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sábado, 29 de junho de 2013

MMDC O que é MMDC?



O que é M.M.D.C. ?


Por: Bruno Ferreira


MMDC é o nome de um levante revolucionário paulista que precedeu a Revolução Constitucionalista de 1932, e carrega nessa sigla as iniciais de jovens mortos na manifestação.
No ano de 1930,  Vargas acabou com o modelo oligárquico republicano que existia desde a proclamação através de um golpe que ficou conhecido como Revolução de 1930. Esta data marca o início de um longo período de 15 anos de permanência de vargas no poder  na liderança do governo brasileiro, chamando este período pelos historiadores de Era Vargas. Getulio Vargas utilizava de discordãncias para ficar no poder.



O governo de Getúlio Vargas, inicialmente, não era regido por uma Constituição formal, pois, ao tomar o poder, teve início um governo provisório que procurava romper com a oligarquia e implantar novas relações no Estado.
Sendo que, São Paulo, que era um dos estados proeminentes no jogo de poder, não ficou satisfeito com a ascensão de Vargas e a reordenação que fazia do Brasil. Getúlio Vargas, inclusive, estabeleceu uma série de sansões aos paulistas, aumentando o descontentamento dos políticos provenientes daquele estado. Foi assim que logo começaram as primeiras manifestações contra o governo de Vargas. Os estudantes paulistas prepararam manifestações pelo estado logo ocorreram na capital do estado um clima de revolta que foi se expandindo.
Um momento crítico da manifestação dos estudantes paulistas aconteceu no dia 23 de maio ainda do ano de 1930. As dependências de uma célula apoiadora da Revolução de 1930 em São Paulo, chamada Liga Revolucionária, foi invadida por jovens opositores do governo do momento. Aconteceu um combate que resultou na morte de quatro jovens paulistas: Mario Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade. Os jovens paulistas revolucionários eram conhecidos respectivamente como Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo. As iniciais de seus nomes gerariam o movimento conhecido como MMDC.
O MMDC foi o movimento clandestino que oferecia treinamento de guerrilha aos paulistas. Prestando homenagem e tomando como nome as iniciais dos quatro jovens assassinados pela organização que apoiava o governo de Getúlio Vargas em São Paulo, o MMDC procurava organizar um movimento consistente e treinado militarmente para enfrentar o governo nacional com fins de conseguir a derrubada do presidente Vargas
Além dos quatro jovens mortos em maio de 1930, houve outro, Orlando de Oliveira Alvarenga, que ficou gravemente ferido no confronto, mas só faleceu três meses depois. Portanto por este motivo, é possível também encontrar a sigla MMDCA para representar o levante revolucionário. De toda forma, o certo é que o movimento revolucionário que se inspirou na morte dos jovens para definir seu nome desencadeou uma onda crescente de manifestações e enfrentamentos ao governo que culminou com os combates da Revolução Constitucionalista de 1932.
No dia 09 de julho comemora-se em todo o estado de São o dia da revolução paulista de 1932 onde são Paulo queria separar-se da união e ser um pátria independente, hoje vemos varias homenagens a esse movimento espalhadas pelo estado de São Paulo, em São José do Rio Preto o MMDC esta construiu um museu sobre a revolução de 1932 mais informações no blog  http://mmdcriopreto.blogspot.com.br/

Bibliografia





Breve Seculo XX Cap. 3


 Fichamento do livro
3
RUMO AO ABISMO ECONÔMICO


I
A história da economia mundial desde a Revolução Industrial tem sido de acelerado progresso técnico, de contínuo mas irregular crescimento econômico, e de crescente globalização, ou seja, de uma divisão mundial cada vez mais elaborada e complexa de trabalho; uma rede cada vez maior de fluxos e intercâmbios que ligam todas as partes da economia mundial ao sistema global. O progresso técnico continuou e até se acelerou na Era da Catástrofe, transformando e sendo transformado pela era de guerras mundiais. Embora na vida da maioria da vida dos homens e mulheres as experiências econômicas centrais da era tivessem sido cataclísmicas, culminando na Grande Depressão de 1929-33, o crescimento econômico não cessou nessas décadas.
Contudo, em um aspecto ela não se achava em expansão. A globalização da economia dava sinais de que parara de avançar nos anos entreguerras. Por qualquer critério de medição, a integração da economia mundial estagnou ou regrediu. Os anos anteriores à guerra tinham sido o período de maior migração em massa na história registrada, mas esses fluxos depois secaram, ou foram represados pelas perturbações das guerras e restrições políticas.
O comércio mundial recuperou-se das perturbações da guerra e da crise do pós-guerra e subiu um pouco acima de 1913 no fim da década de 1920, caindo novamente durante a depressão, mas no fim da Era da Catástrofe (1948) não era significativamente maior em volume do que antes da Primeira Guerra Mundial. Entre o início da década de 1890 e 1913, havia mais que duplicado. Entre 1848 e 1971, iria quintuplicar.
Durante a Grande Depressão o fluxo internacional de capital pareceu secar. Entre 1927 e 1933, os empréstimos internacionais caíram mais de 90%. Cada Estado agora fazia o mais possível para proteger suas economias de ameaças externas, ou seja, de uma economia mundial que estava visivelmente em apuros. O mundo anglo-saxônico, os países neutros da época da guerra e o Japão fizeram o que puderam para deflacionar, isto é, ordenar suas economias de acordo com os velhos e firmes princípios de moedas estáveis garantidas por finanças sólidas e o padrão ouro, que não conseguira resistir às tensões da guerra. E de fato foram mais ou menos bem sucedidos nesse propósito entre 1922 e 1926.
Contudo, a grande zona de derrota e convulsão, da Alemanha no Ocidente à Rússia soviética no Oriente, testemunhou um espetacular colapso do sistema monetário, comparável apenas ao que se deu em parte do mundo pós-comunista depois de 1989. As poupanças privadas desapareceram, criando um vácuo quase completo de capital ativo para as empresas, o que ajuda a explicar a dependência maciça de empréstimos estrangeiros da economia alemã nos anos seguintes e sua vulnerabilidade quando veio a Depressão. A situação na URSS tampouco era melhor. Quando a grande inflação acabou, em 1922-3, devido à decisão dos governos de parar de imprimir papel-moeda em quantidades ilimitadas e mudar a moeda, as pessoas na Alemanha que dependiam de rendas fixas e poupanças foram aniquiladas. Pode-se imaginar o efeito traumático da experiência nas classes média e média baixa locais. Isso deixou a Europa Central pronta para o fascismo.
Em 1924 esses furacões pós-guerra se acalmaram, e pareceu possível esperar por um “normalismo”. Os loucos anos 20 não foram uma era de ouro para os fazendeiros americanos, produtores de matérias-primas e alimentos. Além disso, o desemprego na maior parte da Europa Ocidental permaneceu assombroso e, pelos padrões pré-1914, patologicamente alto. Só os EUA, com uma média de desemprego de 4%, eram uma economia realmente a pleno vapor. A queda dos preços dos produtos primários com o desemprego sinalizavam uma fraqueza da economia, demonstrando que a demanda pelos produtos não seria capaz de acompanhar a capacidade de produção. Esse boom produtivo, como se deu, foi em grande parte alimentado pelo enorme fluxo de capital internacional que invadiu os países industriais naqueles anos, em especial a Alemanha.
O que ninguém esperava era a extraordinária universalidade e profundidade da crise que começou com a queda da bolsa de Nova York em 29 de outubro de 1929. Equivaleu a algo muito próximo de um colapso da economia mundial, onde cada queda dos indicadores econômicos forçava o declínio em todos os outros. A produção industrial americana caiu cerca de um terço entre 1929 e 1931, e a alemã mais ou menos o mesmo. Houve uma crise na produção básica, tanto de alimentos como de matérias-primas, porque os preços, não mais mantidos pela formação de estoques como antes, entraram em queda livre. Os agricultores tentaram compensar os preços em queda plantando e vendendo mais safras, o que fez os preços afundarem ainda mais. Para os agricultores dependentes do mercado, sobretudo do mercado de exportação, isso significou a ruína, a menos que pudessem recuar para o tradicional último reduto do camponês, a produção de subsistência.
O Brasil tornou-se um símbolo do desperdício do capitalismo e da seriedade da Depressão, pois seus cafeicultores tentaram em desespero impedir o colapso dos preços queimando café em vez de carvão em suas locomotivas a vapor. (Entre dois terços e três quartos do café vendido no mundo vinham desse país.) Apesar disso, a Grande Depressão foi muito mais tolerável para os brasileiros ainda em sua grande maioria rurais que os cataclismos econômicos da década de 1980; sobretudo porque as expectativas das pessoas pobres quanto ao que podiam receber de uma economia ainda eram extremamente modestas.
No pior período da Depressão (1932-3), 22% a 23% da força de trabalho britânica e belga, 24% da sueca, 27% da americana, 29% da austríaca, 31% da norueguesa, 32% da dinamarquesa e nada menos que 44% da alemã não tinha emprego. E, o que é igualmente relevante, mesmo a recuperação após 1933 não reduziu o desemprego médio da década de 1930 abaixo de 16% a 17% na Grã-Bretanha e Suécia ou 20% no resto da Escandinávia. O único Estado ocidental que conseguiu eliminar o desemprego foi a Alemanha nazista entre 1933 e 1938.
Numa época em que o comércio mundial caiu 60% em quatro anos (1929-1932), os Estados se viram erguendo barreiras cada vez mais altas para proteger seus mercados e moedas nacionais contra os furacões econômicos mundiais, sabendo muito bem que isso significava o desmantelamento do sistema mundial de comércio multilateral sobre o qual, acreditavam, devia repousar a prosperidade do mundo.
Examinaremos adiante as conseqüências políticas imediatas disso, o mais trágico episódio na história do capitalismo. Numa única frase: a Grande Depressão destruiu o liberalismo econômico por meio século. Em 1931-2, a Grã-Bretanha, Canadá, toda a Escandinávia e os EUA abandonaram o padrão-ouro, sempre encarado como a base de trocas internacionais estáveis, e em 1936 haviam-se juntado a eles os fiéis apaixonados pelos lingotes, os belgas e holandeses, e finalmente até mesmo os franceses. Quase simbolicamente, a Grã-Bretanha em 1931 abandonou o Livre Comércio, que fora tão fundamental para a identidade econômica britânica desde a década de 1840 quanto a Constituição americana para a identidade política dos EUA. Mais especificamente, a Grande Depressão obrigou os governos ocidentais a dar às considerações sociais prioridade sobre as econômicas em suas políticas de Estado. Os perigos implícitos em não fazer isso – radicalização da esquerda e, como a Alemanha e outros países agora o provavam, da direita –  eram demasiado ameaçadores.
Quanto aos trabalhadores, após a guerra o "pleno emprego", ou seja, a eliminação do desemprego em massa, tornou-se a pedra fundamental da política econômica nos países de capitalismo democrático reformado, cujo mais famoso profeta e pioneiro, embora não o único, foi o economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946). Os keynesianos afirmavam, corretamente, que a demanda a ser gerada pela renda de trabalhadores com pleno emprego teria o mais estimulante efeito nas economias em recessão.
O trauma da Grande Depressão foi realçado pelo fato de que um país que rompera clamorosamente com o capitalismo pareceu imune a ela: a União Soviética. Enquanto o resto do mundo, ou pelo menos o capitalismo liberal ocidental, estagnava, a URSS entrava numa industrialização ultra-rápida e maciça sob seus novos Planos Qüinqüenais. De 1929 a 1940, a produção industrial soviética triplicou, no mínimo dos mínimos. Qual era o segredo do sistema soviético? Podia-se aprender alguma coisa com ele? Ecoando os Planos Qüinqüenais da URSS, "Plano" e "Planejamento" tomaram-se palavras da moda na política.

II
Não há explicação para a crise econômica mundial sem os EUA. Eles eram, afinal, tanto o primeiro país exportador do mundo na década de 1920 quanto, depois da Grã-Bretanha, o primeiro país importador. Importavam quase 40% de todas as exportações de matérias-primas e alimentos dos quinze países mais comerciais, um fato que ajuda muito a explicar o desastroso impacto da Depressão nos produtores de trigo, algodão, açúcar, borracha, seda, cobre, estanho e café. Pelo mesmo motivo, tornaram-se a principal vítima da Depressão. Se suas importações caíram em 70% entre 1929 e 1932, suas exportações caíram na mesma taxa. O comércio mundial teve uma queda de quase um terço entre 1929 e 1939, mas as exportações americanas despencaram para quase a metade.
Na conferência de paz de Versalhes (1919), haviam-se imposto pagamentos imensos mas indefinidos à Alemanha, como "reparações" pelo custo da guerra e os danos causados às potências vitoriosas. Como justificativa, inserira-se uma cláusula no tratado de paz fazendo da Alemanha a única responsável pela guerra (a chamada cláusula da "culpa de guerra"), a qual, além de historicamente duvidosa, revelou-se um presente para o nacionalismo alemão.
Sem querer esmiuçar muito, duas questões estavam em causa. Primeiro, havia a questão posta pelo jovem John Maynard Keynes, que escreveu uma crítica selvagem à conferência de Versalhes, da qual participou como membro subalterno da delegação britânica: The economic consequences ofthe peace [As conseqüências econômicas da paz] (1920). Sem uma restauração da economia alemã, argumentava, seria impossível a restauração de uma civilização e economia liberais estáveis na Europa. A política francesa de manter a Alemanha fraca para sua "segurança" era contra-produtiva. Segundo, havia a questão de como seriam pagas as reparações. Os que desejavam manter a Alemanha fraca queriam dinheiro vivo, em vez de (como seria racional) bens da produção corrente, ou pelo menos parte da renda das exportações alemãs, uma vez que isso teria fortalecido a economia alemã contra seus competidores. Na verdade, obrigaram a Alemanha a recorrer a pesados empréstimos, de forma que as reparações que foram pagas vieram dos empréstimos maciços (americanos).
Contudo, as perturbações e complicações políticas do tempo da guerra e do pós-guerra na Europa só em parte explicam a severidade do colapso econômico entreguerras. Em termos econômicos, podemos vê-lo de dois modos. O primeiro vê basicamente um impressionante e crescente desequilíbrio na economia internacional, devido à assimetria de desenvolvimento entre os EUA e o resto do mundo. Os EUA não precisavam muito do mundo porque, após a Primeira Guerra Mundial, tinham de importar menos capital, trabalho e (em termos relativos) produtos do que nunca - com exceção de algumas matérias-primas. Suas exportações, embora internacionalmente importantes davam uma contribuição muito menor à renda nacional que em qualquer outro país industrial. A segunda perspectiva da Depressão se fixa na não-geração, pela economia mundial, de demanda suficiente para uma expansão duradoura. Mas como a demanda da massa não podia acompanhar a produtividade em rápido crescimento do sistema industrial nos grandes dias de Henry Ford, o resultado foi superprodução e especulação. Isso, por sua vez, provocou o colapso.
Mesmo a pior depressão cíclica mais cedo ou mais tarde tem de acabar, e após 1939 havia sinais cada vez mais claros de que o pior já passara. Contudo, o esperado aumento não voltou. O mundo continuou em depressão. Isso foi mais visível na maior de todas as economias, a dos PUA, porque as várias experiências para estimular a economia feitas pelo "New Deal" do presidente F. D. Roosevelt - às vezes de maneira inconsistente - não corresponderam exatamente à sua promessa econômica.

III
O fortalecimento da direita radical foi reforçado, pelo menos durante o pior período da Depressão, pelos espetaculares reveses da esquerda revolucionária. Assim, longe de iniciar outra rodada de revoluções sociais, como esperara a Internacional Comunista, a Depressão reduziu o movimento comunista fora da União Soviética a um estado de fraqueza sem precedentes. Isso se deveu, em certa medida, à política suicida do Comintern, que não apenas subestimou grandemente o perigo do nacional-socialismo na Alemanha, como seguiu uma linha de isolamento sectário que parece incrível em retrospecto. Esse declínio da esquerda não se limitava ao setor comunista, pois com a vitória de Hitler o Partido Social-democrata alemão desapareceu de vista, enquanto que um ano depois a social-democracia caiu após uma breve resistência armada.
No vasto setor colonial do mundo, a Depressão trouxe um acentuado aumento na atividade antiimperialista, em parte por causa do colapso dos preços das mercadorias das quais dependiam as economias coloniais (ou pelo menos suas finanças públicas e classes médias), e em parte porque os próprios países metropolitanos apressaram-se em proteger sua agricultura e empregos, sem avaliar os efeitos dessas políticas sobre suas colônias. Provavelmente nada demonstra mais a globalidade da Grande Depressão e a severidade de seu impacto do que uma rápida visão panorâmica dos levantes políticos praticamente universais que ela produziu num período medido em meses ou num único ano, do Japão à Irlanda, da Suécia à Nova Zelândia, da Argentina ao Egito. O período de 192933 foi um abismo a partir do qual o retorno a 1913 tornou-se não apenas impossível, como impensável. O velho liberalismo estava mono, ou parecia condenado.
Três opções competiam agora pela hegemonia intelectual política. O comunismo marxista era uma. Um capitalismo privado de sua crença na otimização de livres mercados, e reformado por uma espécie de casamento não oficial ou ligação permanente com a moderada social democracia de movimentos trabalhistas não comunistas, era a segunda, e, após a Segunda Guerra Mundial, mostrou-se a opção mais efetiva.
Uma teoria alternativa à economia de livre mercado em bancarrota estava ainda em elaboração. General theory of employment, interest and money [Teoria geral de emprego, juro e dinheiro], de J. M. Keynes, a mais influente contribuição a ela, só foi publicado em 1936. A terceira opção era o fascismo, que a Depressão transformou num movimento mundial, e, mais objetivamente, num perigo mundial. O fascismo em sua versão alemã (nacional-socialismo) beneficiou-se tanto da tradição intelectual alemã, que (ao contrário da austríaca) se mostrara hostil às teorias neoclássicas de liberalismo econômico, transformadas em ortodoxia internacional desde a década de 1880, quanto de.um governo implacável, decidido a livrar-se do desemprego a qualquer custo.
À medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tomava-se cada vez mais claro que na Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século 19 entraram em decadência ou colapso.



sexta-feira, 28 de junho de 2013

A História do Movimento LGBT



Por: Bruno Ferreira


O movimento em defesa dos homossexuais surgiu na Europa no século passado tendo como bandeiras a defesa dos direitos e o respeito a homossexuais sempre procurando o reconhecimento perante leis dos direitos civis. Durante a segunda guerra o Nazismo  matou mais de 300 mil pessoas que eram gays.
No dia 28 de junho 1969 marca a data do movimento gay pelo mundo neste dia gays que estavam no bar Stonewall na cidade de Nova York rebelaram contra a perseguição feita por policiais que aconteceu no dia 28 e esse tornou-se a data do movimento GLBTs
No Brasil o movimento organizou-se através do jornal lampião  que surgi em 1979 o primeiro grupo de homossexuais organizados e a partir daí espalha-se pelo Brasil. N
No ano de 1980 é realizado na cidade de são Paulo o primeiro encontro brasileiro de homossexuais ao longo dos anos o grupo de gays espalham pela America latina e ganha o mundo.
Esse grupos de homossexuais são reuniões onde os seus membros discutem a perseguição e discriminação contra gays, alem de funcionar como grupo de apoio no processo individual de cada homossexual na conquista de sua auto-estima e divulgando os meios para evitar doenças sexualmente transmissíveis.
Em 20 anos de existência do grupo o movimento homossexual  apesar de contar com poucos recursos materiais, obteve a importante vitorias e reconhecimento de direitos nas últimas décadas no Brasil e no mundo, a sigla passou nos últimos anos de GLS para GLBT -   Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros hoje vemos em diversas cidades do mundo passeatas que são chamadas de paradas gays para a conscientização e chamada de atenção da sociedade para os problemas que os gays sofrem a respeito de sua orientação sexual, mas historicamente o gay ou homossexual sofre discriminação durante séculos. Em algumas sociedades os homossexuais eram reprimidos com forte torturas ou ate mesmo a morte, porem em outras o gay é aceito como um individuo bem vindo.
Portanto vemos que o movimento gay organizou-se nas ultimas décadas devido a  discriminação sofrida, Esse enfrentam a ordem estabelecida e colocam sua bandeira arco-iris  na busca de direitos civis e individuais hoje apesar dos avanços em muitas partes do mundo países radicais como Irã ainda perseguem e matam homossexuais.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Breve Seculo XX - Cap. 2


Resumo

2
A REVOLUÇÃO MUNDIAL


A Revolução Russa, ou mais precisamente a Revolução Bolchevique  de outubro de 1917, tornou-se tão fundamental para a história deste século quanto a Revolução Francesa de 1789 para o século XIX. Contudo, a Revolução de Outubro teve repercussões muito mais profundas e globais que sua ancestral. Ela produziu de longe o mais formidável movimento revolucionário organizado na história moderna. Sua expansão global não tem paralelo desde as conquistas do islã em seu primeiro século. Apenas trinta ou quarenta anos após a chegada de Lênin à Estação Finlândia em Petrogrado, um terço da humanidade se achava vivendo sob regimes diretamente derivados dos “Dez dias que abalaram o mundo” (Reed, 1919) e do modelo organizacional de Lênin, o Partido Comunista.


I
A Revolução de Outubro foi feita não para proporcionar liberdade e socialismo à Rússia, mas para trazer a revolução do proletariado mundial. Na mente de Lenin e seus camaradas, a vitória bolchevique na Rússia era basicamente uma batalha na campanha para alcançar a vitória do bolchevismo numa escala global mais ampla, e dificilmente justificável a não ser como tal.
Após 1905-6, quando o czarismo foi de fato posto de joelhos pela revolução, ninguém duvidava seriamente disso. Alguns historiadores, em retrospecto, dizem que a Rússia czarista, não fossem o acidente da Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, teria evoluído para uma florescente sociedade industrial liberal capitalista, e estava a caminho disso, mas seria necessário um microscópio para detectar profecias desse tipo feitas antes de 1914. Na verdade, o regime czarista mal se recuperara da revolução de 1905 quando, indeciso e incompetente como sempre, se viu mais uma vez açoitado por uma onda de descontentamento social em rápido crescimento.
Em 1915, os problemas de governo do czar pareciam mais uma vez insuperáveis. Nada pareceu menos surpreendente e inesperado que a revolução de março de 1917[1], que derrubou a monarquia russa e foi universalmente saudada por toda a opinião pública ocidental, com exceção dos mais empedernidos reacionários tradicionalistas.
Que uma revolução na Rússia teria grande repercussão internacional, sempre foi claro desde que a primeira revolução, em 1905-1906, abalara os antigos impérios sobreviventes na época, da Áustria-Hungria até a China, passando por Turquia e Pérsia (ver A era dos impérios, capítulo 12). Em 1917, toda a Europa se tornara um monte de explosivos sociais prontos para ignição.


II
A Rússia, madura para a revolução social, cansada de guerra e à beira da derrota, foi o primeiro dos regimes da Europa Central e Oriental a ruir sob as pressões e tensões da Primeira Guerra Mundial. Na verdade, o governo do czar desmoronou quando uma manifestação de operárias (no habitual "Dia da Mulher do movimento socialista 8 de março) se combinou com um lockout industrial na notoriamente militante metalúrgica Putilov e produziu uma greve geral e a invasão do centro da capital, do outro lado do rio gelado, basicamente para exigir pão. A fragilidade do regime se revelou quando as tropas do czar, mesmo os leais cossacos de sempre, hesitaram e depois se recusaram a atacar a multidão, e passaram a confraternizar com ela.
Quando, após quatro dias de caos, elas se amotinaram, o czar abdicou, sendo substituído por um governo liberal provisório, não sem certa simpatia e mesmo ajuda dos aliados ocidentais da Rússia, que temiam que o desesperado regime do czar saísse da guerra e assinasse uma paz em separado com a Alemanha. Quatro dias espontâneos e sem liderança na rua puseram fim a um Império. Mais que isso: tão pronta estava a Rússia para a revolução social que as massas de Petrogrado imediatamente trataram a queda do czar como uma proclamação de liberdade, igualdade e democracia direta universais. O feito extraordinário de Lenin foi transformar essa incontrolável onda anárquica popular em poder bolchevique. Assim, em vez de uma Rússia liberal e constitucional voltada para o Ocidente, disposta a combater os alemães, o que resultou foi um vácuo revolucionário: um governo provisório impotente de um lado, e do outro uma multidão de conselhos de base (sovietes) brotando espontaneamente por toda parte, como cogumelos após as chuvas.
A reivindicação básica dos pobres da cidade era pão, e a dos operários entre eles, melhores salários e menos horas de trabalho. A reivindicação básica dos 80% de russos que viviam da agricultura era, como sempre, terra. Todos concordavam que queriam o fim da guerra. O slogan "Pão, Paz, Terra" conquistou logo crescente apoio para os que o propagavam, em especial os bolcheviques de Lenin, que passaram de um pequeno grupo de uns poucos milhares em março de 1917 para um quarto de milhão de membros no início do verão daquele ano.
Quando homens de negócios e administradores tentaram restabelecer a disciplina de trabalho, não fizeram mais que radicalizar os trabalhadores. Quando o Governo Provisório insistiu em lançar o exército na ofensiva militar em junho de 1917, o exército estava farto, e os soldados camponeses voltaram para suas aldeias a fim de tomar parte na divisão de terra com os parentes. A revolução espalhou-se pelas estradas de ferro que os levavam de volta para casa. Ainda não era o momento para uma queda imediata do Governo Provisório, mas do verão em diante a radicalização se acelerou tanto no exército quanto nas principais cidades, cada vez mais em favor dos bolcheviques.
Quando os bolcheviques até então um partido de operários se viram em maioria nas principais cidades russas, e sobretudo na capital, Petrogrado e Moscou, e depressa ganharam terreno no exército, a existência do Governo Provisório tornou-se cada vez mais irreal; Na verdade, quando chegou a hora, mais que tomado, o poder foi colhido. Diz-se que mais gente se feriu na filmagem da grande obra de Einsenstein, Outubro (1927), do que durante a tomada de fato do Palácio de Inverno em 7 de novembro de 1917. O Governo Provisório, sem mais ninguém para defendê-lo, simplesmente se esfumou.
O novo regime se agüentou. Sobreviveu a uma paz punitiva imposta pela Alemanha em Brest-Litowsk, alguns meses antes de os próprios alemães serem derrotados, e que separou a Polônia, as províncias bálticas, a Ucrânia e partes substanciais do Sul e Oeste da Rússia, além de, de fato, a Transcaucásia (a Ucrânia e a Transcaucásia foram recuperadas). Os aliados não viram motivo para ser mais generosos com o centro da subversão mundial. Vários exércitos e regimes contra-revolucionários (brancos) levantaram-se contra os soviéticos, financiados pelos aliados, que enviaram tropas britânicas, francesas, americanas, japonesas, polonesas, sérvias, gregas e romenas para o solo russo.
Nos piores momentos da brutal e caótica Guerra Civil de 1918-20, a Rússia soviética foi reduzida a uma faixa de território sem saída para o mar, no Norte e no Centro da Rússia, em algum ponto entre a região dos Urais e os atuais Estados bálticos, a não ser pelo estreito dedo exposto de Leningrado, apontado para o golfo da Finlândia. As únicas vantagens importantes com que o novo regime contava, enquanto improvisava do nada um Exército Vermelho eventualmente vitorioso, eram a incompetência e divisão das briguentas forças brancas, a capacidade destas de antagonizar o campesinato da Grande Rússia, e a bem fundada desconfiança entre as potências ocidentais de que não podiam ordenar com segurança a seus soldados e marinheiros rebeldes que combatessem os bolcheviques.
Em fins de 1920, os bolcheviques haviam vencido. A Revolução sobreviveu. E o fez por três grandes razões: primeiro, possuía um instrumento de poder único, praticamente construtor de Estado, no centralizado e disciplinado Partido Comunista de 600 mil
membros. Segundo, era, de forma evidente, o único governo capaz de manter a Rússia integral como Estado e a opção em 1917-18 não era entre uma Rússia liberal-democrática ou não liberal, mas entre a Rússia e a desintegração, que havia sido o destino de outros impérios arcaicos e derrotados, ou seja, a Áustria-Hungria e a Turquia. A terceira razão era que a Revolução permitira ao campesinato tomar a terra. Quando chegou a isso, o grosso dos camponeses da Grande Rússia núcleo do Estado, além de do seu novo exército achou que suas chances de mantê-la eram melhores sob os vermelhos do que se retomasse a fidalguia. Isso deu aos bolcheviques uma vantagem decisiva na Guerra Civil de 1918-1920. Como se viu, os camponeses russos foram otimistas demais.

III
A revolução mundial, que justificou a decisão de Lenin de entregar a Rússia ao socialismo, não ocorreu, e com isso a Rússia soviética foi comprometida, por uma geração, com um isolamento empobrecido e atrasado. Contudo, uma onda de revolução varreu o globo nos dois anos após Outubro, e as esperanças dos aguerridos bolcheviques não pareceram irrealistas.
Os anos de 1917-1919 na Espanha vieram a ser conhecidos como o biênio bolchevique, embora a esquerda local fosse anarquista apaixonada, ou seja, politicamente no pólo oposto ao de Lenin. Movimentos estudantis revolucionários irromperam em Pequim (Beijing) em 1919 e Córdoba (Argentina) em 1918, logo espalhando-se por toda a América Latina e gerando líderes e partidos marxistas revolucionários. O militante nacionalista índio M. N. Roy caiu imediatamente sob o seu fascínio no México, onde a revolução local, entrando na fase mais radical em 1917, naturalmente reconheceu sua afinidade com a Rússia revolucionária: Marx e Lenin tornaram-se seus ícones, juntos com Montezuma, Emiliano Zapata e vários trabalhadores índios, e ainda podem ser vistos nos grandes murais de seus artistas oficiais.
Em suma, a Revolução de Outubro foi universalmente reconhecida como um acontecimento que abalou o mundo. O que Lenin e os bolcheviques queriam não era um movimento de simpatizantes internacionais da Revolução de Outubro, mas um corpo de ativistas absolutamente comprometidos e disciplinados, uma espécie de força de ataque global para a conquista revolucionária. Os partidos não dispostos a adotar a estrutura leninista eram barrados ou expulsos da nova Internacional, que só poderia ser enfraquecida com a aceitação dessas quintas colunas de oportunismo e reformismo, para não falar no que Marx chamara outrora de cretinismo parlamentar.
Na iminente batalha só poderia haver lugar para soldados. O argumento só fazia sentido com uma condição: que a revolução mundial ainda estivesse em andamento, e suas batalhas, em perspectiva imediata. Contudo, embora a situação européia estivesse longe de estabilizada, era claro em 1920 que a Revolução Bolchevique não estava nos planos do Ocidente, embora também fosse claro que na Rússia os bolcheviques se achavam estabelecidos permanentemente.

IV
Contudo, o ano de levantes deixou para trás não apenas um país imenso mas atrasado, agora governado por comunistas e empenhado na construção de uma sociedade alternativa ao capitalismo, como também um governo, um movimento internacional disciplinado e, talvez igualmente importante, uma geração de revolucionários comprometidos com a visão da revolução mundial sob a bandeira erguida em Outubro e a liderança do movimento que inevitavelmente tinha seu quartel-general em Moscou.
No fim, os interesses de Estado da União Soviética prevaleceram sobre os interesses revolucionários mundiais da Internacional Comunista, que Stalin reduziu a um instrumento da política de Estado soviético, sob o estrito controle do Partido Comunista soviético, expurgando, dissolvendo e reformando seus componentes à vontade. A revolução mundial pertencia à retórica do passado, e na verdade qualquer revolução só era tolerada se a) não conflitasse com o interesse de Estado soviético; e b) pudesse ser posta sob controle soviético direto.

VII
A revolução mundial, que os inspirara, avançara visivelmente. Em vez de uma única URSS fraca e isolada, emergira, ou estava emergindo, algo como uma dezena de Estados da segunda grande onda de revolução global, chefiada por uma das duas potências no mundo merecedoras deste nome (o termo superpotência já existia em 1944). Em suma, a história do Breve Século 20 não pode ser entendida sem a Revolução Russa e seus efeitos diretos e indiretos. Não menos porque se revelou a salvadora do capitalismo liberal, tanto possibilitando ao Ocidente ganhar a Segunda Guerra Mundial contra a Alemanha de Hitler quanto fornecendo o incentivo para o capitalismo se reformar, e também - paradoxalmente - graças a aparente imunidade da União Soviética à Grande Depressão, o incentivo a abandonar a crença na ortodoxia do livre mercado. Como veremos no próximo capítulo.





[1] Como a Rússia ainda seguia o calendário juliano, que ficava treze dias atrás do calendário gregoriano adotado em todas as demais partes do mundo cristão ou ocidental, a Revolução de Fevereiro na verdade se deu em março; e a de Outubro, em 7 de novembro. Foi a Revolução de Outubro que reformou o calendário russo, como reformou a ortografia russa, assim demonstrando a profundidade de seu impacto. Pois é bem sabido que essas pequenas mudanças geralmente exigem terremotos sócio-políticos para trazê-las. A mais duradoura e universal conseqüência da Revolução Francesa é o sistema métrico.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Breve Seculo XX - Cap 1



Parte um

A ERA DA CATÁSTROFE


1
A ERA DA GUERRA TOTAL


I
A Primeira Guerra Mundial envolveu todas as grandes potências, e na verdade todos os Estados europeus, com exceção da Espanha, os Países Baixos, os três países da Escandinávia e a Suíça. Praticamente todos os Estados independentes do mundo se envolveram, quisessem ou não, embora as repúblicas da América Latina só participassem de forma mais nominal. As colônias das potências imperiais não tiveram escolha. Com exceção da futura República da Irlanda e de Suécia, Suíça, Portugal, Turquia e Espanha, na Europa, e talvez do Afeganistão, fora da Europa, quase todo o globo foi beligerante ou ocupado, ou as duas coisas juntas.
Ela começou como uma guerra essencialmente européia, entre a tríplice aliança de França, Grã-Bretanha e Rússia, de um lado, e as chamadas Potências Centrais, Alemanha e Áustria-Hungria, do outro, com a Sérvia e a Bélgica sendo imediatamente arrastadas para um dos lados devido ao ataque austríaco (que na verdade detonou a guerra) à primeira e o ataque alemão à segunda (como parte da estratégia de guerra da Alemanha).
Por que, então, a Primeira Guerra Mundial foi travada pelas principais potências dos dois lados como um tudo ou nada, ou seja, como uma guerra que só podia ser vencida por inteiro ou perdida por inteiro? O motivo era que essa guerra, ao contrário das anteriores, tipicamente travadas em torno de objetivos específicos e limitados, travava-se por metas ilimitadas. Na Era dos Impérios a política e a economia se haviam fundido. A rivalidade política internacional se modelava no crescimento e competição econômicos, mas o traço característico disso era precisamente não ter limites.
O acordo de paz imposto pelas grandes potências vitoriosas sobreviventes (EUA, Grã-Bretanha, França, Itália) e em geral, embora imprecisamente, conhecido como Tratado de Versalhes, era dominado por cinco considerações. A mais imediata era o colapso de tantos regimes na Europa e o surgimento na Rússia de um regime bolchevique revolucionário alternativo, dedicado à subversão universal, um ímã para forças revolucionárias de todas as partes (ver capítulo 2). Segundo, havia a necessidade de controlar a Alemanha, que afinal quase tinha derrotado sozinha toda a coalizão aliada. Por motivos óbvios, esse era, e continuou sendo desde então, o maior interesse da França. Terceiro, o mapa da Europa tinha de ser redividido e retraçado, tanto para enfraquecer a Alemanha quanto para preencher os grandes espaços vazios deixados na Europa e no Oriente Médio pela derrota e colapso simultâneos dos impérios russo, habsburgo e otomano.
Na verdade, na Europa o princípio básico de reordenação do mapa era criar Estados-nação étnico-lingüísticos, segundo a crença de que as nações tinham o direito de autodeterminação. A tentativa foi um desastre, como ainda se pode ver na Europa da década de 1990. Os conflitos nacionais que despedaçam o continente na década de 1990 são as galinhas velhas do Tratado de Versalhes voltando mais uma vez para o choco. Não é necessário entrar em detalhes da história do entreguerras para ver que o acordo de Versalhes não podia ser a base de uma paz estável. Estava condenado desde o início, e portanto outra guerra era praticamente certa. Como já observamos, os EUA quase imediatamente se retiraram, e num mundo não mais eurocentrado e eurodeterminado, nenhum acordo não endossado pelo que era agora uma grande potência mundial podia se sustentar.

II
Em termos mais simples, a pergunta sobre quem ou o que causou a Segunda Guerra Mundial pode ser respondida em duas palavras: Adolf Hitler. As respostas a perguntas históricas não são, claro, tão simples. É bastante inegável que o que causou concretamente a Segunda Guerra Mundial foi a agressão pelas três potências descontentes, ligadas por vários tratados desde meados da década de 1930. Os Marcos Miliários na estrada para a guerra foram a invasão da Manchúria pelo Japão em 1931; a invasão da Etiópia pelos italianos em 1935; a intervenção alemã e italiana na Guerra Civil Espanhola em 1936-1939; a invasão alemã da Áustria no início de 1938; o estropiamento posterior da Tchecoslováquia pela Alemanha no mesmo ano; a ocupação alemã do que restava da Tchecoslováquia em março de 1939 (seguida pela ocupação italiana da Albânia); e as exigências alemãs à Polônia que levaram de fato ao início da guerra. Alternativamente, podemos contar esses marcos miliários de um modo negativo: a não ação da Liga contra o Japão; a não tomada de medidas efetivas contra a Itália em 1935; a não reação de GrãBretanha e França à denúncia unilateral alemã do Tratado de Versalhes, e notadamente à reocupação alemã da Renânia em 1936; a recusa de Grã-Bretanha e França a intervir na Guerra Civil Espanhola (não intervenção); a não reação destas à ocupação da Áustria; o recuo delas diante da chantagem alemã sobre a Tchecoslováquia (o "Acordo de Munique" de 1938); e a recusa da URSS a continuar opondo-se a Hitler em 1939 (o pacto Hitler Stalin de agosto de 1939).
E no entanto, se um lado claramente não queria guerra, e fez tudo possível para evitá-la, e o outro a glorificava e, no caso de Hitler, sem dúvida a desejava ativamente, nenhum dos agressores queria a guerra que tiveram, quando a tiveram, e contra pelo menos alguns dos inimigos com os quais se viram lutando. O Japão, apesar da influência militar em sua política, certamente teria preferido alcançar seus objetivos – em essência a criação de um império leste-asiático – sem uma guerra geral, na qual só se envolveu porque os EUA se achavam envolvidos numa. Duas coisas estão claras. Uma guerra contra a Polônia (apoiada pela Grã-Bretanha e a França) em 1939 não fazia parte de seu plano de guerra, e a guerra em que finalmente se viu, contra a URSS e os EUA, era o pesadelo de todo general e diplomata alemão. Muito mais significativo foi o fato de que o triunfo de Hitler na Europa deixou um vácuo imperial parcial no Sudeste Asiático, no qual o Japão então entrou, afirmando um protetorado sobre as desamparadas relíquias dos franceses na Indochina.
Os EUA encararam essa extensão do poder do Eixo no Sudeste Asiático como intolerável, e aplicaram severa pressão econômica sobre o Japão, cujo comércio e abastecimentos dependiam inteiramente das comunicações marítimas. Foi esse conflito que levou à guerra entre os dois países. O ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 tornou a guerra mundial. De qualquer modo, a opinião pública americana encarava o Pacífico (ao contrário da Europa) como um campo normal para a ação dos EUA, mais ou menos como a América Latina.

III
Falando em termos mais gerais, a guerra total era o maior empreendimento até então conhecido do homem, e tinha de ser conscientemente organizado e administrado. Na verdade, exércitos e guerra logo se tornaram indústrias ou complexos de atividade econômica muito maiores que qualquer coisa no comércio privado, motivo pelo qual no século XIX tantas vezes proporcionaram a especialização e a capacidade de administração para os vastos empreendimentos privados que se desenvolveram na área industrial, por exemplo, os projetos de ferrovias ou instalações portuárias. O principal problema dos governos era, para eles, fiscal: como pagar as guerras. Deveria ser por meio de empréstimos, de impostos diretos, e, em qualquer dos casos, em que termos exatos? Conseqüentemente, eram os tesouros ou ministérios de Finanças que eram vistos como os comandantes da economia de guerra. A Primeira Guerra Mundial, que durou tão mais do que os governos haviam previsto, e consumiu tão mais homens e armamentos, tornou impossíveis os "negócios como sempre" e, com eles, a dominação dos ministérios de Finanças.
Contudo, se tinha de travar a guerra em escala moderna, não só seus custos precisavam ser levados em conta, mas sua produção e no fim toda a economia precisava ser administrada e planejada. Os governos só aprenderam isso por experiência própria durante a Primeira Guerra Mundial. Na Segunda, já o sabiam desde o começo, graças em grande parte à experiência da Primeira, cujas lições suas autoridades haviam estudado intensamente. No início da Segunda Guerra Mundial só dois Estados, a URSS e, em menor medida, a Alemanha nazista tinham qualquer mecanismo para controlar fisicamente a economia. A guerra promoveu o crescimento econômico? Num certo sentido, é evidente que não. As perdas de recursos produtivos foram pesadas, sem contar a queda no contingente da população ativa. Vinte e cinco por cento dos bens de capital pré-guerra foram destruídos na URSS durante a Segunda Guerra Mundial, 13% na Alemanha, 8% na Itália, 7% na França, embora apenas 3% na Grã-Bretanha (mas isso deve ser contrabalançado pelas novas construções de tempo de guerra). No caso extremo da URSS, o efeito econômico líquido da guerra foi inteiramente negativo. Em 1945, a agricultura do país estava em ruínas, assim como a industrialização dos Planos Qüinqüenais pré-guerra. Tudo que restava, eram uma imensa e inteiramente inadaptável indústria de armamentos, um povo morrendo de fome e em declínio, e maciça destruição física. Por outro lado, as guerras foram visivelmente boas para a economia dos EUA. Sua taxa de crescimento nas duas guerras foi bastante extraordinária, sobretudo na Segunda Guerra Mundial, quando aumentou mais ou menos 10% ao ano, mais rápido que nunca antes ou depois. Em ambas os EUA se beneficiaram do fato de estarem distantes da luta e serem o principal arsenal de seus aliados, e da capacidade de sua economia de organizar a expansão da produção de modo mais eficiente que qualquer outro.
Em 1914, já eram a maior economia industrial, mas ainda não a dominante. As guerras, que os fortaleceram enquanto enfraqueciam, relativa ou absolutamente, suas concorrentes, transformaram sua situação. Se os EUA (nas duas guerras) e a Rússia (sobretudo na Segunda Guerra Mundial) representam os dois extremos dos efeitos econômicos das guerras, o resto do mundo se situa entre esses dois extremos; mas no todo mais perto da ponta russa que da ponta americana da curva.

IV
Falta avaliar o impacto humano da era de guerras, e seus custos humanos. O simples volume de baixas, a que já nos referimos, é apenas parte destes. Talvez 10 milhões de mortos parecessem um número mais brutal para os que jamais haviam esperado tal sacrifício do que 54 milhões para os que já haviam experimentado a guerra como um massacre antes. O aumento da brutalização deveu-se não tanto à liberação do potencial latente de crueldade e violência no ser humano, que a guerra naturalmente legitima, embora isso certamente surgisse após a Primeira Guerra Mundial entre um certo tipo de ex soldados (veteranos), sobretudo nos esquadrões da morte ou arruaceiros e Brigadas Livres da ultradireita nacionalista. Por que homens que tinham matado e visto matar e estropiar seus amigos iriam hesitar em matar e brutalizar os inimigos de uma boa causa? Um motivo importante foi a estranha democratização da guerra. Os conflitos totais viraram guerras populares, tanto porque os civis e a vida civil se tornaram os alvos estratégicos certos, e às vezes principais, quanto porque em guerras democráticas, como na política democrática, os adversários são naturalmente demonizados para fazê-los devidamente odiosos ou pelo menos desprezíveis.
Outro motivo, porém, era a nova impessoalidade da guerra, que tornava o matar e estropiar uma conseqüência remota de apertar um botão ou virar uma alavanca. A tecnologia tornava suas vítimas invisíveis, como não podiam fazer as pessoas evisceradas por baionetas ou vistas pelas miras de armas de fogo. Lá embaixo dos bombardeios aéreos estavam não as pessoas que iam ser queimadas e evisceradas, mas somente alvos. Assim o mundo acostumou-se à expulsão e matança compulsórias em escala astronômica, fenômenos tão conhecidos que foi preciso inventar novas palavras para eles: sem Estado (apátrida) ou genocídio.
Estimou-se que em maio de 1945 havia talvez 40,5 milhões de pessoas desenraizadas na Europa, excluindo-se trabalhadores forçados dos alemães e alemães que fugiam diante do avanço dos exércitos soviéticos. Não havia refugiados apenas na Europa. A descolonização da Índia em 1947 criou 15 milhões deles, obrigados a cruzar as novas fronteiras entre a Índia e o Paquistão (nas duas direções), sem contar os 2 milhões mortos na guerra civil que se seguiu. A Guerra da Coréia, outro subproduto da Segunda Guerra Mundial, produziu talvez 5 milhões de coreanos deslocados. Após o estabelecimento de Israel ainda outro dos efeitos da guerra cerca de 1,3 milhão de palestinos foram registrados na Agência de Socorro e Trabalho das Nações Unidas (UNRWA); do outro lado, em inícios da década de 1960, 1,2 milhão de judeus haviam migrado para Israel, a maioria deles também refugiados. Em resumo, a catástrofe humana desencadeada pela Segunda Guerra Mundial é quase certamente a maior na história humana. O aspecto não menos importante dessa catástrofe é que a humanidade aprendeu a viver num mundo em que a matança, a tortura e o exílio em massa se tornaram experiências do dia a dia que não mais notamos.
E Sarajevo a primeira Sarajevo certamente assinalou o início de uma era geral de catástrofe e crise nos assuntos do mundo, que é o tema deste e dos próximos quatro capítulos. Apesar disso, na memória das gerações pós1945, a Guerra dos Trinta e Um Anos não deixou atrás de si o mesmo tipo de memória que sua antecessora mais localizada do século XVII. A Primeira Guerra Mundial não resolveu nada. As esperanças que gerou logo foram frustradas. O passado estava fora de alcance, o futuro fora adiado, o presente era amargo, a não ser por uns poucos anos passageiros em meados da década de 1920.

A Segunda Guerra Mundial na verdade trouxe soluções, pelo menos por décadas. Os impressionantes problemas sociais e econômicos do capitalismo na Era da Catástrofe aparentemente sumiram. A economia do mundo ocidental entrou em sua Era de Ouro; a democracia política ocidental, apoiada por uma extraordinária melhora na vida material, ficou estável; baniu-se a guerra para o Terceiro Mundo. Ao contrário da Grande Guerra, os ex-inimigos Alemanha e Japão se reintegraram na economia mundial (ocidental), e os novos inimigos os EUA e a URSS jamais foram realmente às vias de fato.

Informe




Em Homenagem ao Grande Historiador Eric Hobsbawm o Blog História Interessante ira publicar todos os dias um fichamento do capitulo de sua obras o "Seculo XX" esse livro que faz parte da historigrafia de Hobsbawm.

sábado, 22 de junho de 2013

Historiografia - O Pensamento e a Produção Historiográfica




Por: Bruno Ferreira

 Tentando melhor aprender e  compreender os textos históricos vejamos alguns termos muitos usados nestes como História, Historicidade Historicismo e Historiografia, sendo uma breve tentativa de explicar termos tão complexos.
História - é a ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado.
Historicidade – significa colocar em perspctiva temproal e espacial as ações humanas que podem ser depreendidas da análise dos documentos.

Historicismo - Estudo de um tema iluminado especialmente por sua origem e desenvolvimento.
Teoria que enfatiza a importância da história como padrão de valor e determinante de acontecimentos.
Doutrina segundo a qual a história, sem o arrimo de uma filosofia, é capaz de estabelecer determinadas verdades morais ou religiosas.
Arquitetura. Tendência de se inspirar em uma ou diversas épocas passadas: o historicismo do neogótico e do ecletismo.

Historiografia - é a ciência que estuda e analisa e registra os fatos históricos ao longo do tempo. Historiografia também pode ser definida como a ciência que conta como os seres humanos fizeram história com o passar do tempo. 


Até o século XIX a ideia de progresso e construção da historia era baseado na construção e pesquisa de historias narrativas que contavam a historia de nações e construções de uma narrativa tradicional, com a influencia de novas ciências no final do século XIX e começo do XX e a construção de uma historia global.
A construção da pesquisa histórica mudou o exemplo é o arquivo de pesquisa que passou de um conjunto de documentos a uma construção serial de dados, tendo uma fonte fiel para suas pesquisas.
Ate o século XIX a historiografia está associada a concepção política de um estado nação ou com o surgimento do positivismo a uma visão e busca da verdade factual tendo um estilo.
O positivismo foi aperfeiçoando e ganhando seu espaço como ciência enfatizada na sua historiografia a busca de retratar uma historia militar, política onde valoriza a figura de heróis e políticos, buscando sempre nas fontes suas veracidades.
Na primeira metade do século XIX surge a Escola Metódica que começa a criar métodos e técnicas e cria uma aproximação com a escola alemã, esses historiadores que começam a produzir uma historiografia que está marcada pela guerra Franco- Prussiana de 1870 esses fatores influenciaram o pensamento histórico da França.
A historiografia metódica busca em métodos desenvolvidos na Alemanha uma maneira de criar a historia com rigor cientifico, utiliza para ponto de partida as transformações  políticas, sociais que ocorrem a partir da revolução francesa de 1789 a frança passa ter a historiografia principal da Europa utilizando a historia francesa e europeia como fonte principal de estudos, de um modo geral a escola metódica cria-se método e rigor para história criando uma busca de documentos para a produção historiográfica.
No final do século XIX e começo do XX surge a concepção da historia em Marx  surgindo com ele uma nova concepção da historia ele que e filho de judeus que converte-se ao protestantismo ingressa na faculdade Berlim nesta toma contato com a filosofia Hegeliana.
Marx critica a revolução burguesa que foi a revolução francesa e também critica o idealismo heliano, Marx faz na sua pesquisa histórica a concepção do passado por uma luta de classes da relação do dominante com o dominado, assim dando uma realidade do presente que é um processo histórico construído pela participação do homem com o tempo. Para ele a historia de todas as sociedades esta marcada por uma luta de classes, e que toda a sociedade sempre ouve o antagonismo entre classes em diferentes épocas da historia mundial, ele vai ao passado para buscar uma interpretação para o futuro.
Marx faz ligação ao materialismo que é organizado historicamente entre essa relação dominante e dominado o seu pensamento faz criticas à divisão social do trabalho, a propriedade privada e a desigualdade social essas criticas tornaram-se importantes para a historiografia rompendo-se do método tradicional de pregado pela historia positivista e metódica Marx constrói uma historiografia nova para o seu tempo contribuindo para a produção historiográfica do  século XX e também o campo  político com o surgimento do partido comunista que em seu auge iria construir na Rússia a revolução proletária a chamada Revolução Russa de 1917 construída por Bolcheviques.
No século XX surge uma escola historiografia que vai mudar toda a concepção de ver a historia com a Escola dos Annales. As teorias da história constituídas no século XX sob as referencias teórico-metodologicas da Escola dos Annales propõem ao mesmo tempo uma nova compreensão da história e também uma revisão da historiografia.
Com esta escola ocorre uma mudança de paradigmas a onde a filosofia da historia antiga era marcada primeiro pela apresentação e concepções de passado, presente e futuro, nesta concepção a projeção do futuro contem elementos teológicos.
A escola dos Annales apresenta concepções de passado e presente buscando afastar a historia da filosofia e inserir ela nas ciências sociais e o que ocorre com a Revista dos Annales que busca no campos sociológicos, psicológicos, antropologia uma concepção histórica ligada a uma novas concepções de fontes historiográficas, buscando assim novas fontes, novos problemas, utilizando uma outra metodologia para o Corpus Documental e ao longo do século XX a historiografia da Escola dos Annales vai mudando com suas gerações de Historiadores,  podemos dividir-se em três gerações que tem suas particularidades.
1º Geração Luciean Febvre e Marc Block 1929 – 1950
2º Geração Ferdinand Braudel 1950 – 1980
3º Geração Le Goff – História Nova  - anos 80, 90 e 2000.
Vejamos a concepção de cada uma delas a primeira geração contribui para a formação dessa nova escola historiográfica.
Através de uma revista produzida na França a Revista dos Annales que surge a escola dos Annales procuravam criar uma historiografia mais próxima a área da ciências sociais e fazendo parte desse processo estava Lucien Febvre e Marc Block que foram os principais historiadores da chamada primeira geração dos Annales ambos tem uma historia parecida foram alunos  da prestigiosa École  Normale Superieure e vivenciaram tanto a influencia de Durkheim quanto a interdisciplinaridade propiciada pelos anos em Estrasburgo, que abordaram em seus trabalhos e orientações importantes contribuições de diferentes áreas, numa pratica epistemológica que objetivava romper com a historia política e dos eventos dos reis, das guerras .
A grande contribuição que a primeira geração ofereceu foi o diálogo entre a história e as ciências sociais, rompendo uma barreira invisível e ao mesmo tempo sólida, legitimada por uma história tradicional, factual, excessivamente preocupada com os acontecimentos advinda do século XIX, colocando nessa geração a preocupação da inclusão do social e do econômico.
Na segunda geração o representante em destaque é Fernand Braudel, no qual fez parte da recém criada universidade de São Paulo foi no Brasil que ele teve experiências a poder dizer que ele tornou-se “inteligente” a sua grande obra é a “O Mediterrâneo” a onde tem uma abordagem teórico metodológico da segunda geração, esta obra consagra ele como sendo o historiador da síntese  espaço –temporal que objetiva a compreensão da totalidade dos fenômenos humanos mediante a analise social realizada pela união de duas ciências que são a a geografia e a História.
Em o Mediterrâneo esta dividido em três parte  a onde fala  do homem e o meio que o rodeia, a segunda parte dos grupos e terceira a historia tradicional, cada parte esta estruturada em uma esfera, conjuntural e factual, em um geográfico, um tempo social e um tempo individual, esta obra ultrapassa o mediterrâneo e a própria segunda geração dos Annales, mas ele e sua tese e o que ocorre de mais representativo da segunda geração.
A escola dos Annales tem uma preocupação sempre romper com a história metódica e positivista, procurando a interdisciplinaridade, e tendo sempre a construção do objeto.
Se a primeira geração foi marcada pelas preocupações de uma história socioeconômica pelas preocupações da historia socioeconômica e psicológica, a segunda geração esta ligada a proterir o imaginário e a psicologia coletiva em beneficio socioeconômico e demográfico. A terceira geração já abre uma nova esfera estando relacionado com diferentes vetores.
A terceira etapa dessa escola chamada agora de historia Nova que tem como principal expoentes  Le Goff  que aponta para três fenômenos que surgiu que são o novo campo do saber que são a afirmação das ciências, sua renovação e a interdisciplinaridade, nesta terceira geração pode definir –se como a ampliação de temas  de pesquisas e pelo aporte interdisciplinar a história, buscando mais uma história antropológica, vemos que a história multiplica seus temas e suas pesquisas nessa ultima geração e busca novos campos da mentalidade como a história das mulheres, a historia da vida privada, do cotidiano, do imaginário e  outras tantas, com o passar dos anos Le Goff vê a história como uma absorção de outras ciências como sociologia e antropologia.

            Chaunu aborda em seu texto o movimento de conquista da America, áfrica e Ásia pelas estados Portugueses e Espanhóis e a historiografia produzida por alguns historiadores do período que fomentaram através de textos a descoberta de um novo mundo e de selvagens e a expansão do cristianismo e mais tarde no século XIX a produção de uma historiografia romântica. A uma mudança da historiografia regional e fechada europeia para uma historiografia que ultrapassa oceanos e novas conquistas.
            A Historiografia do século XIX das descobertas enfatiza a ampliação do mundo que elas desencadearam fazendo parte da aquisição da Renascença. Introduzem a formação do individuo no coletivo  a recriação de estados territoriais o retorno ao espírito cientifico, desta forma a historiografia das grandes descobertas esta ligada a noção absorvente e contestável de Renascença, a uma problemática de ruptura.
            Com a descoberta de novos mundos por Estados nascentes Europeus o mundo passou a ser um objeto para a Europa, um objeto de conhecimento levando para estes locais a visão eurocêntrica. A historiografia das descobertas foi concebida  na primeira metade do século XIX.
            Chaunu destaca no seu texto o pai da geografia que contribuiu para a História e historiografia o conhecido Alexandre de Humboldt que viajou por diversas partes do globo e descrevendo essas regiões, ele foi testemunha da quebra e queda do império espanhol das índias. Observando que neste período ouve a transição de poderes da Europa saindo de Portugal e Espanha para as novas potencias europeias Inglaterra e França.
            A historiografia desses países iberos preocupava em resaltar o feito das descobertas Portugal como centro das descobertas sempre citados pelos historiadores portugueses como os primeiros a se jogarem ao mar tendo como inimigo dos pioneiros as descobertas por Vespúcio e um pouco de Colombo ficando assim por um período uma richa entres esses.
            Os historiadores do séc  XX estavam preocupados não com as técnicas, mas na astronomia e na arte náutica, aos poucos o mérito foi dado aos portugueses destacando que este esforço técnico começou na bacia do mediterrâneo e chegou a escola de  Sagres e de Lisboa. O texto destaca que a historia das Descobertas foi escrita em três etapas a primeira na península ibérica no começo do séc  XIX depois em 1870 na crescente onda nacionalista
            Destacando sempre que a historiografia a partir do final do século XIX estava mais nacionalista, exaltando o patriotismo destacando nesse período o período de divisão da áfrica pelos países europeus sempre destacando um forte nacionalismo sendo que cada pais da Europa estava impondo o seu nacionalismo e sua historiografia ao seu modo e ponto de vista.
            A expansão portuguesa e o capitulo primordial da expansão europeia nesta que esta uma profunda mudança temática tendo a historia das descobertas apoiado em um estudo dos mapas antigos, sendo que a historia das ciências nasceu, no seculo XIX das necessidades do progresso da historia das grandes descobertas, tendo feito uma abordagem da união de duas ciências para a produção desta historiografia a chamada Geo-História um dialogo entre geografia e historia no interior das pesquisas humanas ocorrendo uma interdisciplinaridade tendo assim um desenvolvimento historiográfico.
            No inicio do sec. XX ocorre o aparecimento da história positivista tendo sempre a produção desta historiografia um instrumento quase perfeito do passado sendo no texto de Chaunu citado como elemento quase inútil porque não tinha finalidade e permaneceu mais próxima esta historiografia do que foi no passado como apenas uma crônica do Estado, esta ruptura de historia acontece nos anos 30 com Fernand Braudel falando do tempo e o espaço no mediterrâneo usando disso a geografia.
            Os historiadores positivistas para Chaunu lembrava os libertinos do século XVII, mas que a partir dos anos 40 foi tentada uma renovação da historia das grandes descobertas em torno da noção de espaço, saindo de um historia de colonizadores  e espaços para uma historia de espaços  transformados e trabalhados pela descoberta.
            A historia avança não poderia parar ai adquirindo de novos avanços noções de espaço  e de rede  de comunicações deve se linear uma nova problemática que libertara  a história das descobertas  do eurocentrismo tendo agora uma  visão mais global da historia.
            Antes de o planeta estar cobertor por um cultural econômica mundial existe no globo núcleos de comunicação o mundo mediterrâneo que ganha o globo no mesmo período teve um concorrente a China, e também o universo de navegações árabes no indico cada um desse mundo existe uma forte densidade de povoamento, sendo cercados por lugares inóspitos.
            Os chineses foram melhores marinheiros do que acreditou durante um período a china atravessou mares levando vantagem sobre os povos do mediterrâneo a expansão chinesa no seu exterior custeou seu avanço no interior, mas ouve uma detenção nas expedições chineses  a falta de motivação foi a fonte da falta de seu avanço pois a expedição marítima da china foi fomentada pelo estado com o intuito de  satisfazer apenas a curiosidade especifica e foi caracterizado por  J. Nedham no nível de motivos eles os chineses não estavam interessados na expansão por meio de mercadorias, mas pela pura curiosidade  e não estavam movidos por um proselitismo religioso depois de tudo isto a china voltou-se novamente para o seu interior e sua vocação agrícola, o sucesso da expedição europeias  foi também de certo modo pelo fracasso da expedição chinesa.
            Não de deve apenas ficar nesta polaridade de China e Mediterrâneo, mas que também outro ponto de expansão foi graças ao Oceano Indico árabe e uma região que formava um universo de comunicação árabes autônoma em relação ao mediterrâneo, sendo esses suplantados por avanços dos portugueses em regiões africanas.
            Chaunu chama a atenção para regiões do globo inexplorados e que foram aos poucos descobertas pelos Europeus graças a ineficiência ou a perca de motivação de Chineses e Árabes  mas a chave dessas descobertas esta relacionado ao nível de motivação mais do que o nível de técnica e que a geo-história renovara  o estudo das descobertas, para Chaunu o que fez a expansão europeia ser conhecida como tal foi um conjunto de nível de trocas  e das comunicaçãoes que proporcionaram no futuro o surgimento da revolução industrial, pois as trocas fez com que os homens busca-se motivos para superar os desafios impostos pela geografia
Portanto  ajudou a escrever nos séculos XIX  e XX a historiografia nacional de certos países europeus e que aos poucos foram rompendo-se por outros olhos e perspectivas unindo-se a geografia para formar uma historiografia saindo de uma visão apenas formada por historiadores nacionais que formataram uma visão historiográfica eurocêntrica no século XIX graças ao positivismo, mas que no século XX busca para aos poucos ver esta expansão de um todo do globo composto por outras regiões que não tiveram o mesmo sucesso como sendo um fracasso dos outros voltando a enfatizar nesta historiografia a visão eurocêntrica do sucesso pelo motivo da motivação entre outros fatores.

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Bernado Ricupero fala em seu texto sobre a construção do Estado e da nação utilizando fomentando ao longo do texto as correntes como Marxismo, liberalismo e conservadorismo cada qual pensava de um modo sobre a construção a ideia de Nação ela utiliza ainda fragmentos sobre  definição de nação de Benedic Anderson, também utiliza de Èmile Durkhein para esta a ideia de nação esta muito próxima a uma religião sendo que para Durkein que assim como a religião foi uma das principais formas encontradas em sociedades tradicionais para estabelecer identidades, o nacionalismo pode assumir papel semelhante  em sociedade modernas.
Ricupero ainda voga ao capitalismo como sendo esta uma forma complementar a nação como forma de identificar seus membros.
A ideia de nação moderna foi sendo construída desde de o fim da idade media com a chegada dos pensadores que foram formulando através de revoluções e a formação de novos estados fortes na Europa a ideia de nacionalismo, a principio estaria os franceses, ingleses e norte americanos ligados por estarem pertencendo a nação estaria, assim primordialmente no domínio da política.
Contudo a concepção de nação tem muito haver com o momento histórico que surgiram cada sociedade França e Alemanha rivalizaram a construção dessa ideia nacionalista cada um tinha uma concepção da criação da nação.
Para a construção da nação moderna foi necessário a organização de uma estrutura capaz de estar ligada a educação e a cultura erudita  um exemplo seria os imigrantes que chegaram aos Estados Unidos  e foram sendo homogeneizados pelos ensino que tinha uma cultura cívica muito forte, um exemplo simples era o juramento diário a bandeira as escolas e introduzindo nas escolas disciplinas valorizando o nacionalismo como história, geografia e literatura, onde a educação foi mais forte e que teve acesso a uma homogeneização.
A historiografia de Benedict e Hobsbawm abrem novos caminhos para entender o nacionalismo principalmente a existência de desmascarar o caráter fabricado da nação para estes ambos tinham em comum a construção ideológica que o nacionalismo pregava.
Para Anderson a imprensa teve grande significado na formação da industria editorial e do capitalismo editorial, com a formação de um imprensa através da invenção da tipografia e a criação das línguas vernáculas tornando corrente dominantes na Europa abrindo caminho para outras línguas alem do latim.
A escrita era para poucos enquanto o analfabetismo predominava na maior parte da Europa a língua que para os nacionalista e de fundamental importância estaria assim longe de ser nacional, pois poucos sabiam utilizar. Ou seja, em poucas palavras que a identidade nacional para Ricupero é uma construção política e cultural que não possui realidade objetiva fixa  ou seja as relação sociais acontecem em um espaço onde homem e mulheres pensam a respeito  e assim podem acreditar que estão unidos numa mesma  nação.
Na America ibero assim como a africana e asiática foram criadas uma nação artificial surgem da divisão administrativa  dos impérios  espanhol e português a independência estava associado a política não a vontade do povo mas a grupos políticos de uma pequena elite que buscava satisfazer seus interesses, o conceito de nação e a construção dessa no caso do Brasil tornar-se possível apenas no Futuro ou seja após a independência então a ideia de conscientização política desses indivíduos para a construção da nação vem diretamente de suas ex metrópoles sendo fundamentadas a partir da dupla revolução.
Portanto a ligação e construção do Estado e da política nacional fazem parte da historiografia  onde autores como Hobsbawm, Anderson e outros argumentam sobre a criação  do estado da política nacional em beneficio de uma elite.

Michel de Focoult que estuda filosofia e forma-se em psicologia em 1951, passa a ministrar aulas de psicologia na Escola Normal Superior e, entre seus alunos, estão Derrida e Paul Veyne, entre outros. Ainda neste ano ele adquire uma experiência fundamental no Hospital Psiquiátrico de Saint-Anne, que irá repercutir posteriormente em seus escritos sobre a loucura.
O filósofo começa a seguir as trilhas do Seminário de Jacques Lacan, e neste mesmo período aproxima-se de Nietzsche, através de Maurice Blanchot e Georges Bataille. No campo psicológico, ele conclui seus estudos em Psicologia Experimental, estudando Janet, Piaget, Lacan e Freud. De 1970 a 1984, Michel ocupa o cargo de Professor de História dos Sistemas de Pensamento no Collége de France, no qual ele toma posse com uma aula que se torna famosa sob o título de “Ordem do Discurso”.
Vemos que todas as historiografias estamos abordando a figura do intelectual e pesquisador  que produz o texto para uma camada de intelectuais e uma elite,  Michel de Foucault em seu discurso vem dissertar sobre a construção  desse saber o discurso e de extrema importância para Foucault na construção desse saber, o discurso, sendo para ele  não é apenas aquilo que se luta, mas também o que podemos apoderar.
Para Foucault o discurso esta imposto em toda a sociedade sendo controlado, selecionado e organizado  e redistribuída por certo numero de procedimentos  que tem por função conjurar seus poderes e dominar os acontecimentos aleatórios, sendo o discurso aquilo por algo que queremos nos apoderar.
Foucalt vê no discurso um fato histórico, mas que também não pode ser somente soberano, para ele toda fala é um dialogo de convencimento. No discurso segundo Foucalt não se pode olhar apenas nele como verdade, sendo que seu conhecimento é apenas parcial e que esta ligada a desconstrução de algo para a construção de um novo.
O discurso também para Foucault também esta cheio de significados e símbolos nos quais algumas pessoas têm o domínio e outras não, sendo que na sociedade existe um discurso para cada grupo social e para cada  área intelectual é através desse que o intelectual se coloca superior por sua formação e oratória.

Portanto vemos que a historiografia esta ligada a produção de pessoas que estavam e estão ligada a história do seu tempo presente que busca por meio de suas interpretações a visão de um passado buscando por meio dos códigos e fontes bibliográficas a formação de uma historiografia de acordo com aquela instituição ou estado ou grupo político, religioso e de acordo com sua ideologia particular usando sempre a busca de métodos para a produção históricas.
As fontes  como também as correntes historiográficas e a personalidade do historiador influência para a busca do conhecimento histórico mas que a fatos notórios que devem ser sempre abordados e que são óbvios e não serão refutados mas apenas revistos de formas e pontos de vista diferentes. Sabendo que este conhecimento é usado  como forma de discurso para o convencimento de certos setores da sociedade.
De forma geral a historiografia tem uma relevância primordial na formação da história e seus conceitos e de fundamental importância que esta seja sempre revistas e pesquisadas por futuros historiadores para estar de forma geral aperfeiçoado a ciência em busca da pesquisa que tem como intuído contribuir para a história e também para a formação de uma fonte reflexiva e critica dos fatos e para a contribuição do conhecimento.













Bibliografia

FUNARI, Pedro; GLAYDSON, José da Silva. Teoria da História. São Paulo: Brasiliense, 2008.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.

FURET, François. A oficina da história. Lisboa: Gradiva, 1980. Capítulo: Da história-narrativa à história problema

RICUPERO, Bernardo. O Romantismo e a Ideia de Não no Brasil (1830-1870). São Paulo: Martins Fontes, 2004. 

ANDERSON, Benedict. Comunidades Imaginadas: reflexões sobre as origens do nacionalismo. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.