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quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Egito e Mesopotâmia


A civilização egípcia antiga desenvolveu-se no nordeste africano as margens do rio Nilo, como a região é formada por um deserto (Saara), o rio Nilo ganhou uma extrema importância para os egípcios. O rio era utilizado como via de transporte de mercadorias e pessoas. As águas do rio Nilo também eram utilizadas para beber, pescar e fertilizar as margens, nas épocas de cheias, favorecendo a agricultura.
Na região mais próxima ao mar Mediterrâneo, o rio Nilo forma um grande delta, cuja terras eram muito férteis. Essa região ficou conhecida como BAIXO EGITO. A partir da cidade de Mênfis na direção do sul, ficava o ALTO  EGITO cuja terras férteis constituíam uma estreita faixa ao longo do rio.
A sociedade estava dividida em várias camadas, sendo que o faraó era a autoridade máxima, chegando a ser considerado um deus na Terra. Os escravos também compunham a sociedade egípcia e, geralmente, eram pessoas capturadas em guerras. Trabalhavam muito e nada recebiam por seu trabalho, apenas água e comida.
A escrita também foi algo importante para este povo, pois permitiu a divulgação de idéias, comunicação e controle de impostos. Existiam duas formas principais de escrita: a demótica (mais simplificada) e a hieroglífica (mais complexa e formada por desenhos e símbolos).
A economia  era baseada principalmente na agricultura que era realizada, principalmente, nas margens férteis do rio Nilo. Os egípcios também praticavam o comércio de mercadorias e o artesanato.
A religião  era repleta de mitos e crenças interessantes. Acreditavam na existência de vários deuses (muitos deles com corpo formado por parte de ser humano e parte de animal sagrado) que interferiam na vida das pessoas. As oferendas e festas em homenagem aos deuses eram muito realizadas e tinham como objetivo agradar aos seres superiores, deixando-os felizes para que ajudassem nas guerras, colheitas e momentos da vida.  Cada cidade possuía deus protetor e templos religiosos em sua homenagem.
Como acreditavam na vida após a morte, mumificavam os cadáveres dos faraós colocando-os em pirâmides, com o objetivo de preservar o corpo.
Essa civilização  destacou-se muito nas áreas de ciências. Desenvolveram conhecimentos importantes na área da matemática, usados na construção de pirâmides e templos. Na matemática, os procedimentos de mumificação, proporcionaram importantes conhecimentos sobre o funcionamento do corpo humano.
Na arquitetura destacam-se a construção de templos, palácios e pirâmides. Estas construções eram financiadas e administradas pelo governo dos faraós. Grande parte delas eram erguidas com grandes blocos de pedra, utilizando mão-de-obra escrava. As pirâmides e a esfinge de Gizé são as construções mais conhecidas do Egito Antigo.

A Mesopotâmia abrigou as primeiras sociedades conhecidas e era localizada entre os rios Tigre e Eufrates.
Nessa região viveram vários povos como sumérios, babilônios, acádios e etc., esses povos adaptaram-se a esse lugar construindo diques e barragens para se defender das cheias dos rios.
Organizaram-se em aldeias onde havia a divisão do trabalho em grupos, essas aldeias deram origem as primeiras cidades, onde ainda era preservada a vida rural, misturando o espaço urbano com regiões de pastoreio.
Os mesopotâmicos eram politeístas e as decisões nessas cidades eram tomadas pelos grupos mais poderosos: os sacerdotes, o rei e sua corte.
Além das funções religiosas os sacerdotes também exerciam atividades econômicas, com as oferendas recebidas pelos fiéis acumularam rico patrimônio, e para controlar essas finanças começaram a desenvolver um sistema de escrita e numeração.
A escrita dos povos sumérios é a que possui a mais antiga datação, e os primeiros sinais dessa escrita era pictográfico, que consistiam em desenhos figurativos do objeto representado, mas que com o passar do tempo começaram a representar os sons da fala humana, e a registrar com estilete em forma de cunha na argila.
Na Mesopotâmia também se desenvolveram os primeiros “códigos de justiça” escritos, onde se destaca o de Hamurábi com 280 códigos, onde encontramos o principio do talião que diz que a pena não seria uma vingança arbitrária, mas proporcional à ofensa provocada pelo criminoso, essa pena podia ser revertida em uma recompensa econômica como gado, terra, armas e etc.

O Oriente Proximo e o Surgimento das Primeiras Cidades

Oriente Próximo e Primeiras cidades

Os problemas urbanos são desafios somente para os dias atuais? Qual a relação entre os homens com a natureza nas cidades, ontem e hoje? Como se deu a passagem do nomadismo para o sedentarismo, e a importância deste último estágio na formação das cidades? Qual o conceito de Civilização e de Estado? Onde e como surgiram as primeiras cidades?
Vamos tentar responder, sucintamente, estas questões neste artigo…
1. A sedentarização e a formação das cidades
Alguns historiadores dividem a Pré-história em apenas dois períodos: Paleolítico e Neolítico. Para estes, a formação das primeiras civilizações e, consequentemente, das primeiras cidades, marcam o final do Neolítico. Outros, no entanto, a dividem em três períodos: Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais. De qualquer forma, ao que parece, a maioria são de consenso de que a passagem do nomadismo para o sedentarismo ocorreu durante o Neolítico e, na sua fase final, entre 5000 a.C. e 4000 a.C., ocorreu o processo de fixação do homem no campo que motivou o desenvolvimento da agricultura e a consequente formação de aldeias, vilas e cidades.
As aldeias são pequenos aglomerados de casas, concentradas, normalmente, em espaço rural. Muitas destas aldeias se transformam em vilas – povoações de dimensões maiores que as aldeias – e, destas, surgem as primeiras cidades.
Nas cidades, enquanto alguns cidadãos cultivavam a terra, outros especializavam-se nos ofícios, utilizando técnicas de metalurgia (cobre, bronze e ferro), neste momento, já bastante desenvolvidas. Outros, ainda, detinham o poder governamental, cujos acontecimentos eram registrados por escrito. A escrita surge por volta de 4000 a.C.
Como afirma o historiador Tales Pinto
“a constituição das cidades na Antiguidade tinha por objetivo ser centro de comércio e ou também como fortificações de guerra contra inimigos. (…) De maior complexidade de atividades, foi necessário criar Estados para a defesa militar e a construção de grandes obras (de irrigação, templos, canais etc.), em um processo de formação das civilizações – termo relacionado aos povos que vivem em cidades.” [1]
Os fatores que determinam a existência de cidades são, entre outros, o desenvolvimento da agricultura, a venda dos excedentes agrícolas, a presença do Estado, incluindo um sistema de segurança, um poder político organizado, além de um sistema de escrita bem elaborado.
Queremos destacar dois exemplos de cidades antigas, Çatal Hüyük e Jericó:

=> Çatal Hüyük:

Uma das mais antigas cidades do mundo – Çatal Hüyük [2],
Descoberta em escavações feitas no centro-sul da Turquia, Çatal Hüyük:
  • suas casas eram de tijolos e construídas uma ao lado da outra, sem espaço para as ruas;
  • o acesso às casas era feito por aberturas nos telhados, e os habitantes andavam pela cidade caminhando sobre as casas;
  • os compartimentos das casas deviam ser escuros, recebendo luz apenas através das janelas colocadas na parte superior das paredes;
  • pequenas escadas levavam a aberturas no telhado, que serviam de acesso às casas;
  • a parte externa da cidade era um muro contínuo, sem nenhuma abertura, o que facilitava a defesa, pois seria difícil a qualquer invasor tomar a cidade. Para tanto, teria de retirar os habitantes de cada casa separadamente, enfrentando uma chuva de pedras e de flechas da casa ao lado. [3]

=> Jericó:

Esta cidade, mencionada na Bíblia como “Cidade das Palmeiras”, estava localizada a uns 27 quilômetros de Jerusalém, na Palestina e foi construída cerca de 9000 a.C. Era bem fortificada e dominava o vale do Jordão (na Palestina) e as passagens para as montanhas do oeste. Ela foi conquistada pelos hebreus na época de Josué. O Novo Testamento cita-a várias vezes e hoje, Jericó serve como atração turística a quem visita a Terra Santa.
2.  Civilização: a vida nas cidades
A palavra civilização está intimamente ligada ao conceito de “cidade”. Apesar de sua origem etnocêntrica europeia, a civilização “…numa perspectiva evolucionista é o estágio mais avançado de determinada sociedade humana, caracterizada basicamente pela sua fixação ao solo mediante construção de cidades, daí derivar do latim civita que designa cidade e civile (civil) o seu habitante.” [4]
 Veja o que diz Jaime Pinsky sobre este conceito:
Uma civilização, via de regra, implica uma organização política formal com regras estabelecidas para governantes (mesmo que autoritário se injustos e governados; implica projetos amplos que demandem trabalho conjunto e administração centralizada (como canais de irrigação, grandes templos, pirâmides, portos, etc.); implica a criação de um corpo de sustentação do poder (como a burocracia de funcionários públicos ligados ao poder central, militares, etc.); implica a incorporação das crenças por uma religião vinculada ao poder central, direta ou indiretamente (os sacerdotes egípcios, o templo de Jerusalém, etc.); implica uma produção artística que tenha sobrevivido ao tempo e ainda nos encante (o passado não existe em si, senão pelo fato de nós o reconstruirmos; implica a criação ou incorporação de um sistema de escrita (os incas não preenchem esse quesito, e nem por isso deixam de ser civilizados); implica, finalmente, mas não por último, a criação de cidades. De fato, sem cidades não há civilização. [5]
Pontuando, então, os fatores propostos por Jaime Pinsky para o conceito de civilização, temos: organização politica formal; projetos amplos de trabalho conjunto; burocracia estatal; religião vinculada ao poder central; produção artística; sistema de escrita; existência de cidades;
3.  Oriente Próximo / Crescente Fértil
As primeiras cidades foram construídas na região do Crescente Fértil. Çatal Hüyük (na Turquia) e Jericó (na Palestina), por exemplo, são cidades antigas que estão nesta região, também chamada de Oriente Próximo. O termo Crescente Fértil foi criado pelo arqueólogo James Henry Breasted, em 1906, por perceber o formato de uma lua crescente desta região e também por causa da presença de grandes rios que deixam o solo fértil.
Crescente Fértil [6]
A presença de rios era uma condição vantajosa à ocupação humana. Alguns rios como Tigre, Eufrates, Nilo e Jordão estão nesta região, e permitiam assim o pleno acesso à água potável, que também serve para a irrigação das lavouras locais, bem como para criação de gado.
O Crescente abrange as áreas da Mesopotâmia e do Levante (os territórios ou partes dos territórios da Palestina, Israel, Jordânia, Líbano, Síria e Chipre), delimitado ao sul pelo deserto da Síria e ao norte o Planalto da Anatólia.
Nas lições seguintes, veremos como a necessidade de controlar a água das enchentes, como é o caso dos rios Nilo, Tigre e Eufrates, por exemplo, levou à construção de grandes obras hidráulicas. As “condições favoráveis à agricultura requeriam uma necessidade constante de controle da água, situando-se aí um dos principais fatores do início das urbanizações. ”[7] 
Água: fonte de vida em perigo
Os rios desempenham papel fundamental no surgimento das primeiras civilizações. Além de serem utilizados para o transporte de pessoas e mercadorias, eles asseguravam a sobrevivência da população ao garantir o abastecimento de peixes e água potável. Na região da Mesopotâmia e do Nilo, no Egito, quando os rios transbordavam, as águas fertilizavam suas margens, proporcionando assim um solo ideal para a prática da agricultura.
As enchentes, porém, ao mesmo tempo em que deixavam o solo bom para o plantio, podiam provocar prejuízos, alagando casas e destruindo plantações. Diante desses problemas, a população teve de se organizar e construir coletivamente diques e canais para conter as inundações e irrigar as terras cultiváveis. Os sumérios, por exemplo, conseguiram transformar diversas regiões do deserto em áreas férteis desviando a água de alguns rios da Mesopotâmia, entre eles o Eufrates.
Passados muitos séculos, a água continua sendo essencial para a vida na Terra. Mas a água potável é um recurso natural finito. De toda a água existente no mundo, somente 2,5% são constituídos por água doce (os outros 97,5% são de água salgada, imprópria para o consumo). Desse percentual, apenas 0,3% correspondem a rios e lagos. O restante da água doce se encontra em lençóis freáticos, geleiras ou coberturas de neve permanente. Assim, de toda a água que existe no mundo, apenas uma pequena fração está disponível para o consumo humano. [8]
Resumindo:
– o processo de sedentarização teve início do Neolítico;
– o surgimento das cidades foi uma consequência do processo de sedentarização;
– o conceito de cidade está intimamente ligado ao conceito de civilização;
– desenvolvimento urbano, existência de grandes rios, presença do Estado e surgimento da escrita são os principais fatores que marcam uma civilização;
– as primeiras cidades surgiram na região do Crescente Fértil, ou Oriente Próximo;
– o desenvolvimento de diversas obras hidráulicas pelos povos desta região favoreceu o bom uso da água para uso doméstico, do rebanho e da agricultura…

–  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –  –
Notas:
  • [1]  PINTO, Tales. Evolução das cidades. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/historia/evolucao-das-cidades.htm>. Acesso de 20/03/2013.
  • [2]  Foto de Çatal Hüyük. Disponível em: <http://liceu1e.blogspot.com.br/2012/02/aldeias-e-primeiras-cidades-catal-huyuk.html>. Acesso em 19/03/2013.
  • [3]  PILETTI, Nelson & Claudino. História: EJA (Educação de Jovens e Adultos) – 3º Ciclo. São Paulo: Ática, 2003, p. 33 (Texto adaptado).
  • [4]  Civilização. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Civiliza%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em 20/03/2013.
  • [5]  PINKY, Jaime. As primeiras civilizações. São Paulo: Atual, 1994, p. 46.
  • [6]  Crescente Fértil. Disponível em <adaptados de: <http://www.infoescola.com/geografia/crescente-fertil>. Acesso em 21/03/2013.
  • [7]  Caderno do professor – História. Ensino Médio – 1ª série, Vol. 1. SEE-SP, 2009, p. 31.
  • [8]  AZEVEDO, Gislaine Campos & SERIACOPO, Reinaldo. História em movimento – Vol. 1. São Paulo: Ática: 2010, p. 38.

A Pré - História sul-americana, brasileira e regional


A organização temporal da América pré-histórica se conforma às mesmas datações estabelecidas do período Pré-Histórico. Por isso, as primeiras notícias sobre o continente americano se estabelecem no período do Paleolítico Inferior. Os vestígios encontrados nessa fase inicial são bastante rudimentares. Em geral, é documentada a ocorrência de pedras talhadas em uma e duas faces, e um utensílio semelhante a uma raspadeira.

Outros vestígios dessa mesma época são feitos a partir da ossada de animais extintos como mastodontes, bisões e camelídeos. Durante o Paleolítico Superior, datado entre dezessete e dezesseis mil anos atrás, temos algumas amostras de pontas de flecha e facas de pedra com um maior grau de elaboração. Por volta de 10000 e 9000 a.C., os objetos pontiagudos deram espaço para outros utensílios de aspecto mais arredondado.

Por volta de 8000 e 6000 a.C., as armas ganharam um acabamento em forma de pedúnculo, o que permitia maior eficiência na construção de armas. As populações já se encontravam estabelecidas ao longo de todo continente americano, buscavam diferentes processos de adaptação. A caça e a coleta eram os principais meios de sobrevivência dessas comunidades pré-históricas.

Com o fim do período Paleolítico, as primeiras técnicas de produção agrícola passaram a ser desenvolvidas nas Américas. Os primeiros vestígios de plantações foram encontrados em regiões do México, dos Andes e da América Central – entre 5000 e 4000 a.C.. O artesanato pré-histórico ganhou outros itens de cerâmica, artefatos de pedra e cestaria. No período de 3000 e 1500 a.C., os gêneros agrícolas eram essencialmente autóctones.

O milho, a abóbora, a batata, o cacau, mandioca e o girassol eram as mais importantes plantações cultivadas. Paralelamente, técnicas de plantio se sofisticaram com o desenvolvimento de técnicas de irrigação, fertilização e a construção de terraços escalonados. A domesticação de animais também se desenvolveu com a criação de alpacas e lhamas.

Nesse momento, observamos a fixação de diferentes civilizações por todo o continente. Na porção norte, noticiou-se a presença dos anasazi, mongollon e hohokan. Na América do Sul temos o surgimento das culturas andinas, com especial destaque aos incas, e dos povos caraíbas, guaranis e tupis. Foi nessa mesma época que as primeiras comunidades indígenas se desenvolveram no Brasil.
Dentro dos estudos arqueológicos desenvolvidos na América, o Brasilconcede uma significativa contribuição proveniente de seus diversos sítios arqueológicos. Entre os estados que apresentam antigos vestígios da presença humana podemos destacar primeiramente os estados do PiauíMinas Gerais e as regiões litorâneas do Centro-sul do país.
Em São Raimundo Nonato (PI), um grupo de arqueólogos liderados por Niède Guidon notificou a presença de facas, machados e fogueiras com cerca de 48 mil anos de existência. Entre as principais conclusões desses estudos, destaca-se a presença de comunidades coletivas que caçavam e utilizavam o fogo para protegerem-se e alimentarem-se.
Na região de Lagoa Santa (MG) é o local onde está registrado uma das mais notórias descobertas da arqueologia nacional. Foi ali que se achou o mais antigo fóssil das Américas. Trata-se do crânio feminino que existiu há cerca de 11.500 anos. Pesquisas desenvolvidas a partir desse fóssil (apelidado de Luzia) abriram portas para novas teorias sobre o processo de ocupação do continente. Os traços negróides de Luzia levantam a suspeita de uma onda migratória da Oceania, responsável pela ocupação do nosso continente.
Próxima das regiões de rio e no litoral do Brasil existe outro conjunto de vestígios pré-históricos. Nestes lugares, montes de conchas e esqueletos de peixe conferem a existência de comunidades inteiras que sobreviviam da pesca. Também conhecidos como povos sambaquis, essas populações foram usualmente detectadas no Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo. No ano de 2001, o mais antigo sambaqui brasileiro foi encontrado em Vale do Ribeira (SP).
Nas regiões do interior do Brasil também são encontrados riquíssimos sítios arqueológicos. Os chamados “cemitérios dos índios” são, na verdade, vestígios de antigas civilizações do território brasileiro. Ali encontramos grandes aldeias que realizavam sofisticados rituais funerários. Datados com cerca de mil anos, esses povos possuíam uma cultura bastante diferente da dos sambaquis.
Ainda na região amazônica, temos relato sobre um outro conjunto de povos pré-históricos. Designados como integrantes da civilização marajoara, esses povos deixaram interessantes vestígios materiais. Dotados de uma arte ceramista ricamente detalhada, os marajoaras faz parte dos mais complexos grupos humanos que viveram em terras brasileiras.
Com o passar dos anos, as civilizações ameríndias foram desenvolvendo-se em território nacional. Espalhados em diferentes tribos, os índios brasileiros integraram uma parte mais recente da História das populações nativas do Brasil. A partir do século XV, a chegada dos europeus transformou radicalmente a situação dos índios. A intolerância religiosa e cultural, a violência e as epidemias foram responsáveis pela dizimação dos povos indígenas no país.

Por Rainer Sousa
Graduado em História

SOUSA, Rainer Gonçalves. "Pré-História brasileira"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/prehistoria-brasileira.htm>. Acesso em 27 de outubro de 2016.

Problematizando a Pré-História


O conceito de Pré-História determina questões anteriores ao surgimento do homem na Terra. A idéia de Pré-História fundou-se em uma perspectiva onde alguns historiadores pensavam ser impossível estudar o passado de sociedades que não dominavam a escrita. Dessa maneira, tais estudos pré-históricos compreendiam esse recorte de espaço-temporal como o momento em que as sociedades deveriam desenvolver-se até alcançarem formas específicas de organização.

Dois grandes eventos que estabeleciam o fim da Pré-história, na visão desses historiadores, eram o desenvolvimento da escrita e a dominação das técnicas agrícolas. Fora disso, qualquer sociedade que ainda conservasse hábitos como o nomadismo ou utilização de outras formas de expressões estariam ainda “presos aos tempos pré-históricos”. De fato, esse tipo de concepção abandona um rico universo de costumes e hábitos que podem oferecer um olhar mais compreensivo a tal época.

O desenvolvimento de certos tipos de relação do homem com a natureza – durante a Pré-História – se difere em muito das formas por nós hoje concebidas. A submissão a certas imposições do meio natural e o uso diverso dos recursos oferecidos pelo meio estabeleciam uma relação muito mais integrada do homem com a natureza. Certas sociedades humanas, ao enxergarem o domínio da natureza como um sinal de “melhora” de suas condições de vida, acabou subjugando o planeta e outras sociedades aos seus próprios interesses.

A partir de então, algumas civilizações adotaram a dominação e a exploração da natureza como os pilares daquilo que o historiador Alfredo Bosi chama de “religião do progresso”. Nos séculos XV e XIX, a dominação das nações européias sobre os povos americanos e afro-asiáticos – motivadora do olhar preconceituoso em relação aos negros, índios e orientais – se justifica na substituição do “atraso” pelo “progresso”. Dessa maneira, vemos que o que está em jogo é muito mais que o simples alcance de formas mais práticas e confortáveis de vida.

Os atuais problemas ambientais envolvendo a elevação das temperaturas do planeta e o dilema sobre a futura escassez de água potável são alguns pontos em que observamos as falhas de boa parte dos costumes das civilizações contemporâneas. Hoje, não podemos querer viver de forma pré-histórica ou abolir radicalmente os costumes da nossa sociedade. O grande desafio é repensar nossa vindoura relação com o planeta e assim, talvez, traçarmos outro olhar sobre o tal “atraso” dos povos pré-históricos.

Fonte http://brasilescola.uol.com.br/historia/prehistoria-na-historia.htm

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

O Neoliberalismo no Brasil



No governo Collor, no início da década de 1990, os produtos importados passaram a invadir o mercado brasileiro, com a redução dos impostos de importação. A oferta de produtos cresceu e os preços de algumas mercadorias caíram ou se estabilizaram. Os efeitos iniciais destas medidas indicavam que o governo estava no caminho certo, ao debelar a inflação que havia atingido patamares elevados no final da década de 1980 e início da década de 1990, mas isso durou pouco tempo.

Ao mesmo tempo, o governo passou a incentivar os investimentos externos no Brasil mediante incentivos fiscais e privatização das empresas estatais. No entanto, estes investimentos chegaram um pouco mais tarde, dado o receio dos investidores frente à instabilidade econômica do país naquele momento.

O processo acelerado de abertura econômica, mais intenso no 
governo Fernando Henrique Cardoso, fez com que muitas empresas não conseguissem se adaptar às novas regras de mercado, levando-as à falência ou a vender seu patrimônio. Muitas multinacionais compraram essas empresas nacionais ou associaram-se a elas. Em apenas uma década as multinacionais mais que dobraram sua participação na economia brasileira.

O governo 
Lula não mudou a orientação da política econômica do governo que o antecedeu. 

O processo de privatização

Nem todos países incorporaram plenamente as idéias neoliberais. A China e a Índia, por exemplo, países que têm obtido grande sucesso econômico nas últimas décadas, adotaram uma abertura restrita e gradual. Nesses países, os investimentos produtivos das multinacionais foram realizados em associações com empresas nacionais. Mas não foi este o caminho seguido pelo Brasil.

Aqui, a concessão para exploração do sistema de transportes, o fim da proibição da participação estrangeira nos setores de comunicação e o fim do monopólio da Petrobrás para a exploração de petróleo e a privatização de setores estratégicos ligados à energia e à mineração, foram medidas adotadas pelo país em curto espaço de tempo.

O argumento favorável a essas políticas é de que as estatais eram improdutivas, davam prejuízo, estavam endividadas, eram cabides de emprego, um canal propício à corrupção e sobreviviam somente devido aos subsídios governamentais. Mas as principais empresas privatizadas, como são os casos da Companhia Vale do Rio Doce e da Companhia Siderúrgica Nacional, eram empresas lucrativas e competitivas.

Não são poucas as críticas sobre a venda do patrimônio público. Uma delas aponta ao fato de que o dinheiro arrecadado pelo Estado brasileiro, através da privatização, foi emprestado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Isto é, o governo financiou a juros baixos as empresas que ele próprio vendeu.

Os recursos captados com o processo de privatização deveriam servir para diminuir a dívida pública (toda as dívidas do setor público, incluindo governo (federal, estadual e municipal) e empresas estatais, com empréstimos e emissões de títulos de dívida negociados a prazo e juros definidos). Mas seu objetivo foi inviabilizado em pouco tempo. A política de juros altos para conter a inflação e atrair investimentos externos levou a uma elevação da dívida em valores superiores aos conseguidos com a venda das empresas estatais.


Fonte: http://blogderecuperacaohistoria.blogspot.com.br/search?q=O+neoliberalismo+no+Brasil


A Questão Agraria na Nova República



Reforma Agrária não é mera redistribuição de terras. Trata-se de um processo amplo de mudanças que passa pelo campo político, social, técnico e econômico.

Essencialmente visa a transferir a propriedade da terra de minorias latifundiárias para pequenos agricultores e trabalhadores agrícolas, objetivando o alcance de uma igualdade social maior, de melhor distribuição.

Com a abolição da escravatura, a República, que sucedeu à monarquia, procurou substituir os escravos por colonos europeus, especialmente onde se dava a expansão de culturas de exportação, como a do café. Restava aos negros e mulatos trabalhar em sistema de parceria (em que o pequeno produtor pagava a renda da terra com grande parte de sua produção agrícola ou em dinheiro), ou desenvolver culturas de subsistência para os grandes proprietários.

A enorme dimensão do território brasileiro, aliada à pequena concentração de população, contribuiu para o surgimento dos grandes latifúndios, que expandiam seus domínios forçando a venda das pequenas propriedades, ou mesmo expulsando seus donos do local onde viviam.

Nas áreas mais importantes, onde se cultivava produtos de exportação (café, açúcar, cacau), foram adotadas relações de trabalho, tornando o trabalhador em assalariado. Nas menos dinâmicas, de muita terra e pouca mão-de-obra, surgiram outras formas de relação (arrendamento de pequenos sítios, a parceria e a concessão de terras pela troca de produção).

A República retardou as medidas agrárias que vinham sendo defendidas por grupos políticos. Surgiam no país formas de exploração dos trabalhadores agrícolas (ex-escravos, na maioria).

Reações e primeiras mudanças  

As revoltas surgidas foram sempre destruídas com violência pelos governos ligados aos grupos dominantes. A revolução de 1930 contribuiu para a quebra do sistema dominante das oligarquias. Passaram a fazer parte das lutas políticas novas parcelas da população brasileira: a classe média e o operariado industrial urbano.
A Constituição de 1934 trazia avanços:
a) garantia a desapropriação por necessidade ou utilidade pública, mediante prévia e justa indenização;
b) determinava que o trabalho agrícola fosse regulamentado, procurando fixar o homem no campo;
c) previa a organização de colônias agrícolas;
d) consagrava o usucapião;
e) obrigava as empresas agrícolas, localizadas longe dos centros escolares, a manter escolas.
Não chegou, entretanto, a produzir efeitos. Foi substituída pela Constituição de 1937, mais conservadora, mais voltada para os problemas urbanos do que para os do setor agrário.

Após o término da Segunda Guerra Mundial, uma Assembléia Constituinte elaborou a nova Constituição (1946), que repetiu os dispositivos da Carta de 1934. Os representantes dos latifundiários na Constituinte permitiram a inclusão dos avanços anteriores, pois entendiam perfeitamente que, com a obrigatoriedade de indenização prévia em dinheiro, nos casos de indenização, a reforma agrária não teria êxito.

O impulso da industrialização, nos anos 50, revitalizou a economia mundial capitalista. No Brasil, a partir de 1955, abrem-se novas rodovias, implantam-se usinas hidrelétricas, indústrias de base (siderúrgica, petrolífera, automobilística). Cresce o processo de concentração de renda. Expandem-se, na área rural, as culturas comerciais, atingindo as terras ocupadas por pequenos produtores.

Com o surgimento das Ligas Camponesas e dos sindicatos rurais, o movimento dos camponeses se organiza como forma de luta legal. Crescem as manifestações favoráveis a implantação da reforma agrária, como forma de mudar o sistema de propriedade da terra. Radicalizam-se os movimentos, por meio de greves, invasões de propriedade não utilizadas, sendo a reforma exigida na “lei ou na marra”.

A gravidade da situação leva a sociedade a se preocupar mais com o problema e a discutí-lo. Em 1963, é lançado o Estatuto do Trabalhador Rural, que passa a garantir ao homem do campo o direito ao salário mínimo, a férias e repouso remunerados, ao aviso prévio e à indenização em caso de demissão. O Governo cria a Superintendência da Reforma Agrária (SUPRA). Os Estados Unidos pressionam as autoridades brasileiras para implantar uma reforma agrária, visando a amenizar a influência da Revolução Cubana na América Latina.

Multiplicavam-se as reivindicações sociais e firmava-se uma mentalidade de mudanças, com destaque para a reforma agrária. A Revolução de 1964 inicia um período autoritário, onde o movimento popular do campo é totalmente reprimido.

O primeiro governo militar, devido às condições do país e as pressões americanas, elaborou um projeto de reforma agrária moderado. Transformado na Lei nº 4.504, de 30 de novembro de 1964, nascia o Estatuto da Terra, criando dois órgãos: o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), para cuidar da reforma da estrutura fundiária, e o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrícola (INDA), voltado para o processo de colonização.

Esses órgãos sofreram forte pressão do setor latifundiário. Posteriormente foram unificados, surgindo o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), em 1970. Levantamentos iniciados pelo IBRA e depois pelo INCRA – 1967, 1972 e 1976 – demonstraram um domínio completo dos latifúndios no território brasileiro, que não eram cultivados intensamente, impedindo milhões de trabalhadores de terem acesso a terra e à produção. Os minifúndios, mesmo em maior número, ocupavam áreas pequenas e respondiam pelo grande volume da produção brasileira de alimentos. Tal constatação teve que ser abafada.

A iniciativa de utilizar terras devolutas (desocupadas), pertencentes à União e aos estados, numa política de colonização para os trabalhadores em terra de áreas críticas e de tensão social no meio rural, redundou no Programa de Integração Nacional (PIN), e justificaria a construção de grandes rodovias (Transamazônica, Perimetral Norte, Cuiabá-Santarém). O Governo lançou, ainda, projetos conservadores, como o PROTERRA(1971), em áreas do Nordeste, pelo qual o próprio latifundiário oferecia ao INCRA parte do seu latifúndio, recebendo indenização em dinheiro.

resultado da política agrária do regime militar acabou reforçando o poder do latifúndio tradicional e desenvolveu o latifúndio moderno, das grandes empresas nacionais e multinacionais. Projetos agrícolas, agroindustriais, agropecuários, financiados pelo Governo, transformaram-se em latifúndios enormes, apoderando-se de terras de posseiros e índios.

Com a ênfase dada à política de exportações, foi melhorado o sistema viário, com a construção de auto-estradas, ampliação de portos e modernização de ferrovias. Houve incentivo para o desenvolvimento da tecnologia agrícola importada, com crescimento  da produção de matérias-primas e de alimentos (açúcar, cacau, café, fumo).

Os sindicatos passaram a ser controlados pelo Ministério do Trabalho e a praticar uma política assistencialista.         

Com o fracasso do modelo econômico do governo militar, começaram a surgir greves nas áreas em que os agricultores eram mais bem organizados, e onde prevalecia o sistema de assalariamento. Muitos desses movimentos tiveram sucesso, mas nem sempre os proprietários respeitavam os direitos assegurados pela Justiça aos trabalhadores.

A Igreja Católica e outras instituições religiosas passaram a apoiar os trabalhadores rurais. Verifica-se no país o crescimento de uma conscientização maior de seus problemas. Avança a campanha pelas Diretas Já. Eleito pelo Colégio Eleitoral, Tancredo Neves promete a reforma agrária aos trabalhadores do campo. No governo Sarney cria-se o Ministério da Reforma Agrária e do Desenvolvimento (MIRAD) que, juntamente com o INCRA, apresentam um Plano Nacional de Reforma Agrária (1985).


O cenário nacional torna-se delicado. De um lado, há movimentos que pleiteiam a aplicação do Plano de Reforma Agrária, considerado moderado e contraditório, e os que querem a reforma imediatamente, por meio da ocupação de terras improdutivas. Do outro, os grandes latifundiários radicalizam o processo e resistem à implantação de mudanças.

Fonte: http://blogderecuperacaohistoria.blogspot.com.br/2012/11/a-questao-agraria-na-nova-republica_11.html?view=flipcard

Redemocratização: "Diretas já"

 

Diretas Já foi um dos movimentos de maior participação popular, da história do Brasil. Teve início em 1983, no governo de João Batista Figueiredo e propunha eleições diretas para o cargo de Presidente da República. A campanha ganhou o apoio dos partidos PMDB e PDS, e em pouco tempo, a simpatia da população, que foi às ruas para pedir a volta das eleições diretas.
   Sob o Regime Militar desde 1964, a última eleição direta para presidente fora em 1960. A Ditadura já estava com seus dias contados. Inflação alta, dívida externa exorbitante, desemprego, expunham a crise do sistema. Os militares, ainda no poder, pregavam uma transição democrática lenta, ao passo que perdiam o apoio da sociedade, que insatisfeita, queria o fim do regime o mais rápido possível.
     Em 1984, haveria eleição para a presidência, mas seria realizada de modo indireto, através do Colégio Eleitoral. Para que tal eleição transcorresse pelo voto popular, ou seja, de forma direta, era necessária a aprovação da emenda constitucional proposta pelo deputado Dante de Oliveira (PMDB – Mato Grosso).
     A cor amarela era o símbolo da campanha. Depois de duas décadas intimidada pela repressão, o movimento das Diretas Já ressuscitou a esperança e a coragem da população. Além de poder eleger um representante, a eleição direta sinalizava mudanças também econômicas e sociais. Lideranças estudantis, como a UNE (União Nacional dos Estudantes), sindicatos, como a CUT (Central Única dos Trabalhadores), intelectuais, artistas e religiosos reforçaram o coro pelas Diretas Já.
     Foram realizadas várias manifestações públicas. Mas dois comícios marcaram a campanha, dias antes de ser votada a emenda Dante de Oliveira. Um no Rio de Janeiro, no dia 10 de abril de 1984 e outro no dia 16 de abril, em São Paulo. Aos gritos de Diretas Já! mais de um milhão de pessoas lotou a praça da Sé, na capital paulista.
     Uma figura de destaque deste movimento foi Ulysses Guimarães (PMDB), apelidado de “o Senhor diretas”. Outros nomes emblemáticos da campanha foram o atual presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, a cantora Fafá de Belém e o apresentador Osmar Santos.
     No dia 25 de abril de 1984, o Congresso Nacional se reuniu para votar a emenda que tornaria possível a eleição direta ainda naquele ano. A população não pode acompanhar a votação dentro do plenário.   Os militares temendo manifestações reforçaram a segurança ao redor do Congresso Nacional. Tanques, metralhadoras e muitos homens sinalizavam que aquela proposta não era bem-vinda.
     Para que a emenda fosse aprovada, eram necessários 2/3 dos votos. A expectativa era grande. Foram 298 votos a favor e 65 contra e 3 abstenções (outros 112 deputados não compareceram). Para ser aprovada, a proposta precisava de 320 votos.
     Com o fim do sonho, restava ainda a eleição indireta, quando dois civis disputariam o cargo. Paulo Maluf (PDS) e Tancredo Neves (PMDB) foram os indicados. Com o apoio das mesmas lideranças das Diretas Já, Tancredo Neves venceu a disputa.

A MPB e o Dops



A Música Popular Brasileira (mais conhecida como MPB) é um gênero musical brasileiro. A MPB surgiu a partir de1966, com a segunda geração da Bossa Nova. Na prática, a sigla MPB anunciou uma fusão de dois movimentos musicais até então divergentes, a Bossa Nova e o engajamento folclórico dos Centros Populares de Cultura da União Nacional dos Estudantes, os primeiros defendendo a sofisticação musical e os segundos, a fidelidade à música de raiz brasileira. Seus propósitos se misturaram e, com o golpe de 1964, os dois movimentos se tornaram uma frente ampla cultural contra o regime militar, adotando a sigla MPB na sua bandeira de luta.

O termo “DOPS” significa Departamento de Ordem Política e Social, criada para manter o controle do cidadão e vigiar as manifestações políticas na ditadura pós-64 instaurada pelos militares no Brasil. O DOPS perseguia, acima de tudo, as atividades intelectuais, sociais, políticas e partidárias de cunho comunista.
 Entre os anos de 1964 e 1974, em virtude da resistência ao regime militar crescente, a DOPS obteve maior autonomia. A partir do momento em que o Brasil se abriu para o processo de redemocratização, a instituição perdeu atividades e sentido pela sua existência.

DOPS exercia função de órgão policial, e deixou documentos como ofícios, relatórios, radiogramas e livros que hoje servem como pesquisa histórica e busca de processos judiciais. Há dossiês que discriminam sobre a existência, na época, de eleições sindicais, greves, partidos políticos, atos públicos e outros acontecimentos que eram registrados e vigiados pela DOPS.

As celas do antigo edifício do DOPS, em São Paulo, onde vários políticos ficaram detidos, foram torturados e mortos, foram transformadas em locações do Museu Imaginário do Povo Brasileiro. O prédio está reformado, o que é criticado por ex-presos políticos da época, pois a reforma apagou todos os traços de resistência e sobrevivência daquele tempo chumbo.
regime militar no Brasil, que se manteve no poder no país de 1964 a 1985, buscava vigiar e controlar o espaço público e todo o enunciado político contra a ditadura, buscava-se desmobilizar a sociedade para manter o regime. Nos veículos de comunicação em massa havia mensagens políticas de resistência, assim aconteceu com a música brasileira, principalmente para driblar a censura que ocorria sobre as composições musicais.

Nos documentos da DOPS, uma das instituições que mais perseguiam os artistas, havia uma produção constante de suspeitas que seguiam critérios improvisados de perseguição; bastasse o artista participar de eventos estudantis, festivais, regravar artistas perseguidos, citar nomes políticos, entre outros fatores, para que o artista fosse perseguido.
Qualquer composição musical ou declaração que chocasse a “normalidade” política da ditadura era registrado como suspeito. Classificava-se grupo de atuação comunista aqueles que eram formados por Francisco Buarque de Holanda, Edu Lobo, Nara Leão, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Marilda Medalha, Vinícius de Moraes, Milton Nascimento, entre outros.
Na década de 70, Chico Buarque passou a ser considerado inimigo número 1 do regime, seguido por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton, Gonzaguinha e Ivan Lins. Elis Regina passou a fazer parte da lista ao gravar o hino da anistia, a música “O bêbado e a equilibrista”.
Além de espaços sociais serem suspeitos, a atividade artística era considerada suspeita e subversiva. Os departamentos de investigação visaram defender a ordem política da época e manter os grupos familiares e seus devidos laços morais. Mas como cantava Caetano Veloso : “é proibido proibir”.