dança que era feita pelo grupo que participava dos festejos da casa. Além disso, nos mostra que as regras de direitos autorais ainda não estavam claramente definidas. Isto explica a frase atribuída a Sinhô (que também sofreria várias acusações quanto à autoria de seus sambas na década de 1920): “Samba é como passarinho – é de quem pegar” [20] 
           

            Neste sentido, aqui poderia ser levando outras questões ligadas a ideia dos direitos autorais, tema bastante vazio ainda no período, assim como sobre a individualidade da composição que será uma “febre” daí em diante. Entretanto, não nos ateremos a tais pormenores, para não ficar evasiva a nossa construção.
            No nascer do século, os cinemas foram importantes contratadores de músicos, que se apresentavam na sala de espera, daí é que músicos como Pixinguinha, João de Pernambuco, estes “pais fundadores” do samba, como João da Baiana, Donga, entre outros, além de formarem célebres grupos musicais, como os “Oito Batutas”, foram fundamentas na formatação da “era do rádio”.
        
         Mas o primeiro samba ainda sofreria muitas mudanças até ficar parecido com o que passou-se a chamar de “samba” a partir dos anos 50 (mais próximo ao sentido atual, início do século XXI). Ao longo dos anos 20, o “samba” oscilava entre estruturação rítmica do maxixe e da marcha.  (...) As mudanças no samba, entre 1917 e 1930, não dizem respeito apenas aos aspectos musicais strictu sensu. Foram mudanças coreográfas, sociais, político-culturais. [21]
           
            Neste contexto, do surgimento do samba, podemos considerar uma divisão entre o popular e o erudito enquanto participação das elites nas festanças de cunho popular, visto que, o samba chegava aos salões nobres, entretanto, os ditos civilizados, não iam às “favelas” que começavam a surgir, originalmente o nascedouro do samba.
            Como guisa de conclusão, podemos afirmar que o surgimento do samba, demonstra uma forte relação com o meio social do qual se originou, além de sua produção originalmente que retratava o cotidiano e as mudanças bruscas que acometia o país no início do século XX. 
        
         Portanto, aquilo que passou a ser conhecido como “samba autêntico” nasceu de uma sensível ruptura com o conceito de samba imediatamente anterior (dos anos 20). Essa nova música dotada de uma outra célula rítmica reconhecível e ligada a determinados timbres instrumentais - percussivos e vocais que lhes são “típicos”, na verdade de uma ruptura e não de uma volta ao passado “folclorizado”.[22]

            Falando sobre a invenção da música Country norte americana, Richard Perteson afirma que: “a autenticidade não é um traço inerente ao objeto ou ao acontecimento que se declara autêntico; trata-se de fato de uma construção social que deforma parcialmente o passado”. [23]
            Ainda sim vale ressaltar, para que não existam generalizações em nossa construção, que “a transformação do samba em música nacional nunca será entendida, aqui, como uma descoberta de nossas verdadeiras “raízes” antes escondidas, ou “tapadas” pela repressão, mais sim como o processo de invenção e valorização dessa autenticidade sambista”. [24]


Bibliografia

·         ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de Albuquerque & FILHO, Walter Fraga. Uma História do Negro do Brasil – Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília Fundação Cultural Palmas, 2006, Disponível, em http://www.scribd.com/doc/7108249/Historia-Do-Negro-No-Brasil, acesso em 22 de abril de 2010.

·         CUNHA, Fabiana Lopes da. Da Marginalidade ao Estrelato: o Samba na Construção da Nacionalidade (1917-1945) – São Paulo: Annablume, 2004.

·         MATOS, Cláudia Neiva de. Acertei no milhar: malandragem e samba no tempo de Getúlio. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982.
·         NAPOLITANO, Marcos. História & Música – História Cultural da Música Popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002.

·         VIANNA, Hermano. O Mistério do Samba – 4ª edição. Rio de Janeiro: Jorge Zanhar, UFRJ, 2002.


[1] Graduado em História pela Universidade de Pernambuco – UPE .
[2] NAPOLITANO, Marcos. História & Música – História Cultural da Música Popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002, p. 07.
[3] Id, p. 41.
[4] Cf. id, p. 41.
[5] Id, p. 43.
[6] Id, p. 43.
[7] Cf. id. P. 45.
[8] MATOS, Cláudia Neiva de. Acertei no milhar: malandragem e samba no tempo de Getúlio. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 26.
[9] NAPOLITANO, Marcos. História & Música – História Cultural da Música Popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002, p. 46.
[10] Id, p. 46.
[11] Cf., ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de Albuquerque & FILHO, Walter Fraga. Uma História do Negro do Brasil – Salvador: Centro de Estudos Afro-Orientais; Brasília Fundação Cultural Palmas, 2006, p. 226. Disponível, em http://www.scribd.com/doc/7108249/Historia-Do-Negro-No-Brasil, acesso em 22 de abril de 2010.
[12] Id, p. 226.
[13] Id, p. 226.
[14] Id, p. 228.
[15] Id, p. 229.
[16] Cf., id, p. 237.
[17] Apud, MATOS, Cláudia Neiva de. Acertei no milhar: malandragem e samba no tempo de Getúlio. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982, p. 27.
[18] Apud, NAPOLITANO, Marcos. História & Música – História Cultural da Música Popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002, p. 50.
[19] Cf. CUNHA, Fabiana Lopes da. Da Marginalidade ao Estrelato: o Samba na Construção da Nacionalidade (1917-1945) – São Paulo: Annablume, 2004. P. 77.
[20] Apud, Id, p. 78.
[21] NAPOLITANO, Marcos. História & Música – História Cultural da Música Popular. Belo Horizonte: Autêntica, 2002, pp. 50-51.
[22] Id, p. 51.
[23] Apud, VIANNA, Hermano. O Mistério do Samba – 4ª edição. Rio de Janeiro: Jorge Zanhar, UFRJ, 2002, p. 35.
[24] VIANNA, Hermano. O Mistério do Samba – 4ª edição. Rio de Janeiro: Jorge Zanhar, UFRJ, 2002, p. 35.