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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O Brasil entre o Moderno e o Arcaico



A Semana da Arte Moderna

A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, tendo como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa. Esta nova forma de expressão não foi compreendida pela elite paulista, que era influenciada pelas formas estéticas européias mais conservadoras. O idealizador deste evento artístico e cultural foi o pintor Di Cavalcanti.
Em um período repleto de agitações, os intelectuais brasileiros se viram em um momento em que precisavam abandonar os valores estéticos antigos, ainda muito apreciados em nosso país, para dar lugar a um novo estilo completamente contrário, e do qual, não se sabia ao certo o rumo a ser seguido.
No Brasil, o descontentamento com o estilo anterior foi bem mais explorado no campo da literatura, com maior ênfase na poesia. Entre os escritores modernistas destacam-se: Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura, destacou-se Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época. Monteiro Lobato não poupou críticas à pintora, contudo, este episódio serviu como incentivo para a realização da Semana de Arte Moderna.
A Semana, na verdade, foi a explosão de idéias inovadoras que aboliam por completo a perfeição estética tão apreciada no século
XIX.   Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela platéia através de muitas vaias e gritos.
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas idéias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico.
Todo novo movimento artístico é uma ruptura com os padrões utilizados pelo anterior, isto vale para todas as formas de expressões, sejam elas através da pintura, literatura, escultura, poesia, etc. Ocorre que nem sempre o novo é bem aceito, isto foi bastante evidente no caso do Modernismo, que, a principio, chocou por fugir completamente da estética européia tradicional que influenciava os artistas brasileiros.

A Reação Republicana

Reação republicana é o nome pelo qual ficou conhecida a chapa de oposição apresentada, em 1921, por alguns estados - Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro e Distrito Federal - contra o candidato à presidência da República apoiado por Minas Gerais e São Paulo. Em março de 1922, seria escolhido o novo presidente da República, que substituiria o paraibano Epitácio Pessoa, no cargo desde 1919.
Seguindo a política do café-com-leite, as oligarquias de Minas e São Paulo lançaram o nome do governador mineiro, Arthur Bernardes, à sucessão presidencial. Insatisfeitos, alguns estados de importância secundária no cenário político-econômico da época
-  ou que buscavam mais espaço frente à hegemonia mineira e paulista - indicaram o então senador fluminense Nilo Peçanha para a
disputa contra a chapa situacionista. Estava formada, assim, a Reação republicana.

Versões para a dissidência

O movimento oposicionista de 1921 evidenciou, pela segunda vez, a crise política provocada pelo controle da máquina pública por parte das oligarquias de Minas Gerais e São Paulo. Ao mesmo tempo, canalizou as insatisfações provocadas pela relativa exclusão política a que estavam condenadas outras elites regionais.
A Reação republicana representou, de forma consistente, mais uma contestação à dinâmica político-eleitoral que dominava a República desde o final do século 19. Algumas versões tentam explicar o movimento de 1921 e estabelecer suas conexões com o quadro mais amplo da política do café-com-leite e da política dos governadores.
A primeira delas atribui a crise não à disputa pela sucessão presidencial em si, mas à indicação do vice na chapa encabeçada pelo candidato apoiado por Minas e São Paulo. Assim, não haveria maiores questionamentos quanto à preponderância desses estados, mas tão-somente no que dizia respeito à participação, ainda que secundária, das demais oligarquias no processo político.



Outra versão tenta associar o lançamento de Nilo Peçanha à presidência com os interesses de uma camada urbana em franco crescimento no Distrito Federal. Nesse caso, é ressaltado o aspecto populista do então candidato da oposição e a forma como ele se relacionava com sua base político-eleitoral.
Por fim, uma outra corrente de historiadores atribui a Reação republicana aos problemas da economia brasileira do início dos anos 1920. Muito além da insatisfação política, as oligarquias dissidentes, conforme essa versão, sentiam-se prejudicadas pela política econômica que, privilegiando a recuperação financeira do setor cafeeiro, afastava-se dos interesses mais imediatos daquelas forças regionais.

A campanha de Arthur Bernardes

O programa lançado pelo movimento oposicionista defendia: 1) maior independência do Legislativo em relação ao Executivo, o que significava uma crítica à política dos governadores; 2) o fortalecimento das Forças Armadas, o que acabou atraindo os militares para a campanha de Nilo Peçanha; e 3) políticas sociais para a população urbana, o que permitiu o avanço da candidatura oposicionista sobre esse segmento do eleitorado.
No caso dos militares, em particular, sua relação com Epitácio Pessoa vinha se deteriorando desde 1919, que o presidente, em várias ocasiões, nomeara civis para ocupar cargos militares - por exemplo, o Ministério da Guerra. Em 1920, o ex-presidente Hermes da Fonseca retornara do exterior. Seu prestígio junto às Forças Armadas fez com que seu nome fosse cogitado novamente para a sucessão de 1922.
Embora Nilo Peçanha tenha conseguido emplacar sua candidatura, em detrimento à de Hermes da Fonseca, os militares não apoiaram o candidato da situação. Para isso também pesou bastante o episódio envolvendo supostas cartas que Arthur Bernardes teria escrito criticando os militares e, em particular, o marechal Hermes da Fonseca, eleito, em 1921, para presidir o Clube Militar. Mas tarde, descobriu-se que as cartas eram falsas.
A eleição transcorreu normalmente e, apesar da intensa radicalização política, a vitória do candidato situacionista confirmou-se. Em Pernambuco, eclodiram rebeliões populares contra o resultado das eleições no estado. O governo Epitácio Pessoa enviou tropas para reprimir as manifestações. Hermes da Fonseca envolveu-se no episódio ao manifestar-se contra o envio do Exército para acabar com as rebeliões.

Em seguida, como reposta, o governo decretou a imediata prisão do marechal e o fechamento do Clube Militar. A partir daí, desencadeou-se uma onda de insatisfações dentro das Forças Armadas que culminaria com a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. Apesar da vitória e da posse, no final de 1922, Arthur Bernardes conviveria com a constante tensão com os militares ao longo de todo o seu governo.

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