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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Eric Hobsbawm


Uma homenagem a um dos maiores historiadores que existiu 
Ele faz parte da minha formação.

Por: Bruno Ferreira

Capítulo 8
A TERRA

I
Dentre 1789-1848 o que acontecia com a terra influenciava a vida dos seres humanos. Com a revolução dupla o impacto sobre o aluguel da terra e a agricultura foi o mais catastrófico fenômeno da época. A terra era considerada a única fonte de riqueza e após revolução seria a conseqüência necessária da sociedade burguesa e do desenvolvimento econômico. A terra tinha, a qualquer custo, de estar em condições adequadas para que o solo pudesse ser arado por forças de empresas privadas em busca de lucro. Para isso:

1 - A terra tinha que ser privada, transformada em mercadoria e livremente negociada por seus proprietários.

2 - Seus proprietários deveriam desenvolver seus recursos produtivos para o mercado estimulados por seus interesses e lucros.

3 - A grande massa da população rural deveria ser transformada em trabalhadores assalariados com liberdade de movimento, para o setor não agrícola da economia.

É importante ressaltar que alguns economistas mais radicais estariam conscientes de uma quarta difícil mudança. Acreditavam que diante da mobilidade dos fatores de produção, a terra, “um monopólio natural”, não se encaixava muito bem, pois o tamanho da terra era limitado e com diferenças na fertilidade e acesso, fazendo com que proprietários de partes mais férteis se privilegiassem. Uma maneira de combater essa situação seria uma tributação por meio de leis contra a concentração de terra ou sua nacionalização.
Esses, então, eram os problemas de terra em uma sociedade burguesa em processo de instauração. Para seu funcionamento havia também dois outros obstáculos: Os proprietários de terra pré-capitalistas e o campesinato tradicional. Ambos exigiam de uma combinação nas ações políticas e econômicas.
Visto que o primeiro objetivo da terra era transformá-la em mercadoria, o proprietário com incompetência econômica poderia sofrer penalidade e permitir que compradores mais competentes assumissem a situação. Em países com terras eclesiásticas teria que ser aberto ao mercado e à exploração racional. Não poderia haver duvidas que os compradores das terras divididas, os novos proprietários, seriam empresários fortes e sóbrios; e assim seria atingido o segundo objetivo da revolução agrária. E por último, para uma completa mudança, as forças de trabalho “livre”, constituídas daqueles que não conseguiram se tornar burgueses.

II
Na França a abolição do feudalismo foi obra da Revolução. A pressão camponesa e os jacobinos levaram a reforma agrária muito além do que os capitalistas desenvolvimentistas teriam desejado. A França não se tornou nem um país de senhores de terra e trabalhadores agrícolas e nem de fazendeiros comerciais, mas em grande parte de proprietários camponeses que se tornaram principal amparo dos regimes políticos que não ameaçaram tomar suas terras.
Já na maior parte da Europa latina, Países Baixos, Suíça e Alemanha Ocidental a abolição do feudalismo foi obra do exército francês ou liberal que proclamavam, em nome da nação, a abolição dos dízimos e direitos senhoriais. Com a volta dos Bourbon depois de abortada revolução napolitana em 1798-9. As reformas não se completaram, mas continuaram com a revolução legal em áreas como Alemanha Oriental, Croácia, Eslovênia e só voltaram sob administração francesa em 1805.
Entretanto, a Revolução Francesa não foi a única força que impulsionava por uma revolução agrária. O puro argumento econômico em favor de utilização racional da terra já impressionava os servidores civis assim como a ganância da nobreza, que transformava a emancipação da terra em um instrumento de expropriação camponesa. Os passos legais, então, para o sistema burguês de propriedades de terra aconteceram entre 1789 e 1812. Cada avanço da teoria liberalista daria mais um passo para a prática.

III
O antigo sistema tradicional, embora opressor e ineficaz, era um sistema de certeza social e uma determinada segurança econômica. A revolução para o camponês não lhe deu nada exceto direitos legais. Para o camponês pobre pareceu uma troca desfavorável. Foram retirados recursos que eles acreditavam ter direito.
Com o mercado livre de terras significaria que eles provavelmente teriam que vender sua terra, e uma classe rural de proprietários os explorariam no lugar dos senhores. A introdução do liberalismo na terra destruiu, então, a estrutura social em que sempre habitaram.
Nada mais natural que o camponês pobre lutasse pelo que pudesse e assim lutou em nome de um velho ideal consuetudinário de uma sociedade mais justa e estável, isto é, em nome da Igreja e do rei legítimo.

IV
Em grandes partes da Europa a revolução legal veio como algo imposto de fora como um terremoto artificial. Isto se tornou ainda mais óbvio em lugares onde ela foi imposta a uma economia totalmente não burguesa como na África e na Ásia (domínio inglês na Índia, por exemplo).
Na América Latina foi feita a tentativa de aplicação da lei liberal sobre a terra. Os governos independentes, entretanto, procederam à liberalização nos moldes da Revolução Francesa e doutrina de Bentham (bem estar do indivíduo), que os inspiravam.
A libertação das terras dos nobres pode ter levado a alguma redistribuição e dispersão das propriedades, embora o grande fundo continuasse sendo a unidade dominante da propriedade de terra na maioria das repúblicas. Os ataques contra as propriedades comunais continuaram ineficientes. A liberalização da economia continuou artificial. Os parlamentos, eleições e leis territoriais pouco mudaram o continente.

V
A revolução da propriedade de terras foi o aspecto político do rompimento da tradicional sociedade agrária. Uma invasão para uma nova economia rural e pelo mercado mundial. Uma transformação imperfeita medida pela modesta taxa de emigração. A agricultura local era fortemente protegida da competição internacional ou interprovincial.
O novo método agrícola, fora das áreas de agricultura capitalista bem-sucedida, era lento, por isso não faziam efeitos na competição industrial sobre aldeias ou ofícios domésticos, embora o açúcar de beterraba, o milho e a batata já faziam grandes avanços na Inglaterra.
Era necessária, então, uma conjuntura econômica com a proximidade imediata de uma economia industrial e a inibição do desenvolvimento normal para um verdadeiro cataclismo em uma sociedade agrária por meio puramente econômicos.



Bibliografia

HOBSBAWM, Eric J. A Era Das Revoluções, 1789-1848, São Paulo: Paz e Terra.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    Respostas
    1. Bruno, eis uma bela maneira de homenagear o grande Eric Hobsbawm, morto hoje, aos 95 anos.
      Maior historiador britânico (apesar de ter nascido no Egito) do século XX, sua visão marxista também fez parte da minha história universitária. Vai-se o ícone, ficam suas lições.

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