Redes Sociais

Anuncio

Celular

Operação Salva Semestre

Celular

Quanta Gente.

Pesquisar neste blog

sábado, 28 de dezembro de 2013

1890 – 1914 – NO TEMPO DAS CERTEZAS





                                                                                                                       
 Por: Bruno Ferreira


            Certamente falar do  final do século XIX é discutir um período de mudanças e grandes transformações conhecido como o século das luzes esse período e marcado por uma atmosfera de novidades e luxo, com as novidades como viagens aéreas e locomotivas esses diminuíam as distancias entre cidades e países viam nascer um novo mundo.
            Além de aparecer novas ideologias políticas criando um mundo que iria mudar ainda mais no breve século XX, o século  XIX foi conhecido além das transformações política, econômicas, tecnológicas foi apelidado de “século das Luzes” além de ter todas essas transformações tecnológicas uma chama a atenção a “eletricidade” e a invenção da lâmpada elétrica essa iluminou um novo mundo que nascia.
           A utopia maior do século XIX era fazer o homem voar ate que ele conseguiu com a ajuda de um brasileiro que foi Santos Dumont, as invenções iluminavam a rapidez do mundo e da vida moderna e fazia nascer novos tempos, com a força de novidades e consumo o capitalismo se consolida no século XIX como forma econômica predominante.
           Essa crescente do capitalismo e de tecnologias levou a crescente industrialização e também a busca por matérias primas para essa produção que não parava, vemos nascer  o crescente fenômeno chamado de neocolonialismo ou imperialismo, onde as potencias capitalistas e industriais buscavam matérias primas em colônias espalhadas pela Ásia e África dividindo territórios ao meio por interesses econômicos.
          Com a morte da rainha vitoria da Inglaterra vai chegando ao fim a hegemonia absoluta da senhora dos mares, dando espaço a nova potencia os Estados Unidos, criando uma nova atmosfera no globo.
           Sociedades históricas como indiana e chinesa foram sendo reprimidas, mas sempre com muita luta entre essas, vemos nascer uma sociedade de contraste perante o anuncio da modernidade como por foi a invenção da dinamite por um pacifista assumido “Alfred Nobel” deixando seus bens para pessoas que promove-se as ciências em varias áreas.
          Vemos o surgimento de um grande teatro onde as ideias da tendência belle epoque entoava no mundo europeu, o mundo de um modo geral abrigava 1,5 bilhões de pessoas toda essa influencia e estilo estava presente na arquitetura e na burguesia, vai criando-se também novas concepções de arte como o impressionismo, realismo e vai aparecendo grandes artistas como Picasso, Monet e Cezanne que marca  o inicio do modernismo nas artes plástica.
              O século XIX estava para se apagar e com ele alguns ícones do seu tempo como o compositor Giuseppe Verdi com suas belas Operas que exalta a nação Italiana, outro como também Nietzsche que morria em 1900, este que defendia a ideia de que Deus estava morto.
             Também morria Oscar Wilde, Eça de Queiroz entre outros nomes que contribuíram para o século das luzes, a grande utopia do século XIX foi à utopia das certezas nas ciências nas teorias e determinadas que traziam certezas e duvidas. O Brasil queira também participar dessa modernidade que pretendia acompanhar.

O Brasil Como Cartão Postal

          Em um período de depressão econômica nas finanças dos países da Europa e a expansão dos Estados Unidos  criou um ótimos e confiança na economia que ganhava cultura e costumes.
           Esse período vai de 1890 ate a primeira guerra mundial, onde a certeza de prosperidade parece ter sido limitada pela atmosfera dos sonhos que ficavam limitados o Rio representava de certo modo o surto que ocorria no mundo, trazendo sensação de que o pais estava em harmonia. O Brasil passava por transformações na política onde sai de uma monarquia que durava décadas para uma republica que representava o progresso e a modernidade criando novos símbolos e signos para esta nascente republica que levava como símbolo dessa época o aviador e inventor Santos Dumont.
         O Brasil sonhava com a modernidade  e  estar entre as nações mais modernas do mundo, para isto trouxe esse novo conceito  expresso nas avenidas do Rio de Janeiro, criando também um novo projeto urbanístico para a cidade, trouxe com esse novo conceito a luminosidade, tudo isto aconteceu em meio a política do “bota abaixo” onde pensões e casarões eram derrubados dando espaço a novos prédios criando a ideia de um pais civilizado, com o presidente Rodrigues Alves o Rio iria tornar-se uma vitrine para a captação dos interesses estrangeiros, dividiu-se a modernização entre Lauro Muller que cuidaria  da busca por interesses estrangeiros, Oswaldo Cruz cuidaria do saneamento básico e Pereira Passos cuidaria da reforma urbana.
           Com toda essa transformações  veio nascer revoltas Messiânicas como Contestado e Canudos e também como a Revolta da Vacina.
          Vemos surgir duas faces de contradições onde o modernismo e o progresso da época era contraponto de um autoritarismo de medidas disciplinares.
         Não apenas Rio como São Paulo a partir de 1870 começa  a  passar por um processo de mudanças socioeconômicas e urbanísticas com a prosperidade da lavoura cadeira muitos dos barões do café vão para São Paulo construir seus casarões criando nessa cidade uma espécie de entreposto comercial e financeiro privilegiados para as relações que surgiram entre a lavoura cafeeira paulista e o capital internacionais.
            O novo governador passa a transformar o espaço urbano de são Paulo com novas ruas e a criação de Jardins públicos preparando a cidade para a entrada de capitais, e de fato o governador João Theodoro mudou a capital paulista, criando nela meios de receber estradas de ferro que ligava o interior passando por São Paulo e ligando a Santos, criando diversos ramais de ligação no Estado, novas ideias como a mecanização do cultivo havendo pros e contras, sendo que o desemprego seria certo.
         A partir de 1880 alguns fazendeiros haviam feito o uso de maquinas para o beneficiamento do café, fabricantes locais ou estrangeiros introduziam o uso de maquinas, com tanta demanda para o café foi necessário uma base técnico cientifica para o desenvolvimento de novas técnicas agrícolas como a construção de escolas e institutos destinados a isso.
          Vemos que São Paulo passa por um processo de incremento e desenvolvimento da cidade de São Paulo trazido e gerado pela riqueza do café, criando prédios e escolas, faculdades, museus o surgimento de tecnologias da comunicação como telegrama.
         A cidade cresce embeleza e bem na virada do século esta como um canteiro de Obras vão sendo remodelos e transformados constantemente dando espaço a novas ideias de arquitetura, com ares de Europa, com a vinda de luz em bondes, um marco para o progresso foi em 1901 a inauguração da estação da Luz toda em estilo inglês replica da estação de Sydney.
         O café e o progresso e a urbanização de são Paulo trazia a esperança de mais e mais progresso e de bom futuro, o mercado internacional necessitava do café e as terras roxas do estado de são Paulo era capaz de abastecer a crescente demanda, fez nascer a crescente demanda de imigrantes para trabalhar nas fazendas estimuladas pelo governo, esses eram franceses, alemães, sírios, libaneses, Russos e outros São Paulo ouvia mais de uma língua.
       Surgia com o café uma crescente industrialização da cidade com fabricas em menos de 20 anos as fábricas multiplicavam rapidamente o perfil desse operariado era de imigrantes muitos trazendo na bagagem experiência de trabalho alem de ideias socialistas e anarquistas que iriam se propagarem nas primeiras décadas do século XX, os negros eram minorias em fabricas e faziam pequenas biscates, todas essas relações sociais levaram a mudança de comportamento da população local, a sociedade tradicional descobre os hábitos sociais no entanto são evidentes os limites da urbanização  paulistana, com toda essa vinda de capitais e tecnologias surge também a necessidade de embelezamento da cidade, por outro lado a falta de sensibilidade com as camadas mais pobres faz surgir as favelas, outras capitais do Brasil passaram pelo mesmo processo, como foi o caso de Belo Horizonte.
        Portanto de forma geral o Brasil passou a fazer parte dessa modernidade com a venda do café que gerou o enriquecimento do Estado de São Paulo, cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte entre outras passaram de cidades mal planejadas para um processo de expansão no caso de Belo Horizonte esta foi planejada para ser a capital de Minas, vemos que por onde passou essa mudança da estrutura urbanística o impacto social foi grande gerando milhares de pessoas as margens da sociedade e excluídas de uma era de modernidade que se espalhara pelo mundo.
        

         Bibliografia.

COSTA, Angela M. da SHIWARCZ, LILIAM, 1890 – 1914: No Tempo das Certezas S.P. Companhia das Letras, 2000.

Resenha: TUDO QUE É SOLIDO DESMANCHA NO AR AVENTURAS DA MODERNIDADE.



 

Por: Bruno Ferreira

A Modernidade foi um processo que foi sendo criado ao longo dos últimos dois séculos,  com o avanço do sistema econômico conhecido como capitalismo este  passou por vários processos ate chegar aos séculos XIX, XX trazendo a ideia de modernidade que traz consigo avanços tecnológicos e problemas sociais.
A modernidade pode definir – se como o conjunto de experiências que envolvem o tempo e o espaço, essa modernidade traz a quebra de paradigmas de espaço como fronteiras nacionais, raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideológica chegando a uma conclusão de essa quebra de espaço foi fundamental para a união humana.
Porém essa união tem seus opostos, sendo que vivemos num amontoado de mudanças e contradições sendo utilizadom para isso a famosa frase de Marx que define essa ideia “tudo o que é sólido desmancha no ar”.
Ao longo dos últimos 500 anos este sistema capitalista produziu uma gama de modernidade, criando um turbilhão da vida moderna sendo alimentado por uma produção cientifica e física criando novas paisagens e ambientes, gerando no seio dessa sociedade  mudanças continuas de luta de classes, podemos dizer que essa mudança e aliada com um crescente aumento demográfico que é um produto de uma sociedade de abundancia, esta  criou um sistema para o controle das massas, manipulando as pessoas, um mercado capitalista mundial cheio de mudanças.
A modernidade foi ocorrendo em em etapas na primeira fase ocorre do século XVI até o fim do século XVIII, essa etapa as pessoas não tinham ideia de que seria isso.
A segunda etapa faz parte de uma onde revolucionaria de 1790 com a famosa revolução francesa, uma era de revoluções em níveis sociais e políticas vemos a crescente modernidade próxima com uma religiosidade do século XIX e uma dicotomia que cresce a partir daí.
No Século XX a ultima fase abrange o mundo todo de forma virtual e cultural do modernismo atingindo um auge de modernidade e pensamento nunca visto antes.
Antes das revoluções francesa e americana uma pessoa que falou a respeito da modernidade foi – Jacques Rousseau ele usa a palavra modernidade no século XIX e XX, Rousseau fala a respeito da democracia e modernidade.
Se olhamos para a construção da modernidade vemos que o que mais se transformou no século XIX foi a paisagem está que foi modificada através de uma dinâmica, surgindo a partir da concepção de  maquinas, engenhos a vapor, fabricas, ferrovias, amplas novas zonas industrias; causando uma transformação do espaço urbano, criando grandes consequências para o homem.
Vemos com a modernidade o surgimento de meios de comunicação como jornais, diários, telégrafos, telefones e outros instrumentos de mídia, que vai se comunicando cada vez mais rápido, o aparecimento de estados Nações forte que fomenta o fortalecimento de indústrias que viraram conglomerados industriais que influenciam na vida humana além de tudo o globo foi ficando pequeno com tamanho avanço tecnológico e o tempo foi ficando cada vez menor.
O maquinário que Marx fala a respeito foi inventado para amenizar e aperfeiçoar o trabalho do homem, porém esse é usado ainda mais pra sobrecarrega-lo. Ao mesmo tempo em que o homem domina a natureza o homem passa a ser escravo de suas invenções.
Os homens de vanguarda foram desaparecendo para Marx esses foram virando operários viraram invenções do tempo moderno, tanto quanto o próprio maquinário.
A partir da construção dessa modernidade vai nascendo com essa o conceito de “novos homens” esses que são educados para ser absolvido por as contradições dessa modernidade, Marx através do seu manifesto vai dissertar sobre a construção das classes proletárias e da burguesia esta ultima que não vive sem revolucionar constantemente os meios de produção e com isso revoluciona sempre as relações sociais.
Criou  uma sociedade que baniu todas as tradições da antiguidade e as novas relações culturais antes mesmo de serem tradicionais foram banidas, isto pelo fato de o sistema estar sempre em mudança.
Tanto para Marx como para Nietzsche as correntes históricas eram irônicas e dialéticas a sociedade moderna tornou-se uma enorme ausência e vazio sem valores, mas, ao mesmo tempo, em meio a uma desconcertante abundância de possibilidades novas, criando sempre contrários constantes nessa sociedade moderna.
Após vermos as mudanças causadas por essa modernidade vemos nascer cada vez mais essa modernidade no século XX sendo este o período mais criativo e brilhante da humanidade surgindo diversos artistas e ideias novas. Vemos com isso que o pensamento que vem modificando cada vez mais rápido desde Marx e Nietzsche cresceu e desenvolveu.
Essa modernidade apesar de produzir tanto no século XX os pensadores deste século passou ver o futuro não tanto de forma entusiastas iguais àqueles do século XIX.
A primeira grande guerra do século XX fez aumentar o conceito de modernidade  e contribuir para o avanço tecnológico e o avanço desta foi enorme. Marx e Nietzsche  disseram que o sistema criado iria acabar com as estruturas tradicionais da sociedade, porem esses não sabiam o alto custo que o homem iria pagar pelo progresso, de levar esse avanço a um alto nível de autodestruição por meio de guerras.
Os futuristas pensavam em um futuro ainda mais moderno e rápido foram desenvolvendo a partir dos E.U.A o conceito de fabrica que foi espalhado pelo terceiro mundo assemelhando essa a um ser humano, onde os homens deviam ver a fabrica como um ser humano que deviam tomar esta instituição da modernidade como um conceito para a vida.
Max Weber critica em seu livro o A ética protestante e o espírito do capitalismo a sociedade que foi produzida e concebida  em um cárcere onde o homem esta determinado dentro de um mecanismo com uma força irresistível.
Outros pensadores como Marx, Nietzsche compreende que a tecnologia moderna condiciona o homem. Os homens foram sendo formados segundo fabricas sem coração em cárceres, nesse cárcere os homens são formados como raça de inúteis. Weber ainda critica a classe dominante, e diz que a política foi sendo governada por inúteis dessa sociedade que também e inútil.
Tanto Marx e Freud ficaram obsoletos perante a sociedade que surge o homem encontrou sua identidade não mais em conflitos e contradições mas sim em satisfazer sua auto realização em consumir maquinas e bens.
A partir dos anos 60 vemos surgir dois caminhos uma vanguarda  que estivesse fora da sociedade moderna os marginais sendo jogados a margem da sociedades, esse pensamento dos anos 60 trouxe uma nova visão da modernidade.
Esse pensamento fez dividir o modernismo em três  tendências como  sendo afirmativo, negativo e ausente, parece simples  porem o que vem apresentado hoje em dia tende a ser mais simples ainda.
Podemos dizer que o modernismo foi ramificando para as artes e novos pensamentos de ver o mundo moderno que nascia, através da literatura, escultura e pintura artistas que eram pensadores foram dando sua critica ao mundo moderno, era assim uma espécie de revolta perante o mundo que a modernidade havia criado, vemos esta critica clara na tela de Pablo Picasso conhecido como Guernica, com toda essa critica artística o modernismo continuou criando de uma forma ou de outra uma sedução para aqueles que defendem ou criticavam a modernidade, o mercado vendo isto traduziu toda essa critica em entretenimento e comercialização tecnológica.
Muitos artistas e pensadores aderiram ao estruturalismo riscando do mapa a velha visão da historia, um dos grande pensadores estruturalistas foi  Michel de Foucault sendo este obsecado por prisões e instituições fazendo uma critica a essa prisão que e a sociedade, escreve esse também sobre a sexualidade humana e o prazer, Foucault cria uma legião de seguidores vindos dos anos 60  para esta desesperança diante da sociedade.
A modernidade trouxe benefícios e malefícios alguns dizem que foram mais danos do que bônus, outros afirmam como o próprio Marx disse “ tudo esta impregnado do seu conteúdo”,  e  “tudo o que e solido desmancha no ar” e Nietzsche define “existe o perigo, a mãe da moralidade – grande período (...) deslocado sobre o individuo, sobre o mais próximo e mais querido, sobre a rua, sobre o filho de alguém, sobre o coração de alguém, sobre o mais profundo e secreto recesso do desejo e da vontade de alguém”
Portanto vemos que a sociedade foi evoluindo com a recente modernidade trazendo nas ultimas décadas do século XX uma força da qual ninguém escapa, com as experiências vividas temos que rever e ver o que erramos e tentar criar um modernismo no século XXI capaz de corrigir os erros do passado e preparar um mundo melhor.


Bibliografia

BERMAN, Marshall. Tudo que e solido desmancha no ar: a aventura da modernidade. SP: Companhia das letras, 1997.

Ensaio Histórico Literário da obra o Cortiço de Aluísio de Azevedo A crescente presença do Capitalismo em “ O Cortiço”




 



 Por: Bruno Ferreira

A presente obra narra a história de João Mourão, que sai em busca de riqueza na cidade do Rio de Janeiro onde se passa o enredo, vale ressaltar as mudanças que ocorreram na a sociedade brasileira naquele momento histórico e a busca que o personagem principal se debruça para alcançar a tão almejada riqueza. Para idealizar seus objetivos, o João encontra no cortiço um lugar para explorar a mão de obra a um preço baixo.
Vemos que o autor explora claramente uma sociedade em transformação, onde o modo de produção capitalista desenvolve-se cada vez mais, buscando sempre o aumento da mais-valia e do capital. É nitidamente perceptível na história a transição de uma sociedade tradicional para uma sociedade produtiva e ideias, no período que compreende o séc. XIX, mais conhecido como o século das luzes, uma época de plena expansão do sistema capitalista e aumento de consumo, levando o personagem do livro, João Mourão a preocupar-se com seu status social.
O plano de fundo que se passa a história, o sobrado do comerciante Miranda, homem bem-sucedido, entra em disputa com seu vizinho, João Mourão pela posse de um quintal.
            Os dois não entram em acordo e rompem relações, é quando João Mourão movido por inveja de seu vizinho, passa a trabalhar mais e mais para ficar mais rico que seu vizinho. O fragmento do livro contrasta a importância das metas que João perseguia:

João Romão não saia nunca a passeio, nem ia à missa aos domingos; tudo
que rendia a sua venda e mais a quitanda seguia direitinho para a caixa econômica e daí então para o banco. CAP I (AZEVEDO)

 Porém João fica decepcionado quando Miranda vira barão, ele percebe que não basta apenas ganhar dinheiro, mas possuir status e participar da sociedade burguesa, sendo assim, ler livros, ir aos teatros e participar da vida da elite social.
            Percebe-se que esse período na história foi marcado pelo surgimento de vários ricos ao redor do mundo. A riqueza dessas pessoas foram geradas das mais diversas maneiras, porém, eram hostilizados pela velha burguesia que possuía além de dinheiro o status quo mais refinado da época. João Mourão apesar de trabalhar para ficar rico percebe que seria hostilizado pela falta de requinte que não possuía para fazer parte de uma sociedade em constante mudança.
            João Mourão passa a imitar as conquistas do seu vizinho, transformando até o seu estabelecimento de um cortiço para se chamar Vila João Romão, percebe que o processo  constante de mudanças faz parte da dinâmica do capitalismo, ideia esta que está evidente na obra de Aluizio de Azevedo.
            A história chega ao fim quando João Mourão deixa de lado suas rusgas com Miranda e pede sua filha em casamento, mas sua amante Bertoleza atrapalha seus planos de casamento. Perante a situação João denúncia a amante como escrava fugida,  encarando a ascensão social de João como algo ruim, Bortoleza comete suicídio deixando o caminho livre para João se casar.
            Na obra o cortiço há vários outros personagens que se fazem presentes ao longo da narrativa, como os moradores de menor ambição financeira demonstrando claramente que  viviam uma vida mais simples e não queriam pertencer a sociedade capitalista como e o caso de Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade, um caso em particular é o de Rita baiana e o Português que mudam radicalmente sua postura diante dos problemas apresentados pela vida.
            Pode-se contextualizar que Aluízio de Azevedo descreve um cortiço que está presente em varias partes do Brasil no século XIX, demonstrando com clareza a influência dos cortiços do Rio de Janeiro, que foram derrubados para dar lugar a uma higienização social e urbana nesta cidade.
No começo do século passado quando o então presidente Rodrigues Alves quis demonstrar que o Brasil entraria numa era de prosperidade e modernidade, onde o velho estava sendo transformado e o Brasil estava saindo do atraso, tais influências norteadas nesse discurso foram geradas pelas mudanças que a burguesia almeja ao Rio de Janeiro. Nota-se que o capitalismo reproduzido pela burguesia é abordado na literatura como é o caso de Aluízio de Azevedo, que sem perceber, narra a história de um Brasil que busca sair do atraso e passar para o que se pregava moderno. A seguir, no trecho da obra, é visível as mudanças ocorridas no período.

O zunzum chegava ao seu apogeu. A fábrica de massas italianas, ali mesmo
da vizinhança, começou a trabalhar, engrossando o barulho com o seu arfar
monótono de máquina a vapor. As corridas até à venda reproduziam-se,
transformando-se num verminar constante de formigueiro assanhado. Agora, no lugar das bicas apinhavam-se latas de todos os feitios, sobressaindo as de
querosene com um braço de madeira em cima; sentia-se o trapejar da água caindo na folha. Cap II (AZEVEDO)

O autor ainda denúncia as péssimas condições de vida nos cortiços do final do século XIX, com pouca estrutura e casarões em péssimos estados; as divisões dos cômodos sendo feitas por lençóis ou compensados de madeira. A vida e os membros do cortiço, em péssimas condições, realidade esta, sempre abordadas a partir dos personagem habitantes do cortiço.
Portanto, vemos a crescente presença do capitalismo na vida do homem e no modo de viver da sociedade brasileira, como a vinda de fábricas para o Brasil, o aparecimento de cortiços demonstrando o descaso social e também as relações humanas que estão presentes na obra, como a prisão da amante de João Mourão, revelando-se um período de mudanças que só ocorreram por meio de um sistema econômico que vive em constante mudança, transformando não apenas a vida material mas as relações sociais, urbanas e econômicas.


Informações – “O Cortiço é um romance naturalista do escritor brasileiro Aluísio Azevedo publicado em 1890. que denuncia a exploração e as péssimas condições de vida dos moradores das estalagens ou dos cortiços cariocas do final do século XIX.”

Bibliografia