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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Abolição e Imigração



Abolição e imigração

A Abolição do Tráfico:
O fim da escravatura começou quando, em 1850, o parlamento aprovou a lei Eusébio de Queiroz que encerrou de vez o tráfico de escravos para o Brasil.
Desde 1808, que os ingleses não mais traficavam escravos para suas colônias. Em seguida, chegou a vez de eles pressionarem o governo brasileiro para que ele também acabasse com o tráfico. Mas por que os ingleses queriam tanto o fim do tráfico negreiro da África para o Brasil? Vários motivos podem ser apontados e nós já vimos alguns deles: o imperialismo inglês que naquela época estava fundando várias colônias na África e não queriam que a mão-de-obra africana fosse embora para o Brasil; eles acreditavam que com o fim da escravidão o trabalho aos poucos iria sendo substituído pelo trabalho livre, o que acarretaria a ampliação do mercado consumidor.
Em 1844 foi criada no Brasil, a Tarifa Alves Branco:maiores impostos alfandegários(isso tem relação com o processo de industrialização promovido por Mauá). Maiores taxas, menores importações. Os ingleses ficaram ofendidos com essa medida do governo brasileiro e deram o troco, criaram em 1845 o Bill Aberdeen, que era uma lei que determinava que agora os navios de guerra ingleses atacariam todos os barcos negreiros que encontrassem no meio do oceano. Ou seja o tráfico deveria acabar de um jeito ou de outro, afinal os ingleses eram donos da maior marinha do mundo. A ousadia dos ingleses foi tamanha que eles não hesitaram em trocar tiros com o forte Panaraguá(que fica no Paraná).
O Brasil não tinha interesse em perder o apoio de Londres e por causa disso criou em 1850 a Lei Eusébio de Queiroz.
Os fazendeiros brasileiros teriam que se contentar com os escravos que já existiam por aqui, com isso teve início o tráfico interprovincial: os escravos do Nordeste eram vendidos para as áreas cafeicultoras do Sudeste.
Mas a mão-de-obra escrava não era suficiente para abastecer as fazendas de café, só havia uma solução: trazer imigrantes!-Como você pôde perceber a escravidão estava com seus dias contados.

A emigração estrangeira:
Emigrantes não eram novidade no Brasil, desde o tempo de D. Pedro I, por sugestão de José Bonifácio, colonos alemães se instalaram no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a partir de 1870 chegaram também muitos italianos. Esses imigrantes italianos e alemães ganharam pedaços de terra e se tornaram pequenos e médios fazendeiros. No sul, foi a única área do Brasil em que ocorreu uma razoável distribuição de terras, o resultado é que ainda hoje essas áreas, mantêm um padrão de vida melhor que a média brasileira.
Parceria e Colonato: Trabalho sim, terra não.
Quando os primeiros imigrantes alemães e suíços foram empregados nas fazendas de café eles pareciam uma boa solução para resolver o problema da mão-de-obra. Porém, uma questão preocupava os fazendeiros brasileiros: em um país com tanta terra disponível como manter os trabalhadores livres no trabalho das fazendas? Eles poderiam abandonar o emprego para fazer o próprio sítio em terras inexploradas.
Inicialmente os fazendeiros adotaram o sistema de parceria. O fazendeiro cedia um pedaço de terra para o imigrante cuidar do café. Depois, dividiam os resultados líquidos da venda. O problema era que os parceiros já chegavam na fazenda devendo dinheiro para o fazendeiro: a passagem de navio, a comida (adquirida a preços bem altos no armazém da fazenda), o barracão onde moravam, as ferramentas, o aluguel das casas. Eles só não pagavam pelo ar que respiravam....
Na hora de receber os ganhos da venda de café os parceiros eram descontados. Além disso, o fazendeiro sempre vinha com uma série de contas esquisitas que sempre o beneficiava. No fim sobrava muito pouco para o imigrante, era quase como trabalhar de graça. Essa situação acabou gerando revolta em algumas fazendas. Tanto que o governo da Prússia passou a proibir a vinda de imigrantes alemães para o Brasil. Em 1860 o sistema de parceria já não era quase mais adotado.
Em 1871 o governo paulista chegou a conclusão que precisava financiar a vinda dos imigrantes(isso era um belo incentivo porque os trabalhadores não chegavam endividados com os fazendeiros). Folhetos eram distribuídos em vários idiomas e espalhados pela Europa: descreviam o Brasil como um paraíso. A propaganda deu certo e em 1885 entraram cerca de 5 mil italianos em São Paulo, três anos depois chegaram mais 80 mil. Agora havia um novo sistema de trabalho nas fazendas: o colonato.
Segundo esse sistema as famílias de imigrantes recebiam parte do cafezal para cuidar, uma das vantagens era que os pés de café eram de boa qualidade e de alta produtividade, ao contrário dos tempos da parceria. O pagamento vinha em duas partes: a primeira, uma quantidade anual, fixa, uma espécie de salário para cuidar do cafezal. Isso garantia que mesmo que a produção fosse destruída por praga, geada ou seca o trabalhador iria receber. A segunda parte era o pagamento pelo resultado da tarefa, ou seja pela quantidade de café colhido. Ao contrário da parceria onde havia divisão dos lucros(ou prejuízos), no colonato o fazendeiro pagava pelo café entregue pronto.
Além disso, o colonato garantia que o trabalhador tivesse outras fontes de sobrevivência. Ele poderia plantar alimentos ou criar porcos e galinhas para garantir a subsistência e uma pequena fonte de renda.
Abolição: defensores e opositores
Por volta de 1875, o café representava 61% do valor total das exportações brasileiras. Os cafezais do Vale do Paraíba apesar de apresentar sinais de esgotamento ainda sustentavam a riqueza dos seus proprietários e concentravam a maior parte dos escravos do país. Os cafeicultores do Rio de Janeiro, Minas Gerais e parte de São Paulo, grandes defensores da escravidão argumentavam que ela era um mal necessário e que seu fim traria a ruína econômica e a desordem do país.
No Norte e Nordeste a situação era outra. Com a queda das exportações do açúcar e do algodão, os fazendeiros venderam parte de seus escravos para o sudeste. Uma grande seca em 1877 e em 1880 agravou as dificuldades. Com poucos cativos, os fazendeiros do Norte e Nordeste acabaram por liberar seus escravos antes do governo imperial.A intensificação da campanha abolicionista levou os cafeicultores a aceitarem o fim gradual da escravidão e com indenização aos proprietários. Este foi o sentido da Lei do Ventre Livre de 1871. Ela estabelecia a liberdade aos filhos recém-nascidos de escravas, os quais ficariam com as mães até os oito anos; depois seu dono optava por liberta-lo(mediante indenização) ou podia utilizar seus serviços até os 21 anos. Na prática, a lei nada mudava, da mesma forma que a lei dos Sexagenários, de 1885, que libertava os escravos maiores de 65 anos, ela pouco significou, pois eram raros os escravos que chegavam a essa idade.
Os abolicionistas continuaram defendendo sua causa por meio de jornais, comícios, reuniões públicas, agremiações e livros. Entre seus principais expoentes estão José do Patrocínio, Luís Gama,Rui Barbosa, André Rebouças, Castro Alves e Joaquim Nabuco. Jovens abolicionistas de São Paulo organizavam fugas de escravos dando-lhes proteção e esconderijo seguro.
Em 1888 quando foi assinada a Lei Áurea que extinguia a escravidão só restavam 700 mil escravos no país, cerca de 4% de uma população total de 15 milhões de pessoas.
A abolição foi um dos principais fatores da queda da monarquia, sentindo-se prejudicados os cafeicultores escravistas se voltaram contra o governo imperial, que foi derrubado no ano seguinte.

Fonte: http://memoriarimacomhistoria.blogspot.com.br/2010/04/abolicao-e-imigracao.html

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