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terça-feira, 17 de março de 2015

Amor: da antiguidade aos dias atuais



Por: Edvaldo Batista de Sousa Filho

Para falarmos sobre o Amor, primeiramente temos que saber os seus diversos significados e a origem dessa palavra que reflete e caracteriza um sentimento que é tido como um dos mais belos da humanidade. Amor é um sentimento de carinho e demonstrações de afeto que se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de demonstrar. O amor motiva a necessidade de proteção e pode se manifestar de diferentes formas: amor familiar, amor físico, amor platônico, amor à vida etc. O amor físico, conhecido como “Eros” que por sua vez é o nome do deus do amor grego e no panteão romano é conhecido como cupido, é o amor entre casais e tem uma ligação de natureza sexual. O amor de família é: materno, paterno e fraternal, ou seja, entre irmãos. Existe também o amor platônico, este que vem a acepção contida em O Banquete de Platão, este é um amor se a aproximação sexual entre as pessoas. O amor platônico passou a ser entendido como um amor à distância, que se reveste de fantasias no imaginário do ser. O objeto do amor é o ser perfeito, detentor de todas as boas qualidades e sem nenhum tipo de defeito.
Vários estudiosos filósofos deram suas opiniões, baseadas em estudos e crença própria, sobre o amor. Platão, Sócrates e Aristóteles foram alguns desses. Segundo Platão, o amor é a busca da beleza, da elevação em todos os níveis, o que não exclui a dimensão do corpo.

PLATÃO concebia o amor por um belo corpo como o início de um longo caminho que termina no paraíso”.[1].

Embora tenha começado da realidade física, ou seja, amor físico, ele levará ao amor carnal. É comum confundir o amor platônico com o amor não correspondido ou desprovido de interesse sexual. Na realidade, o filósofo não exclui o amor carnal, porém o vê como um primeiro patamar que pode levar o indivíduo a outros patamares de maior importância. Antes os povos antigos tinham o amor que levaria ao sexo,  como uma força cósmica, que vinha a ser além da raça e do entendimento humano.

Antes de Platão os gregos tinham visto o amor como uma grande força humana e até cósmica, mas nenhum dos seus textos sobreviventes lhe atribui uma significação ética tão vasta[2].

 O ato sexual é um sacramento. Assim o compreendiam os povos antigos. Existiram povos dedicados ao culto do amor, o templo de Vênus em Roma é um dos grandes exemplos. O sexo, ou ato sexual era o sacramento daquele amor, o amor romântico, onde duas pessoas se tornariam uma só e desfrutariam daquele momento. Para praticar o ato sexual romântico, era necessário ter permissão para que ele acontecesse, como por exemplo, o casamento entre duas pessoas de sexos diferentes, ou seja, o casamento é apenas uma permissão para prática de atos sexuais entre pessoas. O sexo era, então, um sacramento. Para que esse sexo fosse tido como um sacramento ambos os corpos teriam que ser virgens, ou seja, que essas pessoas nunca tivessem praticado algo dessa natureza com qualquer outro indivíduo do sexo feminino.  O sexo era olhado com profundo respeito. A mulher era sagrada. Ninguém se atreveria a profanar a mulher sequer com o olhar. Como já disse, ela é o mais belo pensamento do criador feito carne, sangue e vida.
Existia também o amor homossexual. Ele se dava em dois tipos, o amor de um homem pelo seu mancebo, e o amor de um homem por outro homem. O mancebo não era um homem formado, e sim um homem em formação e que para essa formação ocorrer ele deveria aprender com um homem mais velho, ou seja, pegar a experiência desse homem, esta que era passada através do sémen. Um homem mais velho escolheria seu mancebo para que ele tivesse suas primeiras relações sexuais, onde ele seria iniciado sexualmente. O outro amor homossexual era de um homem formado por outro homem formado, este era abominável perante a sociedade da época.

A maior parte dos oradores dá por certo que apenas o amor homossexual entre um homem e um rapaz é conducente às aspirações mais nobres, como a busca de aprendizagem, a politica e as maneiras refinadas. Tal amor, aprendemos, pode dar início a uma amizade intelectual para toda a vida entre duas pessoas de natureza semelhante, em que o sexo será substituído por uma “gestão  da alma”, uma criatividade de grande alcance da qual podem se originar atos virtuosos, leis, poemas, feitos gloriosos e outros frutos mortais”.[3]

Ainda sobre isso Platão diz que:

O sexo com outro homem, contudo, tendia a ser unilateral: era aceitável que um homem mais velho, mais experiente, tivesse uma ligação erótica com um adolescente, cujo rosto ou genitais poderia acariciar; mas esperava-se que o jovem respondesse somente com philia, um afeto de amizade admirativa, não fisicamente. [...] Segundo a convenção erótica grega, a parte mais jovem ó devia se submeter aos avanços do homem mais velho após um período decente de resistência. E não deveria gostar do sexo que se seguiria” [4].

Com isso vemos que o amor sexual entre dois homens era realmente abominável, e mais ainda, pois o mancebo, que era o homem mais jovem, como não sabia dos prazeres e sensações sexuais, tinha que ser capaz de sustentar o seu pênis flácido mesmo em circunstâncias que isso parecia ser impossível. Este mancebo deveria ser sempre sorridente e se mostrar cada vez mais bonito, culto e intelectual, devido à experiência que era passada pelo seu homem mais velho, através das relações sexuais que eles praticavam com o intuito do mancebo adquirir experiência e virar um homem de fato.


Platão como foi discípulo de Sócrates foi um dos poucos relatos e relatadores sobre a história e sobre os pensamentos desse estudioso. Não seria diferente com o estudo do amor na antiguidade. Sócrates revelou as suas capacidades intelectuais através do diálogo, ao questionar qualquer pessoa de qualquer classe social do seu tempo, forçando eles a desenvolver a sua capacidade de pensar sobre alguma questão que essas pessoas pensam já conhecer e compreender, mas que na verdade até podem estar enganadas, ou no fim, sem encontrar qualquer resposta às perguntas que evoluem à medida que estas encontram resposta para as anteriores, geralmente levando-as à contradição. De início, Sócrates se interessou pelos ensinamentos dos filósofos da natureza. Sócrates pensava que existia algo mais digno para se estudar, algo mais difícil de compreender, a mente e os sentimentos do homem. Voltando para o assunto do amor, Platão fez-se uma pergunta que o próprio Sócrates já tinha feito várias vezes a muitas pessoas. “Por que o amor nos faz sentir “completos”?”. Ele propõe, para compreender isso, que o indivíduo entenda os vários tipos de amor, para posteriormente o indivíduo ter sua conclusão, mas nunca a resposta concreta.
Outro pensador e estudioso muito conhecido por saber e ter estudado diversas áreas do conhecimento humano e o ser humano é Aristóteles. Ele diz que o amor é o sentimento dos seres imperfeitos, ou seja, o amor é que tenta levar os outros indivíduos a perfeição. Aristóteles também afirma que as pessoas dão mais valor a todas as coisas conseguidas através de esforço, o que não seria diferente com o amor se, e que esse amor quando chegasse a tal estágio iria fazer com que as pessoas enxergassem de uma forma mais nítida, ou seja, de forma mais clara, da forma que elas realmente são.

O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, postos que a função do amor é levar o ser humano à perfeição”.    
(Aristóteles)

Esse conceito de amor que temos desde a antiguidade com o tempo só vem se aperfeiçoando. Além de todos esses pensamentos que foram trazidos por Sócrates, Platão e Aristóteles, temos o acréscimo de várias outras características que são decorrentes e observadas nos indivíduos que estão usufruindo do amor, ou seja, que está amando e sendo correspondido de maneira descente. O amor, no mundo moderno, envolve sempre emoções intensas, mesmo quando se manifesta de uma forma mais calma e equilibrada, nos momentos de generosidade, de afeto, ou até mesmo quando se sente saudade de um ente querido ou alguma paixão. De qualquer forma essa palavra possui inúmeros sentidos, tais como amizade, piedade, desejo, paixão, encanto, entre outros. O amor começou a ter tantos sentidos assim com o surgimento do romantismo, que começou a mostrar as diversas formas fantasiosas de observar as coisas, não como Aristóteles disse, pois ele afirmava que o amor mostrava-nos as coisas da forma que elas realmente são, e o amor romântico chegou para tentar quebrar essa tese que o filósofo propôs. O ideal do amor romântico começou na sociedade ocidental durante a Idade Média, surgindo pela primeira vez na literatura com o mito de Tristão e Isolda, depois nos poemas e nas canções de amor dos trovadores. Era conhecido como “amor cortês” e tinha por modelo o destemido cavaleiro que honrava uma bela dama e fazia dela a sua inspiração, o símbolo de toda a beleza e perfeição, o ideal que o incentivava a ser e ter em seus atos a nobreza. Na nossa época introduzimos o amor cortês nos casamentos e nos relacionamentos sexuais, mas ainda mantemos a crença medieval de que o amor verdadeiro tem de ser a adoração de um homem ou de uma mulher que representa para nós a imagem da perfeição.
O mito do amor romântico diz que para cada rapaz no mundo há uma mulher que foi feita para ele e vice-versa. Além disso, o mito implica que há um só homem destinado a uma mulher e uma só mulher para um homem e que isso foi predeterminado antes mesmo do seu nascimento, ou seja, o inicio da idealização de uma alma gêmea para cada pessoa no mundo, que as pessoas já nascem com seus pares certos e que com eles viveram até o resto de suas vidas, além de viverem “felizes para sempre”. O amor romântico diz que 1uando conhecemos a pessoa a quem fomos destinados, o reconhecimento vem através da paixão, ou seja, irão se apaixonar sem nenhuma causa ou explicação evidente. Encontramos a pessoa a quem os céus nos tinham destinado, e uma vez que a união é perfeita, seremos capazes de satisfazer as necessidades um do outro para sempre, e, portanto viver “felizes para sempre” em perfeita união e harmonia. Em caso de não satisfazermos ou não irmos de encontro a todas as necessidades um do outro surgem os atritos e a quebra desse encanto que é a paixão. Está claro que cometemos um erro terrível, não nos entendemos com o nosso único par perfeito, o que faz nós pensarmos que o amor não era amor real (verdadeiro), e não há nada a fazer quanto à situação a não ser viver infelizes para sempre longe ou perto de nossas “almas gêmeas”, afinal no amor romântico quem ama suporta a maior de todas as dores do mundo ao lado do seu grande predestinado, ao lado do seu amor verdadeiro. Temos assim o mito do amor romântico, que é uma terrível mentira. Esta é uma mentira necessária, pois a partir dela podemos assegurar a sobrevivência da espécie humana, por estimular a convivência com o outro até nos apaixonarmos, que posteriormente poderá nos levar ao casamento, que é nada mais que uma permissão para que se possa ocorrer a pratica do sexo, e a partir dela gerar novos seres mantendo assim a sobrevivência dos humanos.
Depois de passado esse amor romântico, que é popularmente chamado de “lua-de-mel”, e os casais reconhecem que a lua-de-mel “terminou”, e mesmo que já não estejam mais romanticamente apaixonados um pelo outro, eles ainda conseguem empenhar-se na sua relação, continuam a se apegar ao mito e tentam fazer com que as suas vidas se adaptem, vivendo assim o seu “felizes para sempre”. Estes casais que vivem nesse mito privilegiam o estar juntos e eles também aprendem que a verdadeira aceitação da sua própria individualidade e da do outro, é o único meio pelo qual se pode ter como base para um casamento adulto e fazer com que amor verdadeiro possa crescer.  Não foi apenas na Idade Média que esse ideal foi preservado, até o final da Idade Moderna esse ideal foi extremamente levado em conta, mas existiu uma revolução na “forma de amar” e de levar em consideração as regras pregadas pela sociedade sobre o amor, como por exemplo, o casamento. Isso ocorreu na transição da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Foi-se questionado a maneira do amor romântico e da tese que existem “almas gêmeas”, a instituição do casamento, como foi chamado, era extremamente machista, a ponto que as mulheres teriam menos direitos que o homem dentro dessa ligação e não igualdade como era proposto anteriormente. Constantemente sendo vítimas de traições por parte dos homens, as mulheres se sentiram extremamente atacadas. Elas fizeram a contestação e ainda sim tiveram ajuda de muitos homens. Esse movimento que mudou a forma de pensar de algumas pessoas e desenvolveu mais um “tipo de amor” foi chamado de Amor Livre.
O termo amor livre tem sido utilizado desde o século XIX para descrever o movimento social que rejeita o casamento e despreza estereótipos. Esse movimento acredita no amor sem posse, controle por parte de outras pessoas, ou seja, você manda em você mesmo e no seu corpo. O amor livre veio tomar mais força juntamente com a Revolução Industrial ocorrida na Inglaterra e posteriormente iria se tornar uma revolução de cunho anarquista, pois não aceitava interferências externas, como por exemplo, da Igreja e do Estado. Alguns defensores do amor livre consideravam que tanto os homens como as mulheres tinham direito ao prazer sexual, o que na era vitoriana era profundamente criticado e não aceito. A prática do amor livre é tida como promiscuidade, que as mulheres e homens que praticavam esse ato eram pessoas que não tinham nenhum objetivo de crescer na vida e construir uma família baseada no amor verdadeiro, gerando filhos e fazendo dela o seu núcleo, como diz a Dra. Kalina Silva em seu dicionário de conceitos históricos quando procuramos o conceito de família.

Atualmente, o conceito de família valorizado e difundido no mundo Ocidental é o de família nuclear, composta por pai, mãe e filhos. Isso não implica afirmar que, mesmo nesse ambiente cultural amplo, o comportamento de todos os membros das sociedades ditas modernas tenda para a composição de famílias nucleares.[5]

Os movimentos do amor livre lutaram mais fortemente contra as leis que impediam a vida em comum de um casal que não fosse casado, ou seja, uma união estável, bem como as que regulavam o adultério, o divórcio, a idade de consentimento, o controle de natalidade, a homossexualidade, o aborto e as leis sobre obscenidade, que limitavam o direito à discussão pública de assuntos relacionados à sexualidade. A revogação pelo casamento de alguns direitos civis, mesmo que parcialmente, foi também motivo de preocupação entre os defensores do amor livre, por exemplo, quando uma violação que ocorre num casamento é tratada de forma mais leve que uma violação que ocorre fora do mesmo. Mais na frente com o desenvolvimento das ciências sociais e medicinais o amor livre veio a se tornar algo mais radical. Esse desenvolvimento gerou uma revolução que ficou conhecida como Revolução Sexual. Essa revolução atingiu profundamente a perspectiva social e que desafiou arduamente os métodos da sociedade tradicional. Esse movimento se caracteriza por existir liberação sexual, isso incluí uma maior aceitação do sexo fora das relações heterossexuais e monogâmicas que são pregadas por tradicionalistas e pelo amor romântico, incluindo o casamento. O desenvolvimento da ciência fez-se existir métodos onde as mulheres não pudessem engravidar enquanto tomasse “pílula”, esse foi o inicio dos métodos contraceptivos, afinal todos queriam desfrutar do prazer que o sexo proporciona, mas não queriam que aquela relação gerasse frutos, pois caso isso ocorresse não seria aceito por parte de ambos. A nudez em público era proposta, a normalização e a aceitação da homossexualidade e outras formas alternativas de sexualidade perante a sociedade e a legalização do aborto foram fenômenos que começaram a ganhar força nas sociedades ocidentais. O aborto veio como alternativa caso os métodos contraceptivos não viessem a funcionar, devido à maturidade do desenvolvimento desses medicamentos. Um dos movimentos que mais defendiam esse amor livre era o movimento hippie. A Revolução Sexual também tomou força a partir de alguns estudos de Freud, que visava o psicológico de cada individuo perante determinada situação, nesse caso seria o ato sexual.
O Amor Livre foi o grande passo inicial para que a sociedade esteja na forma que é hoje. Essa prática fez-se gerar a indústria de filmes pornográficos que visava ter lucro a partir dessa revolução sexual. Apesar de ser ainda muito criticado por grande parte da sociedade contemporânea, o amor livre é a “forma de amor” mais recente. O Amor, em geral, é um sentimento único que apenas quem sente sabe descrever, seja ele amor romântico ou livre, o fator mais interessante é que nenhuma dessas formas de amar desapareceu com o decorrer do tempo, todas elas foram preservadas e ainda hoje são muito praticadas, tanto no oriente como no ocidente, o por mais curioso que seja o amor romântico ainda é o mais pregado e proposto nos dias atuais, e ele foi se mesclando juntamente com algumas características do amor livre, pois não é necessário casamento para amar, segundo o amor livre, e muitas pessoas vivem uma união estável nos dias atuais, que também é uma característica do amor livre, mas em contraposição os dois indivíduos que vivem nessa união estável pregam fidelidade, que é característica do amor romântico.



BIBLIOGRAFIA

SILVA & SILVA, Kalina Vanderlei e Maciel Henrique, “Dicionário de Conceitos Históricos”, Contexto, 2009, págs. 136 a 140 e 374 a 378.
MAY, Simon. “Amor: Uma história”, Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Caps. 3 a 7, págs. 58 a 159.
FISHER, Helen. “Porque Nós Amamos: a Natureza e a Química do Amor Romântico”. arquivo (pdf.) traduzido para o português.



[1] MAY, Simon. “Amor: Uma história”, Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Cap. 3, pág. 58
[2] MAY, Simon. “Amor: Uma história”, Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Cap. 3, págs. 58 e 59.

[3] MAY, Simon. “Amor: Uma história”, Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Cap. 3, pág. 61.

[4] MAY, Simon. “Amor: Uma história”, Rio de Janeiro: Zahar, 2012. Cap. 3, pág. 62
[5] SILVA & SILVA, Kalina Vanderlei e Maciel Henrique, “Dicionário de Conceitos Históricos”, Contexto, 2009, págs. 136 e 137.

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